VINTE E SEIS

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Any Gabrielly.

Às três horas da manhã.

Suspirei assim que despertei com o aparelho em meu ouvido. Mesmo com a porta fechada e um tanto afastada de Josh, me preocupei em abaixar o volume do despertador e abafa-lo, não querendo de forma alguma que ele despertasse no mesmo horário que eu.

Empurrei as cobertas, me abaixando para pegar as duas botas sem salto com a ponta dos dedos da mão.

Havia selecionado a roupa mais discreta do meu armário antes de dormir e a vesti após um longo banho, decidindo que seria mais fácil de ir se eu já despertasse vestida.

Peguei a bolsa na mesa de cabeceira, hesitando em conferi-la, mas o fiz de qualquer forma. Ela abre facilmente, com apenas um clique, e dentro dela tem poucas coisas.

Uma quantia em dinheiro, o único revólver que já tive durante a vida inteira — uma herança de família — e também um espaço na bolsa que eu espero que seja ocupado nessa madrugada.

Fechei a bolsa torcendo mentalmente para que não precisasse fazer uso de nada dali e tampouco para que me encontrasse com alguém no meio do caminho, mesmo nesse horário da noite e mesmo que o lugar não fosse tão longe daqui.

Sai devagar do quarto tendo cuidado em fechar e trancar a porta dele da maneira mais silenciosa que podia, caminhando até a cozinha que estava estrategicamente com a porta aberta.

Abri o pequeno freezer, pegando uma lata de energético e o fechando novamente. Sabendo que só abriria o líquido fora de casa.

Caminhei na ponta do pé até a porta de entrada, olhando para o sofá ocupado por Josh que roncava relativamente alto e se agarrava em uma almofada como se estivesse dormindo de conchinha com alguém. Adorável e carente.

Ter escolhido ele em vez de Krystian não foi o meu maior erro no fim das contas.

Abri a porta com cuidado, trancando-a por fora.

Coloquei meus sapatos no próprio corredor, ainda tendo a discrição do silêncio e deixei o prédio pela saída de emergência. Ela não possui câmeras e eu conseguia encontrar pontos cegos durante o corredor para chegar até ela sem ser gravada.

Sai do prédio em disparada e enterrando a cabeça no pescoço desde que não sabia exatamente em que pontos da rua tinham câmeras e absolutamente qualquer vento poderia ser capaz de me incriminar. É fácil demais. Tão fácil que temi por isso no dia de hoje e continuo temendo a cada passo.

Corri em alguns momentos e parei em outros por receio de enfartar já que havia tomado uma lata inteira de energético, mas consegui chegar até a grande casa de dois andares. Os tons bege e branco davam um ar muito tranquilo e apaziguador para seus donos. Invadi o vasto jardim, batendo na terceira janela do térreo que rapidamente foi arrastada.

— Eu não vou te dar o copo. — foi literal antes mesmo que eu lhe pedisse o que quer que fosse.

— Muito inteligente da sua parte. — caçoei achando sua atitude burra e incoerente. — Se incriminar para encobrir outra pessoa. — franzi os lábios, assentindo em concordância fingindo entender seu raciocínio antropológico.  — Realmente muito inteligente.

— Você fez pior com o Josh. — eu gargalhei alto ao ouvir aquela asneira sem tamanho. Esquecendo-me até de me importar se chamaria a atenção de algum ser vivo sem alma que perambulava por aquelas bandas. — Ou acha que ele vai te perdoar quando descobrir?

— Eu acho que ele vai ter que agradecer. — lhe respondi com convicção. Sem lhe dar margens para ler a minha expressão. — Ele não está preso ou morto por minha causa.

— Ele não vai te perdoar por isso. Suas falsas motivações não importam.

— Pelo menos a minha consciência sabe que venho fazendo tudo o que posso. — eu rebati estendendo a minha mão para dentro da janela. Não temendo que o vidro fosse fechado com a minha carne. — O copo. — lhe lembrei do motivo de estar ali, pedindo por ele.

— Para que você precisa disso?

— Jura? Usa a cabeça que é fácil de descobrir. — fui irônica. Seres sabem ser dissimulados quando vos é conveniente.

— Tudo bem. — bufou e saiu dali, me deixando sozinha fora da casa. Perdi um bom tempo observando as movimentações ao meu redor, mas elas eram, graças a Deus, quase nulas. — Eu lacrei. — entregou-me o utensílio dentro de uma sacola plástica.

— Fez todos os procedimentos? — questionei-lhe e fui respondida com um 'Óbvio'. — Isso sim foi inteligente. — indiquei a sacola. — Vou indo. Parabéns por ter feito a escolha certa.

— É o quê eu espero. — foi a última vez que ouvi a sua voz naquela noite, refazendo o mesmo percurso de ida para a volta.

E continuava a torcer para que não fosse necessário fazer o uso da minha bolsa para algo extraordinário, tampouco que eu esbarrasse com algum inconveniente.

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