AARON WALKER
Refém
— "Bom dia, gata. Vi você no refeitório mais cedo, te achei
interessante" — vociferei, apertando o pescoço de Karl Deep. O terceiro que
eu esmurrava nos fundos do campus. — Onde conseguiu o número dela?
— Quando soube que ela era assunto seu, parei de mandar mensagens,
cara, juro! — Tentou se esquivar.
— Perguntei onde conseguiu a porra do número! — Amassei a cara do
imbecil.
— A amiga dela! — Me deu o nome de Megan. — Pedi quando a vi
com a ficha da caloura, antes das aulas começarem.
— E como os outros conseguiram? Todos eles disseram que alguém
mandou num grupo.
— Eu repassei. — Ergueu as mãos, tentando se livrar de mais das
minhas investidas, mas ultrapassei a barreira. — Não achei que você ficaria
bolado por causa de um papo, cara. Ninguém pegou a mina. Ela ignora geral
— falou com dificuldade, e meus olhos flamejaram.— Acha que sinto ciúmes? — Apertei os dentes. — Aquela rata é a
minha isca. Ninguém chega perto das minhas iscas.
— Não vou. Nunca mais. — Suplicou.
— Acho bom. — Dei um último golpe e ele ficou no chão.
Enquanto puxava as ataduras das minhas mãos para o lugar, Brandon
acenou na direção de uma sombra que se aproximava.
Era Luke, o cara que deixei na cola da Abernathy.
— Sua garota tá saindo de carro. — Já chegou falando e com os olhos
no quase morto atrás de mim. — Deixa eu adivinhar, esse aí respirou perto
dela — falou e o encarei com o maxilar cerrado.
— Pra onde ela está indo? — Me olhou com cautela.
— Não sei. Só vi e achei melhor vir avisar… — Passei por ele, sendo
seguido por Brandon. — E esse cara? O que faço com ele? — perguntou.
— Deixa aí ou ateia fogo. — Dei meu último murmúrio.
— Sério? Mas ele ainda tá vivo.
— Leva pro alojamento, porra. — Brandon desenhou para o burro e
seguimos até o estacionamento com os olhos atentos.
Ainda conseguia ouvir o motor pesado se distanciando da universidade.
Entrei no carro sozinho e fechei a porta. Pela janela, Brandon assistiu quando
girei a chave.
— Ela acabou de cortar a avenida. Quer reforço?
— Não. — Puxei a marcha e segurei o volante. — Vou sozinho. — Ele
bateu na traseira, antes dos meus pneus girarem pelo asfalto.
A perseguição se deu à distância. Ela não poderia me ver, então
priorizei isso.
Minha atenção estava nela enquanto estacionava debaixo de uma
árvore, à beira da rua iluminada, o motor do carro ainda ronronando. Esperei
alguns segundos antes de me aproximar, movendo os pneus como uma
sombra.
Esfreguei o rosto com o dorso da mão. Suor e sangue da luta pareciam
ter grudado na minha pele. Eu estaria batendo em mais uns dois dos que
tentaram contato com ela, se não tivesse sabido que saiu às pressas, no meio
da noite.
A máscara estava em meu rosto em segundos. Ajustei os olhos olhando
no retrovisor, antes de abrir a porta.
Minhas intenções eram claras: eu a seguiria até descobrir o que estava
planejando.Desconfiança voltou a piscar em meu cérebro quando a vi na porta da
frente de um lugar imponente. Aquela, provavelmente, era a casa do porco
Abernathy, e se eu estivesse certo, ela poderia estar me levando até o próprio,
ou a pistas sobre ele.
Segui até lá a pé e dei passos silenciosos em sua direção. Brianna não
percebeu minha presença até que a agarrei pelo braço, girando-a para mim.
— Oi de novo. — Meu sussurro foi seguido do vislumbre de suas
pupilas diminuindo e se dilatando, quando me reconheceu.
— Me larga! — gritou.
Ela era rápida, esperta. Mas não tão forte quanto eu. Segurei meu cinto
e destruí a fivela com uma única mão, trouxe até seus pulsos e os amarrei sob
aquele olhar enraivecido. Segurei-lhe o rosto, erguendo uma arma diante de
seus olhos.
— O que você está fazendo aqui? — silabei, minha voz carregada de
raiva contida.
— Só vim pegar algumas coisas. — Pareceu ser uma desculpa fajuta.
— Então nós vamos pegar suas coisas juntos, que tal? — Fiz sinal de
silêncio e abri caminho para que ela tivesse acesso à porta.
Depois que a abriu, empurrei-a para dentro da casa, mantendo minha
arma apontada para ela. Cada passo que dávamos dentro da escuridão o vazio
ecoava.
Fiquei em alerta máximo, pronto para agir a qualquer sinal de perigo,
mas à medida que explorávamos os cômodos marrons e sem vida, ficou claro
que não encontraríamos nada além de móveis vazios ali. O lugar estava
silencioso como um túmulo, exceto pelo som distante de carros na estrada lá
fora.
Paramos na porta do que parecia ser o quarto dela, e soltei um suspiro
frustrado.
— O que quer de mim? — insistiu naquela pergunta idiota. — Já falei
que não tenho nada para você.
— Que tal começar respondendo por que voltou? Não acha melhor
admitir que sentiu saudades?
— Aonde está querendo chegar? — Arqueou as sobrancelhas. — Acha
que voltei por sua causa?
— Estamos falando da mesma garota com problemas de escolha dos
interesses amorosos?
— Então, antes de ser um completo maluco e apagar todas as minhas mensagens, você as leu? — Seus olhos arregalaram. — É claro que as leu…
— Sorri por baixo da máscara e pareceu saber exatamente o que mais eu
tinha visto. — Você também viu as… — O queixo caiu devagar.
— Gostei do conjunto vermelho. Deu para ver que a sua bocetinha tem
carne.
— Idiota! Imbecil! — Ela se contorceu de raiva e a empurrei para
dentro do quarto.
Sua pequena corrida parou perto da mesinha vazia ao lado da cama
meio empoeirada, e ela levantou as mãos atadas.
— Me solta!
— Pra tentar me bater? Acho que não. Odeio cócegas.
— Não sei se percebeu, mas não tem ninguém aqui. A casa está vazia e
só vim pegar alguns objetos pessoais! — Bateu o pé no chão como uma
mimadinha do caralho, depois de jogar a bolsa com dificuldade em cima da
cabeceira da cama.
— E o que você quer levar, hum? — Circulei pelo lugar e comecei
abrir portas e gavetas de um grande guarda-roupas de madeira. Tudo vazio.
— O que pensa que está fazendo?
— Vou te ajudar, ratinha, mas não acho que tenha pertences por aqui.
— Me aproximei de uma caixa à parte, feita de palha trançada e com alguns
laços.
— Não abre ess… — Abri. Ela fechou os olhos, suspirando.
Tinha um vibrador no meio de algumas revistas e papéis coloridos.
Aquilo me arrancou um riso sincero. Mordi os lábios e ergui uma
sobrancelha junto à máscara. Pude sentir sua tensão quando meu dedo tocou
o botão do dispositivo e ele começou a vibrar.
Segui até ela, encostada na parede, com as mãos atadas e o rosto de
lado, vergonhosa.
— Pelo visto, encontrei o que você veio buscar...
— Desliga isso!
Me aproximei, puxei-a pela cintura e pressionei o botão outra vez, a
velocidade do dispositivo aumentou, me fazendo curvar os cantos da boca
para baixo em surpresa.
— Aguenta isso tudo, ratinha?
— O que você acha? — Me desafiou. Ela borbulhava de raiva.
— Acho que não. — Olhei para o vibrador pulsando entre meus dedos.
— Em quem você pensa quando enfia um desses entre as pernas, hum?— Pode ter certeza de que não é em alguém como você.
— E se o usar olhando para mim? — Seus olhos se arregalaram. — Vai
pensar em quem? — Pressionei o botão de novo, o vibrador passou a pulsar.
Captei seu suspiro contido. A pele dela tremia, suas pernas se apertavam uma
na outra. — Está se contorcendo por quê, vadia? — Deixei meu aperto em
sua cintura um pouco mais forte.
— Você está me excitando, caralho!
