BRIANNA ABERNATHY dêem ⭐
DURMA"
— Receio não saber sobre a vida de políticos, Walker. — A mulher se
desviou dele, sacudindo a perna cruzada e acenou para que eu prosseguisse.
— Alguma ideia para um projeto assim, Brianna Abernathy? — Sua voz
feminina e firme me atingiu como um tapa, depois do soco do Alien.
— Não… não mesmo, eu iria dizer Medicina e Artes…
— Então comece a pensar no que fazer em um projeto com Engenharia
Mecânica — determinou.
— O quê? Mas…
— Você falou que os universitários precisam sair da zona de conforto e
que sua proposta visa isso, ou entendi errado? — Baixei levemente a cabeça e
ela continuou: — Essa é a hora de ser o exemplo para a irmandade. Não vai
colocar em prática o que já iniciou planejando, vai sair da sua zona de
conforto — Pontuou me deixando perplexa em cima do palco. Sua voz
aumentou um pouco mais. — Diante disso, vou escolher as duplas, para que não haja situações cômodas de afinidade ou algo similar. A relação estará
pronta em alguns minutos nos murais da universidade. Agradeço a atenção e
presença de todos. — Levantou-se para sair, levando todos presentes consigo.
Meu olho esquerdo piscou sozinho enquanto a sombra sorridente do
desgraçado se aproximava do palco.
— O que mais você quer de mim? — Olhei para ele, o colar ainda
balançando no pescoço, ele não o tirou desde que o pendurou ali. — Eu já
falei tudo que sabia!
— Quer que eu seja sincero? — Mordeu o lábio inferior. — Não quero
assistir a você definhar.
— E por que não iria querer isso? Você me odeia tanto quanto te odeio.
— Semicerrei os olhos.
— Você vale a minha vingança. Não posso perder a oportunidade de
amassar a cara do seu pai, e é a minha melhor carta para isso. — Lá estava, a
razão principal. — Sei que já espremi tudo de você, mas continua sendo a
filha do delegado, e uma bela moeda de troca. — Inspirei fundo e olhei para a
pasta na minha mão, o nome de Meg, ao lado do meu, pronto para dar lugar
ao daquele infeliz.
— Por que todo mundo parece obedecer você nesse inferno?
— Nesse inferno e fora dele, e é o que eu espero de você também, já
que conseguiu pegar a arma de volta. — Seus braços cruzaram. — Não está
pensando em me atacar, está?
— O que você acha?
— Acho que precisa tentar, vadia, mas sabendo que vou foder com a
sua vida de um jeito ou de outro — pontuou, e virei o rosto para o lado.
Era o inferno que escolhi, não tinha como voltar atrás. Mas seria breve.
Pelo menos, eu esperava que terminasse logo. Saí de lá formando fogo a cada
passo que dava, mas, antes de desaparecer, sua voz alcançou meus ouvidos.
— Ah, e eu vi a planilha! — Olhei para a pasta, o ponto vermelho de
reuniões entre Meg e eu. — Já que seremos eu e você, passo na biblioteca
mais tarde?
A biblioteca estava uma zona. Mais especificamente, a minha parte da
mesa, para ser sincera.
Minha cabeça era uma confusão e eu ainda tinha Meg fazendo
perguntas.
— Aturou a Glenda a reunião inteira? — Ela apertou os olhos,
querendo rir.
— Por um milagre — respondi, tentando formular o pedido que iria
fazer a ela.
Eu precisava do carro e de cobertura, para sair furtivamente e ir até a
casa em que estive com meu pai. Não tinha certeza de nada, mas aquele era o
único lugar propenso a encontrar alguma coisa, visto que passamos dois dias
lá quando chegamos do Brooklyn.
— Eu imagino… — Percebi que suas mãos trabalhavam sem vontade
alguma, enquanto ela empilhava alguns livros no meio da biblioteca
movimentada, e constatei que aquela não era hora de pedir favores.
— Também tô mal por ter dado errado, Meg… E agora você vai ter que
fazer dupla com Benedete… — Meu suspiro soou pesado.
— Amiga, você tem Aaron como dupla. Estou no céu, se compararmos.
— Colocou alguns fios atrás da orelha. — Vi que ele te manteve por mais
tempo no auditório. O que houve?
— Pelo visto, o desgraçado sabe que não tenho nada a oferecer sobre o
paradeiro do meu pai.
— Finalmente!
— Depois de me torturar e quase me matar inúmeras vezes, é… mas
ele ainda quer me usar como moeda de troca ou qualquer outra coisa que
sirva como ponte para chegar ao delegado.
