AARON WALKER
DO MEU JEITO
— Walker, o que diabos está fazendo aqui? — O governador se
levantou de sua mesa, surpreso com minha presença.
— Vim para ter uma conversa, não importa o que eu tenha que fazer
para isso. — Minha voz era baixa, mas carregada de autoridade. — Esses
merdinhas fazem você se sentir seguro de alguma forma? — Subi as
sobrancelhas, encarando o aperto frouxo sob o qual me mantinham. Suas
mãos mal se fechavam em meus bíceps.
O governador os olhou, indicando que me deixassem entrar. Eu sabia
que ele estava ciente da minha reputação e da minha capacidade de causar
estragos. Era uma vantagem que eu não hesitaria em explorar.
A porta foi fechada, e ele ajeitou a gravata, preparando-se para voltar a
sentar.
— Posso saber o motivo da "visita" inesperada? — Seus olhos se
semicerraram. — Acho que não preciso lembrar a você o que é uma invasão e
que isso fere leis, e mais importante: fere nosso acordo sigil…— Cadê o porco? — interrompi e ele quase juntou as pálpebras às
sobrancelhas. Fez silêncio por um momento, até que sua risada se espalhou
pela sala branca.
— Acha que se soubéssemos não diríamos?
— Não o encontro em lugar algum de Nova Iorque e fontes seguras
afirmam que ele não saiu deste solo americano. Não vou perguntar outra vez.
— Cruzei os braços e me aproximei. — Onde ele está? — Antony Beinsen
me encarou com aqueles olhos esbranquiçados e ar superior.
— Por que acha que se soubéssemos onde Abernathy está você não
saberia?
— Eu poderia citar uma ampla lista de razões, governador. — Ele riu.
— Sendo a primeira delas o fato de que permaneço no comando do Brooklyn
enquanto não o encontrar. — O infeliz me deu um sorriso frio demorado,
como se estivesse jogando um jogo muito maior do que eu poderia
compreender.
— Nosso acordo foi especificado, Walker. Você comanda o Brooklyn e
nós paramos de perseguir Magnus Abernathy, deixando a vingança em suas
mãos. Não tente culpar os outros para tentar diminuir o fato de que não
consegue fazer isso sozinho. Lide com a sua frustração de outra maneira —
pontuou e se sentou. — Você só não estava sabendo usar todos os recursos a
seu favor. Tem homens, tem olhos em muitos lugares, tem influência, tem a
garota... — Tocou no assunto e minhas narinas se dilataram. Pareceu
perceber. — O que aconteceu com a garota? Matou-a antes que lhe desse o
tesouro?
Ela me deu o tesouro. Penso nisso todas as horas desde então, babaca.
— A rata é inútil. Preciso me livrar dela. — Foi o que deixei escapar.
— Por quê? — Ele ergueu uma sobrancelha. — Achei que ela fosse
uma chave importante…
— A garota não sabe de nada e só me traz problemas — rosnei, me
lembrando da noite passada.
— Ou talvez você não saiba fazê-la falar. Já arrancou algum dedo?
— Conheci o limite dela e o ultrapassei. Não tem nada para mim.
— Acredita mesmo nisso, Walker? — Riu. — O que a garota fez para
você desejar se livrar dela? — Lhe entreguei o pior dentre os meus olhares.
— Sabe bem com quem está falando. Percebo quando estou perdendo o
meu tempo com algo ou alguém irrelevante — sussurrei, ameaçador.
— Sei, sim. — Sua língua estalou. — E é por saber que acho estranho o seu trabalho malfeito. — Cruzei os braços, ele continuou: — Ela pode não ter
informações cruciais, mas continua sendo a filha do Magnus. — Abriu uma
de suas gavetas na parte acoplada da mesa. — Deve haver alguma coisa que o
atinja. Só precisa pensar melhor. — Ele estendeu um envelope. — É um e-
mail constitucional. Faz parte da instituição e percebemos que era ativo. O
delegado o esteve usando nos últimos dias.
— Onde conseguiu isso?
— Não importa. A questão é que se quiser mandar algum recado, seja
onde estiver, ele vai receber. — Olhou para mim. — Contanto que não repita
o erro de invadir este lugar, considere que lhe daremos o que conseguirmos
sobre o Abernathy — falou e sua tentativa de convencimento soou familiar.
— Faça bom uso, Walker, e lembre-se: seu alvo não sou eu. Se tentar me
colocar na sua mira, vai cair antes de apertar o gatilho.
Revirei os olhos, cansado das ameaças veladas.
— Então, sob pressão, você abre a mão?
— Torno o cenário confortável. Sou o mediador da paz. A última coisa
que quero é ter que lidar com uma guerra iniciada pelo seu gênio
descontrolado. E é por isso que a supervisão será reforçada. — Pigarreou. —
Um novo supervisor estará no campus da Libert University o mais rápido
possível.
— Por que tantos olhos em cima de mim? Não já bastam os que
rodeiam o Brooklyn e a reitora na universidade? — Estreitei os olhos.
— Se não tivesse invadido o meu escritório, não estaria me
questionando isso, porque não veria a necessidade de te manter na linha eu
mesmo. — Juntou os dedos com os cotovelos sobre a mesa. — Você é
impulsivo, Walker. Já viu aonde isso levou seu irmão. A nova reitora e os
espiões estão aqui para garantir que você não cometa os mesmos erros que
ele — afirmou, sua voz cheia de falsa preocupação.
