Acasalamento

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Era um dia como qualquer outro nos corredores frios do palácio escondido do "Imperador" Cristian. Cristian havia retornado do treino com o corpo coberto de suor, sangue seco e novos cortes que marcavam mais uma tarde de brutalidade. Zero o acompanhava em silêncio, caminhando alguns passos atrás como de costume, sem demonstrar emoção, embora seu olhar atento percorresse cada movimento do imperador.

Ao chegarem no quarto, Cristian começou a despir-se lentamente, e Zero, em um gesto automático e treinado, aproximou-se para ajudá-lo. Suas mãos habilidosas retiraram a camisa encharcada, e Cristian soltou um resmungo cansado quando o tecido colou às feridas abertas. Zero não comentou. Apenas pegou a peça e dobrou com precisão, como fazia com todas as coisas dele.

Zero então se ajoelhou à frente do corpo marcado de Cristian, prestes a usar a língua para limpar e cicatrizar os ferimentos, como era acostumado a fazer. Mas, para sua surpresa, Cristian o deteve, segurando seu queixo com firmeza.

Cris: Não agora — disse com voz baixa, um pouco mais rouca que o normal. — Me acompanhe no banho.

Zero não discutiu. Apenas assentiu e se levantou, caminhando ao lado dele até os aposentos de banho. A água quente corria pelas costas do tigre, lavando a sujeira da batalha. Zero, de olhos baixos, usava uma esponja para esfregar suas costas com delicadeza, apesar da aspereza dos músculos e da brutalidade dos cortes.

Cristian, por sua vez, observava. Em um gesto inesperado, tomou a esponja das mãos de Zero e se virou. Com uma lentidão quase contemplativa, passou a lavá-lo. Suas mãos percorriam os ombros largos, os braços fortes e o torso intacto. Cristian não encontrou hematomas, cortes ou sinais de cansaço físico. Zero era eficiente, silencioso, treinado — inquebrável, ao menos por fora.

Terminando o banho, Zero pegou uma toalha e se secou com eficiência, colocando apenas uma cueca antes de ir em busca de sua roupa. Cristian parecia impaciente e, de forma abrupta, jogou uma de suas próprias camisas — uma blusa social branca, de linho fino — na direção dele.

Zero a pegou no ar e a vestiu sem hesitar. A camisa era claramente grande demais para ele, mas o caimento, combinado à postura firme de Zero e à pele ainda úmida, formava uma imagem inesperada. Cristian observou em silêncio. Havia algo naquele contraste entre vulnerabilidade e domínio que despertava sua atenção de maneira involuntária. A camisa, larga, deixava entrever parte do peito e dos quadris, os punhos caíam sobre as mãos. Por um instante, Cristian permaneceu imóvel, deitado, observando-o como se tentasse entender algo que não sabia nomear.

Zero então se aproximou em silêncio, com a intenção de limpar os arranhões e cortes com a língua, como era seu costume. Cristian não o impediu dessa vez. Zero ajoelhou-se em cima da cama, inclinando-se sobre o corpo de Cristian com profissionalismo e frieza, como quem cumpria uma tarefa qualquer. Sua língua quente percorreu as marcas nos ombros, no pescoço, no peito, e Cristian fechou os olhos, respirando fundo.

Logo, o jantar foi servido. A carne crua havia sido servida em travessas de pedra escura, ainda suculenta, com o sangue escorrendo como era do gosto deles. Comeram em silêncio. Cristian devorava com a frieza de um predador, mastigando devagar, como se o momento da refeição fosse um rito tão íntimo quanto a guerra. Zero, ao seu lado, comia de forma metódica e limpa, como um animal selvagem que havia aprendido a domesticar sua ferocidade apenas na superfície.

Depois, Cristian se deitou na cama enorme de linho branco. Como era de costume, estava nu, apenas cobrindo sua região íntima com um lençol leve. O resto de seu corpo — marcado por cicatrizes, músculos tensos e alguns cortes recentes — permanecia à mostra. Sua respiração desacelerou, e em pouco tempo caiu em sono profundo.

Zero deitou-se ao seu lado, o olhar fixo no teto por alguns longos minutos antes de fechar os olhos. A camisa branca que vestia — larga, quase translúcida com a luz baixa do quarto — caía de forma irregular sobre seu corpo. Um botão no alto havia sido deixado solto, o que permitia vislumbres da curva da clavícula e do início do peito.

O Lobo E O CoelhoHistórias para pegar e não largar. Descubra agora