Liam

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Era um dia tranquilo no reino. O céu do lado de fora estava limpo, de um azul profundo cortado apenas por nuvens esparsas que deslizavam preguiçosamente. A brisa morna adentrava pelas janelas abertas do grande salão, trazendo consigo o aroma suave das flores do jardim real. Dentro da imponente sala do trono, as longas tapeçarias dançavam levemente com o vento, e o som ritmado dos passos dos servos e súditos se misturava às vozes calmas daqueles que vinham buscar ajuda, conselhos ou apenas agradecer ao rei.

Anthony estava sentado no trono central e usava vestes reais, mas sem ostentação — um manto azul profundo, bordado com fios prateados, e uma coroa discreta repousando sobre seus cabelos escuros. Ele atendia os pedidos do povo com paciência, ouvindo atentamente cada voz que se dirigia a ele, respondendo com sabedoria, compaixão e justiça.

Havia uma paz rara naquele dia, uma harmonia quase palpável.

Ao lado do trono, em pé como sempre, estava Lucas. Seu semblante, no entanto, parecia distante. Os braços cruzados atrás das costas, os olhos fixos em algum ponto além do vitral que dava vista para os campos. Os raios dourados da tarde refletiam nos fios prateados de seu cabelo, e a postura, embora firme, carregava certa melancolia. Era raro vê-lo assim.

Anthony notou. Após responder calmamente a um último súdito, ele fez um gesto discreto para que os guardas fechassem a sala. Assim que as portas foram suavemente fechadas, selando o silêncio no ambiente, ele se levantou e caminhou até Lucas.

A: Está tudo bem, Lu? Você está em silêncio há tempo demais.

Lucas desviou os olhos da janela, voltando-se lentamente para o rei. Havia ternura em seu olhar, mas também um peso escondido ali.

L: Estou apenas pensando. Em tudo que ainda pode acontecer... e no que ainda vamos perder.

Anthony se aproximou mais, até estar frente a frente com ele. Seus dedos tocaram levemente os braços de Lucas, e ele falou com um sorriso contido, mas cheio de amor:

A: Você carrega o mundo nos ombros mesmo quando não precisa. Não hoje. Hoje estamos em paz.

Lucas respirou fundo, e sua postura relaxou levemente. Ele baixou os olhos, e pela primeira vez naquele dia, sorriu de forma verdadeira.

L: Obrigada, Tony. Eu só tenho medo de que essa paz não dure. Tenho medo de... te perder. E não importa quantas vezes você me diga que vai ficar, meu coração ainda teme.

Anthony ergueu uma mão e tocou delicadamente o rosto de Lucas, seus polegares roçando de leve sobre a pele macia de suas bochechas rosadas.

A: Eu vou ficar, Lucas. Até o último segundo da última batalha. E mesmo depois disso... em tudo que você for e fizer, ainda estarei com você.

Lucas ergueu os olhos, aqueles olhos intensos e ferozes, mas que naquele momento estavam cheios de emoção. A tensão que o prendia pareceu desmanchar-se quando Anthony se aproximou ainda mais e encostou sua testa na dele.

L: Você é o meu lar. — disse Lucas em voz rouca, sentida.

A: Então nunca vai estar sozinho. — sussurrou Anthony.

Foi então que os lábios se encontraram.

Um beijo calmo, mas carregado de tudo que não precisava ser dito. Havia tempo, havia urgência e doçura na troca. Lucas levou as mãos até a cintura do rei, puxando-o com um cuidado quase reverente. Anthony retribuiu, envolvendo os ombros do guerreiro com ternura. O beijo era uma promessa — de amor, de proteção, de permanência — um lembrete de que, mesmo em meio à guerra, havia refúgio um no outro.

Quando os lábios se separaram, Lucas deixou escapar um suspiro e sorriu.

L: Obrigado... por sempre me lembrar do que importa.

O Lobo E O CoelhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora