Antes mesmo que pudesse gritar, antes mesmo que conseguisse formar o pedido para Will esperar — ele acordou.
Seus olhos se abriram abruptamente, marejados de lágrimas que escorriam silenciosas pelas têmporas. O teto branco do centro médico substituía o céu claro do sonho. Seu peito arfava, a respiração presa em soluços contidos, e sua mão estava erguida, ainda tentando alcançar algo que já não estava mais ali.
Philip permaneceu assim por alguns segundos, imóvel, os dedos abertos no ar como se tentassem agarrar uma sombra. E então o pânico o atingiu.
Ele levou a outra mão ao rosto, depois ao nariz — e arrancou a sonda com um puxão rápido, ignorando a dor súbita. Com o coração disparado, levou os dedos ao pescoço, buscando desesperadamente pelo cordão. Não estava ali. Suas mãos vasculharam freneticamente o próprio peito, e logo ele notou — a aliança em sua mão também havia sumido.
O desespero se instalou em seu olhar. Ele ofegava, os batimentos ecoando como tambores em seus ouvidos. Seus lábios se entreabriram, pronto para chamar, gritar, exigir que lhe devolvessem... quando ouviu passos apressados ao lado da cama.
Jhon, que dormia em uma poltrona ao lado com o rosto cansado apoiado na mão, acordou num pulo. Seus olhos ainda pesados se arregalaram ao ver Philip acordado e tão agitado. Sem dizer uma palavra, correu até ele e, com cuidado, segurou sua mão.
J: Calma... calma. — disse com a voz firme mas suave, tentando acalmá-lo.
Jhon abriu a mão e colocou nela o cordão com as duas alianças: a de Will, que sempre ficava presa em seu colar, e a que ele usava na própria mão. Philip congelou, os olhos arregalados. Seus dedos tremeram ao tocar os anéis, como se precisasse confirmar que eram reais.
J: Eu tirei. Foi preciso... para evitar qualquer complicação durante o tratamento. Estavam cuidando de você, Philip. Só isso.
Philip apertou as alianças com força contra o peito, fechando os olhos e respirando fundo. Um suspiro tremido escapou de seus lábios. Ele então ergueu o olhar para Jhon, ainda molhado pelas lágrimas, e murmurou num fio de voz:
P: Obrigado...
Foi tudo o que conseguiu dizer antes de desabar em alívio, como se o peso do mundo saísse momentaneamente de seus ombros.
Philip ainda respirava com dificuldade, as lágrimas secando nos cantos dos olhos, quando se virou um pouco na cama e murmurou:
P: O que... aconteceu? Eu só lembro de ver os dois vindo e depois... escuro.
Jhon puxou a cadeira ao lado da cama, sentando-se com um suspiro pesado. Ele ainda observava Philip como se estivesse conferindo a cada segundo se o coelho estava realmente bem.
J: Você aguentou um minuto e três segundos. Foi nocauteado por aquele golpe cruzado... Não se sinta mal, Philip. Era impossível desde o início. Essa luta nunca foi feita pra você vencer.
Philip baixou os olhos. O colar com as alianças estava entre seus dedos, e ele o apertava contra o peito como se fosse sua única âncora. Sua voz veio baixa, quase culpada:
P: Eu sei... mas mesmo assim... eu perdi. Dei minha palavra.
Jhon hesitou, mas então sua expressão mudou — se fechou em uma seriedade diferente, uma que ele não demonstrava com frequência.
J: Escute... a gente pode agir fora do radar do Lucas e do Daniel. — disse, em tom confidencial. — Eu tenho fontes. Contatos com dados confiáveis de esconderijos da antiga rede fantasma de Cristian. Se a gente quiser, pode começar por aí, discretamente.
Philip virou o rosto devagar, encarando Jhon. Havia um brilho diferente nos olhos do coelho agora — não o brilho de raiva, nem o de desespero — mas de honra. De firmeza.
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O Lobo E O Coelho
RomanceEssa é uma "continuação" da história "A presa que dominou o caçador", aqui depois de 20 anos após a guerra contra a resistência, vamos acompanhar a trajetória de Will, o lobo herdeiro do trono. Will é um jovem muito bondoso e dedicado, ele se esforç...
