Preservar a vida de um imbecil

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O som do cronômetro sendo ativado ecoou como o estalar de um trovão contido. Em menos de um segundo, o chão de treinamento virou campo de batalha.

Philip mal teve tempo de respirar.

Dan foi o primeiro a se mover, seus passos tão leves que mal tocavam o chão. Deslizava como uma sombra elegante, cada movimento calculado, cheio de fluidez. Sua cauda longa e forte descrevia arcos precisos no ar, agindo como extensão do corpo — às vezes um contrapeso, outras, uma arma de impacto inesperada.

Ele surgiu pelo lado esquerdo, desferindo um golpe giratório com a cauda, mirando as costelas de Philip. O jovem se abaixou por puro reflexo, mas o golpe rasgou o ar com um assobio sinistro, e ele sentiu o vento cortante passar rente à orelha.

Antes que pudesse se erguer, Lucas já estava sobre ele.

Diferente de Dan, Lucas era puro instinto, pura violência contida explodindo em momentos precisos. A cada golpe, ele encarnava o lobo albino que carregava no sangue: postura baixa, braços arqueados, olhos brilhando com frieza e garras sem hesitação. Ele avançava em zigue-zague, forçando Philip a recuar.

Um chute lateral veio na altura das costelas. Philip levantou os braços e absorveu o impacto, mas foi lançado três metros para trás, deslizando com os pés no chão. O impacto reverberou em seus ossos, mas ele não caiu. Ele ofegava, e ainda assim... estava em pé.

— Boa guarda — murmurou Dan com um sorriso torto, antes de avançar novamente com uma série de golpes rápidos com os punhos, combinados com pequenos saltos giratórios que pareciam danças.

Philip defendeu como pôde, desviando com o corpo, cruzando os braços, usando até o cotovelo como escudo improvisado. Ele contra-atacou com um soco direto, mirando o queixo de Dan — mas ele recuou com a elegância de um acrobata, girando no ar, e então cravou um chute giratório com a sola do pé no ombro de Philip.

Ele cambaleou para trás... só para cair direto na mira de Lucas, que rugiu ao lançar um soco com as garras expostas, mirando o estômago. Philip curvou o corpo no último segundo e o soco passou por cima, mas não escapou do chute no joelho que veio a seguir, fazendo a perna falhar por um instante.

Mesmo assim, ele se endireitou.

Sangue escorria do canto de sua boca. O braço esquerdo tremia. Mas seus olhos... seus olhos ardiam com a lembrança de Will, com a raiva de um amor roubado, com a promessa de vingança que carregava não apenas no coração, mas também nas mãos.

P: Estou só... aquecendo! — gritou, ofegante, num misto de dor e bravura.

Os dois sorriram — Dan com fascínio e leveza, Lucas com uma selvageria latente.

A luta ganhou ritmo.

Dan se movimentava como um bailarino de guerra, agora usando a cauda como chicote, golpeando em linha reta enquanto seus punhos mantinham Philip em constante estado de defesa. Philip tentou imobilizá-lo, mas Dan saltou para trás, girando no ar, e num único impulso voltou com um chute descendente, que Philip aparou com dificuldade.

E foi aí que Lucas entrou de novo — com um salto monstruoso, seu corpo se contorcendo no ar antes de descer com os dois pés mirando o peito de Philip. Ele foi arremessado para trás e caiu no chão com um baque seco.

Philip se ergueu com dificuldade. Sangue em seus lábios, hematomas já se formando nos braços e nas pernas. Mas seus pés ainda tocavam o chão. E isso... isso era uma vitória por si só.

Nos segundos seguintes, Philip surpreendeu: ele desviou de dois golpes de Dan, abaixando-se com a precisão de um lutador experiente, e acertou um soco limpo no abdômen de Lucas, que não esperava. Não foi forte, mas o suficiente para fazê-lo ficar surpreso.

O Lobo E O CoelhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora