Josh.
— Josh Beauchamp. — tomei um susto com a voz, derrubando o copo de plástico cheio d'água que eu segurava.
Eu acho que isso é um sinal divino de eu determinantemente devo parar de utilizar plástico.
— Tinha que ser você. — Any revirou os olhos antes de se abaixar, pegando com cuidado o copo que eu derrubei, o jogando no lixo enquanto tentava não derramar o resto da água no chão.
— Você é maluca. — falei entre dentes quando ela se virou na minha direção.
— Foda-se.
Ela falou aquilo em um tom tão sério enquanto fundia seu olhar no meu com um completo desinteresse em fazê-lo. Até mesmo a maneira como ela masca petróleo feito uma vaca comendo grama pode ser amedrontador.
Recuperei-me do transe quando ela desistiu de mim, andando na direção dos nossos amigos e eu, claro, engoli seco antes de caminhar sem coragem alguma até a porta da sala, me xingando ao ter uma lembrança que me fez repensar o que eu havia acabado de dizer.
— Vem Josh. A gente está quase no topo. — Bryana grunhiu por ter que me puxar pela décima terceira vez, pois eu havia estagnado em medo de derraparmos da altura em que estávamos.
Não tenho pavor de altura, tenho pavor de morrer e a morte parece me abraçar mais forte a cada passo que eu dou ao topo dessa montanha íngreme.
Escalada não é para mim. Muito menos tendo como companhia essa louca.
— Eu não tenho coragem. — soltei a sua mão pela primeira vez fazendo-a estranhar. Seus ombros caíram e seus olhos expressavam uma grande confusão com resposta. — Pode terminar de subir sozinha. Eu espero aqui. — a aconselhei me sentando o mais longe que podia da beirada, o que não era grande coisa.
— Mas não vai ter graça chegar ao topo sem você. — ela se sentou onde estava.
Suspirei cansado, encostando a minha cabeça na pedra atrás de mim.
— Por que insiste tanto em mim?
— Por que você é corajoso.
— Eu não consigo chegar ao topo de uma montanha que eu já subi mais da metade Bryana. — praticamente berrei aquilo. Não com ela, mas comigo mesmo. O ódio crescente era de mim mesmo e da covardia que corre em minhas veias. — Pelo amor de Deus. Onde isso é coragem?
— Reparou que você esteve com medo desde que começamos a subir? — ela me questionou depois de um bom tempo de silêncio entre nós dois, me fazendo estranhar, mas concordar com ela. — E você continuou subindo mesmo com medo. Não foi?
Fiquei em silêncio, alisando minha mão em minha coxa para tentar me distrair daquela conversa.
— Cada passo que você deu até aqui foi uma prova de coragem Josh. Você só chegou até metade da montanha porque tem coragem o suficiente para escalar ela por inteiro. Admita isso e chegará ao topo.
Olhei para a maçaneta da mesma maneira tensa que havia olhado para a mão estendida de Bryana naquele dia.
Eu vivi vinte anos. Eu tenho coragem de viver quarenta. E foi pensando nisso que eu abri a porta com uma súbita coragem que durariam minutos, mas era o que eu precisava para adentrar a sala sem chance de volta.
Um interrogatório não chega nem perto de ser uma das cinquenta piores coisas que ocorreram em minha vida e se ele é necessário de alguma forma para que eu chegue até os quarenta. Eu irei enfrenta-lo.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanficUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
