INTERROGATÓRIO 3.9

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Heyoon.

Passei por Savannah antes de adentrar a sala de interrogatórios e trocamos um sorriso muxoxo, apenas por educação.

— Boa tarde Heyoon Jeong. Sou o chefe da polícia de Los Angeles e irei conduzir o seu interrogatório. — Noah se apresentou enquanto eu caminhava até a cadeira passando as mãos por debaixo da minha saia antes de me acomodar. — Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Hina Yoshihara?

Esfreguei uma mão na outra as sentindo pegar fogo pelo atrito, me questionei por um segundo se esse sentido figurado pode se tornar real.

Não sabia exatamente o porquê estou nervosa, com uma ansiedade crescente das beiradas de meus ossos. Afinal eu sabia exatamente o que significavam interrogatórios, mas o que aconteciam depois deles... Era indefinido e acho que acabo de descobrir que o indefinido me dá medo.

— Na casa de uma amiga. — engoli em seco no fim, sentindo minha garganta tampar por segundos.

— Que amiga?

— Sina Deinert. — eu falei e ele reagiu normalmente ao nome, mantendo a expressão séria e profissional enquanto puxava um caderno junto a uma caneta vermelha debaixo da mesa.

— Você ficou lá de que horas até que horas? — ele questionou enquanto anotava algo no caderno, o guardando de volta ao terminar.

— Das dez da noite até as duas da manhã. — entrelacei as mãos as apertando.

— Por que tão tarde?

— Ela me chamou para ver série e comer algo então eu fui, mas resolvi voltar para casa antes do previsto.

— Tiveram alguma divergência? — ele perguntou sobre brigas.

— Não acho que isso agregue ao interrogatório. — eu disse um tanto incerta, erguendo meus ombros enquanto negava suavemente com a cabeça.

— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Lamar Morris?

— Na casa da minha mãe. A minha tia e a minha avó moram junto com ela e eu também levei minha puddle, se saber disso for do seu interesse. — retornei o ombro até o seu devido lugar. — Puddles tem costumes e eu ousaria dizer até frescuras então eu não gosto de lhe deixar sozinha quando posso a levar.

— Certo. — ele tinha um sorriso divertido estampando sua face. — Qual era a sua relação com as vítimas? Existia alguma desavença?

— Eu não era próxima da Hina e também não frequentava muito as saídas do grupo então eu não me ajudava muito nesse quesito. — forcei um sorriso sem os dentes demonstrando certo arrependimento de não ter aproveitado a amizade deles como poderia. — Eu os acompanho mais na faculdade e de vez em quando em saídas pós-facul. Almoço em algum lugar ou quando íamos direto para a casa de alguém fazer altos nada. — expliquei e ele parecia prestar atenção no que eu dizia. — Eu sempre fui mais próxima dos mais velhos e por isso o Lamar era um dos meus melhores amigos, éramos bastante próximos dentro e fora da faculdade. Ele era um excelente confidente.

— Ouvi bastante isso hoje. — ele contou em um tom embargado de intenções extras.

— É porque é verdade. — rebati.

— Está liberada Jeong. — ele disse e eu assenti uma única vez, não hesitando em sair logo da sala de interrogatórios, não me livrando daquela sensação ruim.

Afinal o que eu temo vem agora.

Descobrir, finalmente, qual dos meus amigos foi capaz de cometer algo do tipo é um evento que eu gostaria de entardecer até o fim da minha vida.

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