VINTE E UM

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AVISO DE CONTEÚDO: Sintomas iniciais de uma crise de ansiedade. Não há nenhuma narração de crise. Existe apenas a citação de alguns sintomas como tremores e frio.

Josh.

Caminhava em passos apressados para tentar chegar o mais rápido o possível na minha faculdade. Acho até que eu preferia estar assistindo a entediante aula de Anatomia do que ter ido naquela biblioteca desde que ficando na sala eu ao menos marcaria a minha quarta presença do semestre nessa matéria, mas ir a biblioteca apenas foi capaz de me deixar ansioso do início ao fim.

Entrelacei minhas mãos uma na outra em frente ao meu corpo e inutilmente comecei a aperta-las com força para que o frio passasse um pouco.

Eu sinto como se o vento estivesse mais cortante do quê em dias normais e não é unicamente por eu estar andando apressadamente.

Talvez a temperatura de Los Angeles realmente tenha caído em um timing perfeito a minha derrota, mas muito provavelmente são as agoniantes preliminares de crises de ansiedade.

Eu apenas queria erradicar todos esses sintomas do mundo. Ninguém vivo, independente do quão ruim seja, merece passar por sentimentos tão cruéis quanto esses. Sentimentos que não se importam exatamente com a situação, mas eu como ele pode encontrar um espaço em qualquer momento para se rebelar.

Havia acabado de sair da antiga biblioteca e agora estou andando um pouco zonzo e sem muita noção de rumo até encontrar o corredor  principal do meu curso.

Espera...

Educação Física fica no andar de cima, né?

Bufei alto ao constatar que andei tudo isso para nada simplesmente por estar desatento demais, aéreo demais. Eu nunca estive tão dentro e tão fora de mim ao mesmo tempo. É uma sensação terrivelmente estranha.

Assim que girei os calcanhares para retornar o caminho de volta até a escada principal que eu havia passado há pouco tempo, encontrei um par de olhos cinzentos, onde a sua dona estava parada a poucos centímetros de mim, analisando-me atentamente com os braços cruzados.

Essa visão foi o suficiente para me fazer estremecer internamente como se não bastasse já estar o fazendo por fora.

Quantas pedras na cruz eu joguei na minha vida passada para passar metade da minha existência tremelicando por motivos não convencionais?

— O quê está fazendo aqui? — ela se aproximou de mim sem receio algum e sem grandes demoras. Bryana segurou minhas mãos, soltando o antigo aperto que eu fazia entre elas para que eu pudesse, de acordo a calorimetria, absorver um pouco da estabilidade da temperatura de sua pele. — Esse é o corredor de Engenharia e você está tremendo. — ela apontou para o redor com apenas uma das mãos.

Eu havia parado exatamente na entrada no largo corredor da faculdade de Engenharia.

Isso justifica ter lhe encontrado aqui. Nossos cursos nem no mesmo andar são, ou seja, as chances de nos encontrarmos na faculdade são sempre muito complicadas, mas ultimamente a distância não vem sendo de todo o mal. Muito pelo contrário.

— É que é muito emocionante te ver depois de mais de um mês. — tentei caçoar do fato de estar tremendo, mas a mulher me soltou ao ouvir o comentário que ela provavelmente achava infame, circulando os seus braços em meu corpo, abraçando-me mais forte do que a maioria dos abraços que eu havia recebido durante esse tempo.

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