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BRIANNA ABERNATHY  dêem ⭐
HASHI  X  FACA

Entrei pela porta do novo quarto, quase derretendo de tão suada. Meg
me olhou com uma sobrancelha arqueada. O último quadro, com a foto de
quando ela era bebê, estava quase sendo posto em sua estante.
Passei direto para o banheiro, ela me acompanhou e parou na porta para
receber a porta na cara.
— Foi mal — ciciei enquanto arrancava a roupa e abri o chuveiro
gelado.
— Posso saber o que tá acontecendo? — perguntou. Pelo tom de voz,
ela ainda estava no mesmo lugar.
Sentia a energia caótica irradiando de mim. Não iria contar nada
daquilo a ela, sequer voltaria a pensar naquilo de novo.E não. Não era como se eu nunca tivesse visto um pau antes, um cara se
masturbar ou gemer o meu nome.
Mas era Aaron Walker, o Alien do inferno. O cara a quem eu deveria
odiar por incontáveis motivos, mas era por quem queimava feito palha no
fogo, cedendo às suas provocações, dando ouvidos ao demônio no meu
ombro esquerdo.
Eu preciso me internar.
— Aquela tour ainda está de pé? — Abri a cortina, como se ela fosse
me ouvir melhor. — Podemos ir agora? Estou precisando espairecer — falei,
segurando o nervosismo, e ela ficou em silêncio, como se me estudasse pela
voz.
— Claro. — A animação no tom de voz me pareceu um pouco
duvidosa. — Por onde quer começar? Temos a sede, as quadras esportivas, a
biblioteca, esse alojamento, que você já conhece, o alojamento dos menin…
— A sede! Ou a quadra, não sei… — Suspirei. — A biblioteca também
seria legal!
— Quando sair do banho comemos alguma coisa e…
— Certo, eu já estou saindo! — gritei, afobada, e fechei os olhos.
Mal senti quando entrei debaixo da água fria, e isso me parecia um
problema, pois não estava fazendo efeito. Parecia que nada nunca iria fazer.
Depois de vestida, enxuguei o cabelo com uma toalha enquanto me
olhava no espelho. Meg se aproximou com os braços meio cruzados. Os
olhos em mim não escondiam a confusão.
— Então…. como foi na diretoria? — Só ali me lembrei de que fomos
à diretoria pela manhã. Eu e… ele.
— Foi normal.
— Normal?
— É… ela só reclamou e…
— A reitora não tem muita autonomia por aqui. Na verdade, ninguém
tem. Eles só tentam manter as aparências mesmo, mas já são dominados há
anos. O que aconteceu? Você chegou tensa.— Ficar no mesmo ambiente que ele me deixa tensa — pontuei.
— Ele? O Alien? — Não respondi, estava engolindo em seco quando
ela me olhou, esperando uma confirmação. — Sinto muito que tenha que
passar por isso, Bri, e agradeço mais uma vez pela ajuda. — Olhou para os
lados. — Você agiu bem diferente de mim, deve estar se arrependendo agora
que a adrenalina passou.
— Não me arrependo. — Vi quando ela voltou a erguer os olhos na
minha direção. — Poderia ter sofrido fraturas graves. — Sacudi a toalha e fui
pendurá-la no banheiro. — Está bem calma. Muito mais do que eu achei que
estaria — destaquei e ela riu.
— Estudo aqui há anos. Você está falando com uma veterana que já
presenciou de tudo. — Pareceu afobada. — Aquela não foi a primeira vez
que tentaram me matar aqui no campus, mas também não é como se
acontecesse com frequência. Costumo me misturar bem. Ou pelo menos
costumava…
Suspirei.
A situação era mais caótica do que eu imaginava. E conseguia enxergar
que a culpa da recente tormenta era minha.
— Sou eu quem está atraindo isso, e você estando comigo…
— Pode ir parando. — Meg ergueu a sobrancelha. — Não vou abrir
mão de dividir esse quarto com você! Estamos começando a ter regalias que
só o Alien e seu pessoal tem.
— Regalias? Por quê?
— Ele anda berrando por aí que você é dele, então… — Franzi a cara
inteira. Ela continuou: — Resquícios da veneração que você recebe, estão
respingando em mim. — Apontou para a porta. — A Jennifer não liga mais o
som de madrugada para disfarçar a transa com o namorado. Acho que eles
nem passam mais a noite nesse alojamento. — Apontou para o banheiro. —
Não temos mais que dividir nada porque esse quarto é para líderes da
irmandade, tem dois banheiros. — Olhei, confirmando o fato e tentando
entender como tomei banho ali e não percebi. Meg girou pelo lugar. —
Metade do que tem aqui não caberia naquele cubículo em que estávamos, e…
— Aproximou-se de mim. — Me pagam bebidas e lanches no refeitório. Já tenho até alguns encontros… — Diante da minha reação perplexa, ela sorriu
sem graça. — Mas então qual o motivo desse seu colapso por distração?
— Ao contrário de você, sou nova aqui, e o alvo preferido do pior
arruaceiro deste lugar. Mesmo sendo filha de um delegado, não passei por
tantas aventuras mortais como nos últimos dias. — Olhei para ela. — Eu
preciso de um ar.
— Agora mesmo, patroa!
Meg estava animada e eu, tensa como uma idiota.
Preferi ir à biblioteca primeiro, o lugar onde Aaron Walker nunca
colocaria os pés imundos. Ela seguiu na frente, me guiando pelos corredores
do lugar imponente. O aroma de livros antigos pairava no ar, enquanto o som
suave de páginas sendo viradas acompanhava nossos passos.
— Conheça o coração da nossa universidade — falou, seus olhos
brilhando de excitação. — A biblioteca é como um santuário para os
estudantes. Aqui, você pode encontrar respostas para todas as suas perguntas.
— Algo sobre astronomia?
— Uma seção inteira! — exclamou. — Mas é no último andar. —
Olhamos para as escadas e seu cenho se franziu. — Outro dia, limpei aquilo
tudo por ter acumulado pendências na devolução dos livros. Dá pra me
poupar de estender a tour até lá? — Pareceu ser uma súplica.
— Tudo bem. Passo lá depois.
— Você é a melhor!

AO CAIR DA NOITE Onde histórias criam vida. Descubra agora