Joalin.
Caminhei na direção do homem que acabara de deixar a sala de interrogatório lhe dando um forte abraço. Senti vontade xinga-lo por fincar as suas mãos em minhas costas, mas eu entendia. É uma ação voluntária que nós temos quando algo dói demais internamente.
— Vai ficar tudo bem. — sussurrei no pé de seu ouvindo, o sentindo assentir em meu ombro. Tenho certeza de que ele está tentando se convencer disso em vez de apenas acreditar em mim. — Tenho que ir. — me afastei dele, secando seu rosto, mas ele logo tornou a se inundar. — Diarra já chegou. Vá ficar com ela. — lhe aconselhei apontando para a mulher sentada não muito longe dali.
O olhar perdido e embargado, o corpo flácido, a mente nitidamente em outro lugar. Krystian está péssimo. Pior do que pude cogitar que ele estaria.
Ele estava certo quando falou, dias atrás, que Josh estava nos julgando mal.
Ao ter certeza de que ele iria até Diarra, fiz o resto do caminho que me levaria até a sala de interrogatórios, invadindo a mesma.
— Boa tarde... Joalin Loukamaa. — o homem olhou algo em seus papéis, provavelmente o meu nome. — Eu me chamo Noah Urrea, sou o chefe da polícia de Los Angeles e irei conduzir o seu interrogatório. — ele apresentou enquanto reunia as suas folhas, as colocando em algum compartimento abaixo da mesa.
Andei calmamente até a cadeira vazia, me sentando. Seu olhar me acompanhou durante todo esse processo deixando-me um tanto encasquetada.
Já que a sala se encontrava em um silêncio absoluto onde nenhum de nós dava início ao diálogo inevitável, me coloquei a observar o lugar que havia sido inserida. Era bom até mesmo para evitar o olhar de Noah.
É espaçosa, duas cadeiras, uma mesa, uma parede aparentemente falsa, um bonitão para escrever tudo que eu irei falar e outro para me interrogar.
É, isso é definitivamente tudo que eu não imaginei para o meu futuro.
— Seu amigo está péssimo. — ele falou sobre Krystian e eu assenti. Não entendendo onde ele queria chegar com aquilo. Interrogatórios eram assim mesmo? — Mas você parece melhor.
— Há alguns dias Krystian falou sobre as pessoas sentirem as mesmas coisas de maneiras diferentes. — o contei. — Infelizmente eu não tenho o costume de demonstrar fraqueza.
— Infelizmente? Isso deveria ser ótimo. — Noah fingiu interesse na minha vida e eu me esforcei para não fazer o mesmo com a dele.
O quê foi? Ele é bonito.
— Nem tanto quando você tem que convencer a um policial bonito de que não matou seus melhores amigos. — rebati com um falso bico nos lábios, o fazendo sorrir largo.
Ele sorrindo parece tão adorável.
Imagine com presilhas no cabelo.
Ownt, ele não parece tão durão para um delegado ou seja lá qual função ele ocupa na polícia, afinal há essa altura eu já esqueci de toda a ladainha que ele me disse quando eu adentrei a sala.
Ele apenas parece um bom ator.
— Não precisa me convencer de nada Joalin. — ele disse ainda com o sorriso no rosto. Parece sincero, mas ainda assim não sei se confio nisso. — A verdade tarda, mas não falha.
— Achei que era a justiça. — abri um sorriso como o dele.
— A justiça nem sempre é imparcial.
Ergui as sobrancelhas com a sua fala, apoiando o meu cotovelo no braço da cadeira.
— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Hina Yoshihara? — ele deu início sem aviso prévio algum, me pegando de surpresa.
— Hm... Acho que na casa da Sabina? Foi um dia depois da festa. — me esforcei para lembrar rapidamente.
— Você não sabe o dia da morte da sua melhor amiga?
— Não seja tolo. A minha mente me bloqueia de pensar nisso. Eu não quero pensar. Eu optei por isso, mas daí me aparece um interrogatório. — fui irônica, batendo uma das minhas mãos na coxa a fim de causar um estalo. — Mas foi isso. Eu estava na casa de Sabina. Dormi lá depois da festa.
— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Lamar Morris?
— Na minha casa, dormindo com os meus coelhos de estimação. — o contei rapidamente.
— Entendo. — ele falou em um tom sarcástico. Eu disse algo de errado? — Todos vocês gostam de dormir com bichos de estimação?
— Não tenho ideia. — dei de ombros, me sentindo repentinamente desprotegida. — Eu... — me atrapalhei ao tentar formular uma pergunta. — Quando isso termina?
— Qual era a sua relação com as vítimas? Existia alguma desavença?
— Melhores amigos. — eu respondi. — Tanto com Lamar. Tanto com Hina. Eu era inseparável com os dois, eles eram de fato a minha vida. Era neles que eu me apoiava. Eles adormeciam os meus monstros.
— No entanto seus monstros parecem bem acordados. — ele disse.
Merda de policial bom em tortura psicológica.
— Quem os mantinha aprisionados não estão mais aqui e eu não tenho forças para fazê-lo sozinha. — o contei, me praguejando pela minha voz ter ficado por um fio em alguns momentos.
— Algum envolvimento amoroso com as vítimas? — ele ignorou o que eu disse.
— Tesão serve?
— Mais algo?
— Não. — engoli em seco. — Eles eram meus irmãos terrivelmente gostosos, lindos e inteligentes, mas ainda eram meus irmãos.
— Está liberada Loukamaa. — ele disse.
— Obrigada. — agradeci indo até a porta.
— Mania de agradecer. — ouvi Noah murmurar, mas ignorei. Provavelmente Krystian também tinha lhe agradecido.
Não tenho forças para gastar com isso.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanfictionUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
