INTERROGATÓRIO 1.2

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Akira Yoshihara.

Por insistência de Hana, deixei-a me acompanhar com os nossos braços entrelaçados até a porta da sala de interrogatórios, que ela havia literalmente acabado de sair, onde ela teve que me deixar.

Soltei-me dela quando a mesma abriu a porta para mim mesmo sem necessidade alguma. Entrei na sala me desvencilhando e ignorando as suas despedidas dramáticas, fechando a porta em sua face o mais rápido que podia.

Às vezes me questiono como pude ter uma única filha e errar tanto.

É quase palpável o quão nervosa ela estava com esse interrogatório.

Já eu... Nem tanto. Quase nada.

E já vemos a partir disso o quão diferente de mim ela é e eu não gosto muito disso, mas respeito.

Não digo que não me importo com as atrocidades que foram cometidas contra os dois jovens, mas também não enxergo nenhuma necessidade de um estresse tão grande quanto de Hana para um simples interrogatório. Ainda mais sabendo que ele apenas agregará em vez de atrapalhar em algo.

— Bom dia Akira Yoshihara. Eu me chamo Noah Urrea, sou o Chefe da Polícia de Los Angeles e também irei conduzir o seu interrogatório. — o policial se apresentou assim que eu me acomodei na única cadeira livre da sala. — Você é a avó de Hina Yoshihara. Estou certo?

— Impossível estar mais correto do que isso. — sorri de maneira simpática e ele forçou um sorriso de volta, mas sua feição logo foi relaxando e voltou a ser inexpressiva como a de quando eu adentrei na sala.

Imagino que não seja uma pessoa fácil. Não em seu local de trabalho.

Acho louvável que existam pessoas profissionais a esse ponto. Acho um feito extremamente honroso.

— Onde estava e com quem estava no dia da morte de Hina Yoshihara? — ele me fez a primeira pergunta e eu não senti impacto algum como Hana dizia que nós sentiríamos com as perguntas.

Basta fingir que estou conversando com um amigo calado de anos.

— Eu estava na casa em que moro com a minha filha há décadas, mas não sei exatamente o quê estive fazendo já que não há como prever o horário em que ela faleceu, porém sei que não foi nada extravagante. Eu estive em casa fazendo o que sempre faço: Cozinhando algo para comer sozinha enquanto assisto a alguns programas que gosto ou até mesmo enquanto faço crochê. Foi uma arte que desenvolvi a pouco tempo. Hina que me incentivou a ir a um encontro da terceira idade e acabei fazendo novas amizades que me induziram a essa prática. Hina fez uma diferença muito grande na minha vida Seu Noah, se me permite te chamar assim. — tentei ser educada e o gracioso rapaz assentiu com a cabeça, demonstrando que não havia problema em chama-lo daquela forma. — Serei eternamente grata pela doçura que ela carregou durante todos os seus dias de vida. Quem diria que uma menina tão jovem partiria antes de mim. — dei uma risada sem humor algum enquanto o meu interior divagava sobre o quão isso tudo é extremamente melancólico.

Por isso eu apenas opto por pensar menos nessa situação toda.

E quando sou obrigada a pensar, como no presente momento, eu só tento tratar a situação da maneira mais leve possível ou eu enlouqueceria.

— E qual tinha sido a vez mais recente que você viu a Hina? — ele indagou e eu assenti para mim mesma, sentindo-me novamente confortável em responder.

É tão mais fácil do que eu imaginei que seria.

— No sábado logo antes dela ir até essa festa na casa da Sabina. Ela sempre passava os fins de semana conosco por conta de uma espécie de pacto que a mãe fez com ela em troca da liberdade de morar sozinha. — eu expliquei e ele fez um aceno com a cabeça. Eu não sei bem se é para que eu prossiga ou se é para simbolizar que ele estava entendendo o quê eu dizia. — A vi antes dela sair para festa até nunca mais.

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