TRINTA E UM

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Josh.

— Josh? — a mulher exclamou surpresa e confusa ao mesmo tempo quando abriu a porta de seu apartamento e eu agarrei seu corpo contra o meu, esquecendo-me completamente que não somos amigos.

— Eu preciso de um abraço. — minha voz saiu abafada, pois ao abraça-la me inclinei um pouco, descansando meu rosto no topo de seu tórax. Agora meu rosto estava contra a camisa vermelha de um tecido gostoso que ela usava.

Ela foi dando passos para trás, mas eu continuei agarrado nela como um filhote com sua mãe no mundo animal.

Senti-a chutar a porta atrás de nós e o barulho que ela fez apenas comprovou isso.

— Me deixe tranca-la. — ela pediu e eu a soltei, a observando andar a até a porta com um bico nos lábios. — Conseguiu o quê eu pedi? — ela perguntou e eu funguei por sequelas da crise de choro que tive dentro do carro. Movimentei a cabeça em concordância, passando meu antebraço pelo nariz. — Desculpe ser indelicada perguntando isso. — ela se "corrigiu".

— N-não, você s-só quer ajudar. — eu falei entre soluços, não de choro, mas de fato soluços.

Any deu dois passos a frente, prendendo a minha respiração até que ele passasse.

Confesso ter me assustado, mas eu podia respirar com a boca, logo, não era um assassinato.

— Essa nova autópsia é uma merda, mas é necessária. — ela comentou assim que soltou o meu nariz, me fazendo valorizar o simples fato de ter um nariz que funcione. Respirar com a boca é terrível, incômodo e voluntário.

— Por que eles não fizeram isso antes? O Noah não é bom? Não foi isso que você disse? — eu a questionei sem nenhum tom agressivo, inclusive caminhei até o sofá que havia me acomodado hoje cedo, me sentando nele.

Confortável demais.

Ou eu que estou acostumado com uma pedra.

— Sim, ele é bom. — ela me seguiu até o sofá, se sentando no mesmo que eu. — Justamente por isso irá fazer uma nova autópsia.

— Eu não entendo. — neguei com a cabeça, a olhando. Meu corpo estava inclinado na direção da mesa de centro, as mãos entrelaçadas e os cotovelos apoiados em minha coxa. Sai daquela posição por instantes para passar o meu antebraço no nariz novamente, voltando a ela.

— É complicado e eu sei que imaginar eles tocando e revirando de novo o corpo dela... — ela começou, engolindo em seco antes de dar continuidade ao que dizia. — Morto. É... Angustiante, é nojento, é humilhante, mas... — ela bateu as mãos nas coxas, reorganizando a postura para terminar seu raciocínio. — Não há outro meio.

— Por que você não me conta? — eu perguntei do nada. Atraindo a sua curiosa e confusa atenção. — Você pede tanto para eu confiar em você, mas você não confia em mim. — a contei seriamente, notando que apesar dela não permitir transparecer, seu exterior havia petrificado. — Eu não sei nem da metade. — conclui ao dizer em outras palavras que ela me esconde algo crucial.

— Porque eu não quero que você se envolva demais. — ela respondeu a pergunta, desviando o seu olhar para a televisão enquanto reorganizava novamente a sua postura, encostando-se completamente no sofá. Ato que não passou despercebido por mim. — O final dessa história é único e eu quero que o seu seja feliz.

— E para isso eu preciso continuar sendo mantido na ignorância? É patético e injusto. Você não me dá o direito de escolha.

— Mas é necessário. — ela conclui rápido, querendo encerrar o assunto. — Então... Pode me entregar o quê eu pedi? — seu olhar tornou para mim.

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