Cap. 44 - Whatsapp

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Eu ouvia vozes me chamando ao longe, mas só sabia encarar aquela porta de vidro por onde Ed havia passado com Stuart, olhando para mim até sumir no corredor também coberto por vidro fumê que levava aos aviões. Minha vista começou a ficar embaçada devido às lágrimas e eu fiz apenas puxar o óculos de sol que estava em minha cabeça para cobrir meus olhos; mas então eu senti dois pares de braços me envolverem de cada lado, me apertando como em uma camisa de força.

– Tami? Tami vem, vamos pro carro – Era Liam, falando baixo em meu ouvido – Vem com a gente – Ele deu um beijo em minha testa e me puxou pra mais junto dele.

– Deixa comigo, Liam; pega as sacolas e a bolsa dela ali no chão – Ouvi Harry do outro lado. – Vem Tami – E ele fez com que Liam me soltasse, segurando em minha mão como Ed costumava fazer.

Eu não respondi, apenas assenti com a cabeça. Eles me levaram à um canto mais vazio do aeroporto onde Harry levantou meus óculos e delicadamente secou minhas lágrimas com a manga de sua camisa. Os olhos verdes preocupados como eu jamais havia visto antes. Liam cuidava para que ninguém reparasse no que estava acontecendo ali, até que eles se certificaram que eu estava um pouco mais calma e me levaram para o carro, onde sentei no banco do carona. Liam assumiu o volante dessa vez, deixando Harry ir no banco de trás.

– Você sabe que ficar assim não faz bem pra você, nem pra ele, né? – Liam parecia tão responsável, tão mais velho falando daquele jeito que por um momento lembrou meu primo.

– Eu sei – Custei a falar, pois o nó em minha garganta doía e fazia minha voz sair mais rouca que o habitual.

– Liam! Pega leve, cara! – Harry estava sentado no meio do banco traseiro e apoiava os braços em nossos bancos, observando os dois.

– Não, Harry, ele tá certo. Eu que não esperava por isso, agora. – Eu balancei a cabeça, me sentindo infantil demais por toda aquela cena. Onde estava a mulher forte que prometera não se deixar abalar por nada assim que pisasse em Londres?

– Desculpa, Tami – Liam levou a mão dele até a minha, fazendo carinho enquanto dirigia com a outra mão no volante, sempre de olho no trânsito – Você sabe que eu não falo por mal, né?

– Eu sei. Desculpa eu por tudo isso. – Me abaixei para pegar minha garrafa de água na bolsa, bebi um gole, respirei fundo e senti que estava me acalmando um pouco – Eu sou uma boba.

– Não, não é! – Harry e Liam responderam juntos.

– Você só tá apaixonada, isso é lindo. – Liam tirou os olhos da estrada tempo suficiente apenas para olhar para mim e sorrir – Percebi antes que você mesma notasse, quando tivemos aquela conversa na casa de Harry.

– Que conversa? – Harry parecia curioso – De qualquer forma... – ele tirou o telefone do bolso – Eu nem sei se poderia te mostrar isso, mããããs... – Ele procurou por alguma coisa e entregou o aparelho para mim, com uma conversa aberta no Whatsapp.

Harry: Porque você saiu correndo? O que o Stuart queria?
Ed: Não era nada com ele.
Harry: Graham tá bem?
Ed: Tá, tá... É que tava difícil ficar aí.
Harry: Porra! Como assim?
Ed: A Thamara.
Harry: Hm. O que tem ela?
Ed: Eu não consigo parar de pensar nela.

Meu queixo foi parar no chão. Meu coração estava tão acelerado quanto no dia em que eu e Ed nos beijamos pela primeira vez. O sentimento era recíproco desde o princípio. Desde o dia em que eu achara que ele havia saído de Harry porque eu estava sendo chata demais, incômoda demais. Não pude evitar de começar a rir.

– Viu? – Harry piscou quando eu entreguei o aparelho de volta para ele – Eu achei que era zoeira? Sim, achei. Mas acabei me afastando porque havia uma chance de ser real e eu nunca que ia impedir meu melhor amigo de... – ele suspirou – mas aí eu percebi que teu coração já era dele e eu também não queria brincar com você.

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