É necessário

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Como alguém extremamente treinado em infiltração, Zero sabia lidar com qualquer situação. Ele entendia o princípio básico: ao se misturar, não podia parecer suspeito.

Soltou a touca e a máscara, deixando seus longos cabelos caírem sobre os ombros, revelando o rabo fofo que se movia sutilmente a cada passo. Caminhou entre a multidão com naturalidade, cada movimento calculado, mas ainda assim percebeu o rastro de atenção que não conseguia eliminar por completo.

Ao virar em um beco estreito, sentiu a presença atrás de si. John estava lá, seguindo cada passo com olhos experientes. Zero parou, ainda de costas, e moveu a mão com precisão até sua adaga de maneira sutil, pronto para agir se necessário.

Nesse momento, um guarda se aproximou apressado e disse que haviam encontrado algo suspeito no lado norte. John, distraído pelo aviso, correu na direção do tumulto, perdendo o foco em Zero.

A oportunidade foi perfeita. Como uma sombra viva, Zero deslizou pelas paredes, desaparecendo entre as trevas do beco. Silencioso e letal, deixou o castelo para trás e retornou à segurança da floresta e seguiu ao encontro de Nozes.

A floresta estava úmida naquela noite. O cheiro de musgo, terra e folhas apodrecidas cobria quase tudo — quase.

Zero caminhava em silêncio, seguindo até o ponto de encontro marcado. Seus passos eram leves, calculados. Ele sabia exatamente onde Nozes estaria.

Ela já o esperava.

O esquilo desceu do tronco onde estava apoiada e pousou diante dele com a leveza de sempre. Não trocaram muitas palavras. Apenas um breve aceno de cabeça. Então começaram a caminhar lado a lado, afastando-se do ponto combinado.

Foi Zero quem percebeu primeiro.

Um galho quebrando.

Passos abafados demais para serem descuido.

Ele não virou o rosto. Apenas murmurou:

— Estão atrás de nós.

Nozes apertou o passo discretamente. Eles não podiam ser vistos juntos. Não ali. Não daquele jeito.

De repente, ela o puxou pela gola e o arrastou para dentro de um arbusto denso. Antes que ele pudesse reagir, seus lábios estavam colados aos dele.

Zero congelou.

O corpo inteiro retesou.

Ele a afastou pelos ombros.

— Cristian não gostaria disso —

Ela cobriu a boca dele com a mão, firme.

— É necessário.

Os passos se aproximavam. Vozes baixas. Soldados.

Zero respirou fundo... e obedeceu.

O beijo voltou, mais longo agora. Forçado no início. Estratégico. As mãos dela se enroscaram em seu casaco. A cena era convincente demais para qualquer vigia suspeitar.

Quando os passos finalmente se afastaram, Nozes recuou devagar.

Mas não terminou ali.

Ela respirou fundo, puxou uma pequena lâmina escondida na bota... e cortou os próprios braços.

O cheiro veio antes do som do sangue.

Doce.

Quente.

Envolvente.

O sangue de um herbívoro especial.

A matéria-prima da droga de Cristian.

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⏰ Última atualização: Mar 01 ⏰

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