— Com isso aqui? — Ergui o aparelho. — Está derretendo por causa
dessa merda que vibra? — Apertei seu corpo contra a parede, meus lábios
alcançaram seu ouvido. — Tenho algo muito maior e melhor para você. —
Me afastei, depois de sorrir contra sua pele.
Brianna trouxe o rosto para perto do meu com as sobrancelhas
franzidas e dentes cerrados. Seu movimento rápido levou a cabeça para trás e
ela voltou com o rosto na direção do meu.
Uma tentativa de fazer o que fiz na biblioteca. Uma falha que a deixou
com a boca sangrando. Seu gemido me fez molhar os lábios, vi quando
apertou os olhos lacrimejando com o queixo trêmulo.
— Oh… você está sangrando, ratinha. — Segurei o rosto dela, sentindo
que respirava pesado. Um filete vermelho escorria pelo canto da boca, me
chamando para mais perto, fazendo com que a ponta do meu nariz roçasse em
sua bochecha.
Coloquei a língua para fora e lambi devagar, subindo do queixo ao
canto do lábio contornado por um tom marrom, sentindo aqueles olhos
arregalados se fechando junto a um suspiro instável. O gosto metálico parecia
doce na minha língua, me fazia querer a engolir inteira, chupar cada cantinho
enquanto ouvia seus xingamentos, sentia suas unhas arranharem minha pele
em súplica, com certeza por mais.
Me afastei devagar, dando alguns centímetros para que respirasse.
Meus olhos estudaram o modo como sugou o lábio machucado, em uma
tentativa de me manter longe dali.
— Odeio você. Com todas as minhas forças — sussurrou, colocando
toda sua atenção em mim.
— Já me odiava antes, então nada mudou — murmurei em resposta.
— A diferença é que vou ter mais um motivo para isso.
— Qual motivo?
Não respondeu. Apenas juntou a boca com a minha.
Puxei-a para mim, apertando levemente a parte sensível com os dentes.
Ela gemeu tão gostoso que pareceu ter sido tudo que precisava para sentir as
veias bombearem mais sangue pelo meu corpo.
— Sabia que era isso que você queria. Só não estava sabendo pedir. —
Atirei o vibrador para o lado e a puxei para cima.
Suas pernas entrelaçaram a minha cintura e as mãos atadas laçaram
meu pescoço. Pressionei as costas dela contra a parede, me alimentando
daquela boca pequena, suguei sua energia e chupei a língua macia, os lábios
carnudos.
Uma parte da minha cabeça dizia que seguir adiante poderia me trazer
problemas, mas a outra parte era uma filha da puta que fazia parecer ser certo,
de algum modo. Como se, no fundo, fosse aquilo que eu queria.
E eu queria. Percebi que queria pra caralho.
— Sua boca é tão gostosa quanto parece ser — sussurrei e ela sorriu
pela primeira vez, me encarando.
Algo passageiro, um erro visível que não conseguiu conter. Parei com
os olhos ali e segurei seu rosto, assistindo a ele desvanecer enquanto me
olhava ofegante.
Seu sorriso me deixava submerso em ira e atração ao mesmo tempo.
Era bom e ruim. Eu queria morder e beijar ao mesmo tempo.
— Deus, acho que estou ficando louca. Era você quem deveria estar
estonteado depois da pancada, não eu. — Ri da fala.
— Quando vai perceber que não pode me atingir? — Brinquei com
seus lábios enquanto falava. — Sou eu quem brinca, castiga, maltrata e
mantém você respirando, ofegante, sem ar… escolho, faço seu corpo reagir,
tiro o melhor de você como um ladrão, um impostor, o vilão da sua historinha
sem graça. Faço o que quero, sabe disso. — Apertei a polpa da bunda com
uma das mãos e ela enrijeceu. — E quero foder você, ratinha. Agora.
Dêem ⭐
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AO CAIR DA NOITE
FanfictionLivro 1 O homem mais poderoso dos EUA te ofereceu um emprego como babá. Ele precisa de ajuda para cuidar de sua doce filha, que acabou de perder a mãe. Só tem um problema. Ele nunca está em casa. Você o encontrou só algumas vezes - e há meses isso n...
