Estranhamente satisfeito

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Zero levantou-se da cama com movimentos hesitantes, o corpo ainda dominado pela febre do cio. Sem dizer uma palavra, ajoelhou-se diante de Cristian, colocando as mãos delicadamente sobre seus joelhos. O rosto de Zero estava vermelho, marcado pela vergonha e pelo desejo, os olhos marejados de lágrimas e a respiração irregular denunciando a intensidade daquele momento.

Cristian, imóvel na poltrona, voltou seu olhar penetrante para ele. Com uma mão firme, tocou o queixo de Zero, erguendo seu rosto para que seus olhos se encontrassem. A expressão de Cristian era calma, mas carregada de uma superioridade inquietante, como se detivesse o controle absoluto daquela cena.

— Precisa de mais, não é? — sussurrou, a voz baixa e carregada de provocação. — Se você conseguir me excitar, talvez eu deixe você se satisfazer.

Zero, sem hesitar, deslizou a mão até a cintura de Cristian e abriu lentamente a calça dele. Para surpresa do próprio Cristian, que raramente demonstrava qualquer emoção, ele estava excitado. Um brilho involuntário passou pelo seu olhar — uma mistura rara de surpresa e fascínio — porque, apesar de sua natureza cruel e perversamente ligada à violência, não precisou de nada além da presença silenciosa e do toque sutil de Zero para despertar aquele desejo. Na verdade, pensado melhor, ele percebeu que esteve excitado todo esse tempo enquanto assistia, isso o intrigava.

Cristian, que normalmente buscava a dor como fonte de excitação, encontrava-se ali, paradoxalmente vulnerável diante daquele gesto inesperado. E Zero, mesmo tão dominado por sua própria confusão, tinha naquele instante o poder de provocar nele algo genuíno — ainda que fugaz — além da dor e do controle.

Cristian não podia deixar transparecer que Zero tinha algum poder sobre ele, mesmo que fosse por um momento tão fugaz e inesperado. Então, ele simplesmente deixou acontecer, mantendo a máscara fria e imperturbável que sempre o acompanhava. Para que isso se desenrolasse, porém, a responsabilidade era toda de Zero — ele quem teria que guiar cada movimento, cada gesto.

Zero então se sentou lentamente no colo de Cristian, o corpo ainda quente e tenso, os braços entrelaçando-se firmemente ao redor do pescoço dele. A proximidade aumentava a intensidade da situação, mas Cristian manteve as mãos apoiadas nos braços da poltrona, imóvel, na mesma pose de antes, como se fosse apenas um espectador distante da própria cena.

Zero, por sua vez, fez exatamente como queria, assumindo o controle naquele instante. Cada gesto carregava uma mistura de hesitação, entrega e uma necessidade desesperada de ser aceito, mesmo naquele jogo tortuoso de poder e dominação. Cristian observava, ocultando qualquer reação que pudesse revelar o impacto que aquilo causava em seu interior. Afinal, ele não podia — não queria — deixar que Zero soubesse o quanto ainda tinha controle sobre ele, mesmo quando parecia o contrário.

Zero então se movimentava da forma que queria. O pau de Cristian entrava com uma certa dificuldade e não entrava completamente, mas entrava o suficiente pra fazer Zero revirar os olhos e continuar se movimentando. Zero goza mais uma vez e suja a roupa de Cristian mas ele continua e Cristian apenas observa enquanto é usado sem esboçar qualquer reação exterior.

Zero continua até gozar mais duas vezes, então Cristian decide ir para a cama. Ele retirou as roupas sujas com movimentos lentos e quase automáticos, revelando um corpo musculoso e esbelto, marcado por cicatrizes que contavam histórias silenciosas. A pele, embora pálida e resistente, estava coberta de arranhões e mordidas recentes — sinais claros da brutalidade dos outros números, que não hesitavam em deixar suas marcas. Cada ferida parecia pulsar com a memória da violência sofrida, e ainda assim, havia uma estranha dignidade naquele corpo castigado.

Com um suspiro quase inaudível, ele se deitou na cama, deixando que o peso do cansaço o dominasse. Acenou a mão em um gesto sutil para Zero, que se aproximou com uma hesitação incomum. Porém, em vez de aproveitar a vulnerabilidade diante dele e continuar o ato sexual, Zero começou a lamber cuidadosamente cada ferida que conseguia alcançar, movendo-se com uma delicadeza inesperada.

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