— Ninguém me mantém em linha alguma.
— Nosso acordo diz o contrário.
— Vou cortar essa sua linha no dente e veremos onde você vai ter que
enfiar o acordo — grunhi, e ele bateu palmas.
— É filho de quem é filho mesmo… Tem o mesmo jeito que ele. —
Acomodou a mão com os dedos dobrados embaixo do queixo e o indicador
na cara, como se observasse um animal num zoológico.
— Tenho a mesma sede por sangue. Espero que não se esqueça disso.
Saí do escritório e segui para o hall principal, mantendo os guardinhas longe com um único olhar. Uma vez fora daquele inferno branco, puxei o
telefone e acionei Tom, o cara que me passava as informações sobre a
procura do porco. Assim que ele atendeu, fui rápido.
— Tenho certeza de que o governador está com o delegado, continuem
procurando e concentrem mais homens ao redor dele e de seus movimentos.
— Olhei para o envelope na minha mão. — Qualquer sinal de evidência, me
comunique. — Desliguei e procurei por Benedete na minha lista de contatos,
para enviar uma mensagem.
Eu iria tentar só mais uma coisa com a ratinha. Ela era algo importante
demais para ser deixada de lado tão rápido. E daquela vez, se não
colaborasse, iria morrer.
Faria qualquer coisa para vingar o meu irmão, não era um blefe. Assim
como ele não media esforços para comigo, nunca mediu. Não importava se
fosse para me dar sua bola de basebol cara, ou encarar minhas batalhas por
mim.
— Droga! — Atirei minha bola furada no chão do corredor que levava
ao meu quarto. Percebi quando John saiu do dele e a pegou. Os cortes
fundos denunciavam que aquele não era um furo comum que se consegue
brincando com os amigos.
— Quem fez isso? — perguntou. Seu tom sério, que sempre chegava
antes que seus pés, estava lá.
— Foi o Dimitri — respondi com a cabeça erguida. Aquele bosta não
me assustava.
— Dimitri? O ajudante do pai? — Sacudi a cabeça em afirmação. —
Por quê?
— Eu estava no quarto da mãe quando o vi entrar. Ela estava
dormindo, cansada. E ele começou a tocá-la e…
— Você viu? — me interrompeu. Ele já sabia do que se tratava.
— Atirei nele com a minha arma gangster. — Apontei para os
destroços do brinquedo na caixa.
— E o que aconteceu depois?
— O imbecil a destruiu, pisou em alguns dos meus nikes e furou a bola
de basebol. Também disse que me afogaria na banheira, caso eu abrisse a
boca.
— O que você fez? — Ele continuava perguntando e perguntando. Mas
eu não me irritava em responder, até que ajudava a tirar aquela raiva que sentia.
— A mãe me impediu de chutar as bolas dele, mas garanti que ele
precisasse de uma cirurgia nos dedos do pé. O problema é que, quando ele
saiu, ela também pediu para que eu ficasse de boca fechada. Disse que faz
parte do juramento de silêncio.
— Ela disse isso? — Afirmei com a cabeça e ele me olhou, cauteloso.
Eu sempre reclamava, fosse o que fosse, com John. Meu irmão era um
imbecil, mas parecia me entender melhor do que qualquer outro naquela
casa, principalmente do que meu pai.
— Você tem certeza disso, pirralho?
— Se não acredita em mim, vou contar agora ao pai e pedir para
executar aquele…
— Deixa que falo com o pai — pontuou. — E toma essa. — Puxou sua
bola do mini pedestal no armário. — É nova.
— A sua bola autografada pelo Jordan Hugerio?
— Sou o irmão mais velho, tampinha. Não me importo com essas
coisas. Só não a destrua. — Me deu um tapa na cabeça. — Agora diz que não
sou o melhor.
— Você é razoável — pontuei, averiguando a costura.
— Razoável?
— Um carro seria muito melhor.
— Vai dirigir com essa idade? Com esses seus seis anos, você nem
alcança o volante.
— Não vai demorar para acontecer. Logo terei quatorze, como você.
— É, eu sei. E quando acontecer, você vai perder o controle e bater
num poste no meio da rua, quando estiver indo ao mercado.
— Não vou usar para locomoção, burro! Vou ser líder de corridas.
— Pior ainda. Você vai bater e vai amassar junto ao carro. Suas
entranhas saindo para fora... — Fez um barulho irritante com as mãos na
barriga. — Oh, não! O líder foi abatido! — Comecei a empurrá-lo e me
segurou pelo pé.
— Vou acabar com você! — Pendurado no ar, esmurrei seu joelho.
— Isso é o que vamos descobrir, Alien!
Um pigarrear fez meu irmão me colocar no chão em um piscar de
olhos. Consertamos as posturas quando nosso pai nos entregou um olhar
sério.
O lugar passou a ficar estranho, como todas as vezes que ele saía de suas reuniões com os Homens de Honra.
— Jonathan — falou o nome dele e o vi segui-lo para dentro do
escritório. Fazia parte de sua preparação, e a minha, logo iria chegar.
Dêem ⭐
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AO CAIR DA NOITE
FanfictionLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