— Seu pai não falou com você desde aquele dia… — Disse, e olhei para o meu celular. O número dele suspenso em uma aba invisível à qual só
eu tinha acesso. — Sei que pode ser para a segurança dele, mas e a sua? Ele
te mandou pra cá e é isso?
Se ela soubesse que desde o início o plano era que eu fosse uma espiã,
e nem eu mesma sabia disso, ficaria chocada.
— Não quero pensar no meu pai agora, Meg. Mas no meu problema
maior: Aaron Walker.
— O problema que escolheu quando decidiu voltar para cá.
— Esse mesmo. — Meg riu de mim e cruzou os braços.
— Você é uma incógnita, Brianna… não dá pra te entender, sabia? —
Esticou as mãos, pegou seus livros e começou a sair.
— Às vezes, nem eu mesma me entendo… — murmurei sozinha e
voltei a folhear meu livro.
A filha com o nome dele estava lá, dobrada entre as páginas, com os
poucos dados que eu tinha de sua vida, família e amigos. Embolei-a e a atirei
no lixo mais próximo.
Eu tinha coisas maiores para me preocupar do que ficar escrevendo
sobre cada filhote de bandido naquele lugar. Tudo que descobri sobre eles
estava embalado na minha cabeça, se necessário, eu saberia o momento exato
para usar.
Não demorou para que a familiar sensação de estar sendo observada
ressurgisse das cinzas.
Com certeza, era um dos capanguinhas do Alien, me vigiando.
Essa certeza se desvaneceu quando ergui os olhos e vi o próprio Aaron
passando pela porta, com os olhos em mim.
O lugar já poderia pegar fogo sozinho agora e todos achariam normal,
porque algo mais icônico acontecia: Aaron Walker estava entrando na
biblioteca.
Ele tinha um livro na mão. Algo novo, em uma case preta que não me
deixava saber sobre o que se tratava. Vi quando o acomodou na mesa, entre
os inúmeros outros que eu tinha espalhado ali.
Por incrível que parecesse, as pessoas falavam com ele, sorrindo. E, por
um momento, distraíram-no com bajulações, mas logo se voltou para mim.
Continuei em silêncio, sentindo seu olhar cortante. O ar ficava tenso a cada
minuto decorrido, e folhear aquela enciclopédia já não me livrava daquele
suor frio na espinha.
Puxei uma cadeira, um pouco distante dele, segurei o livro e comecei a me sentar. As tábuas de madeira me pareceram ser mais macias que o normal,
e eu não quis acreditar no que aquele desgraçado fez quando me dei por mim.
Eu estava no colo dele.
— O que você…
— Quietinha. — Suas mãos apertaram a minha cintura, me forçando a
ficar lá, a sentir aquele volume todo tocando o exato lugar que eu sentia
esquentar.
— O que você quer com isso? — Minha pergunta saiu entredentes.
Estávamos sussurrando no meio da biblioteca.
— Eu só quero um pouco mais de proximidade.
— Vai ter proximidade com o…
— Shh… tem alunos exemplares estudando aqui, ratinha, seja uma boa
menina. — Ele me fez virar para si com uma facilidade que me deixou
perplexa. Sua boca estava estrategicamente perto da minha nos próximos
instantes.
— Sua nova jogada é tentar me seduzir para conseguir o que quer?
— Você tem o que quero?
— Sabe que não, seu desgraçado — sussurrei, apertando os olhos, e ele
riu.
— Estive me perguntando o que você estaria fazendo aqui, por que
voltou… — segredou, olhando para mim enquanto brincava com uma mecha
do meu cabelo.
— Talvez eu só queira uma vida normal, estudar e morar num lugar
fixo.
— Mesmo que eu more a poucos passos de você? — Seus dedos
colocaram um pouco do meu cabelo atrás da orelha e ele aproximou o rosto,
me deixando hipnotizada. — Eu pediria uma prova de que está aqui porque
quer. — Olhou nos meus olhos, seus lábios se entreabrindo devagar a cada
palavra levaram os meus a fazer o mesmo. — Mas não confio tanto assim em
você. — Me desviei de sua boca, e percebi os olhos desafiadores. — Sei que
está escondendo coisas, e vou descobrir. Tudo. — Puxei o ar quando o vi
jogar a cabeça para trás e vir com tudo contra a minha testa.
O baque me fez perder os sentidos e amoleci de forma instantânea,
caindo em seus braços enquanto me segurava com força.
— Shh… tudo bem. Pode dormir no meu ombro… eu deixo.
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AO CAIR DA NOITE
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