TRINTA E SETE

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Any.

Algumas horas após a narração de Noah...

Travei o celular com força, enterrando o botão com ajuda de todo o ódio que me consumia. Ódio esse que jamais seria pouco.

Sentia-me irada por fazer o que tinha que fazer, mas era tudo muito claro, então era óbvio que eu o faria.

Agradeci a mulher do caixa da 7-Eleven, pegando as alças das compras e me direcionando para a saída dela, com portas automáticas.

Olhei para os dois lados da rua, lembrando de entregar o lanche que havia comprado à um morador de rua que vivia ali perto, antes de sair sem rumo, deixando que os faróis dos carros me cegassem.

Depois de minutos de caminhadas, entradas em ruas menos movimentadas e depois voltando às grandes avenidas, eu não pensava que era daquela maneira que eu iria fazer o quê precisava.

Pensei que bateria em sua porta, e quando ele a abrisse, ele tentaria me dar uma portada na cara que seria impedida por um chute, portanto uma briga seria travada para saber quem conseguiria fechar ou abrir a porta de entrada primeiro.

Obviamente ele venceria, eu não posso lutar contra um estudante de Educação Física que normalmente se alimenta bem e que usa o boxe como refúgio.

Um ombro com força na porta do loft e eu sairia voando.

Mas desistir jamais.

Nem que eu pulasse a porra da janela, eu entraria naquela casa e faria o que precisava fazer.

Mas quando o encontrei próximo à uma esquina não muito longe de onde morava, sentado ao batente de um consultório médico abandonado por Deus e os humanos, tragando um cigarro, minha reação foi única.

Chutar a sua mão, fazendo o cigarro aceso voar para longe, chamando a sua tediosa atenção.

— Desde quando você fuma?

— Desde quando você se importa?

Revirei os olhos com aquele clichê de fumante, largando as compras em seu colo, que obviamente não gostou, mas parecia impaciente demais para rebater.

— Faz pouco tempo não é? — o perguntei ainda de pé, atraindo o seu olhar para cima, onde estava o meu rosto.

— Como pode supor isso se nem me conhece? — ele batia tediosamente na mesma tecla ridícula.

É óbvio que eu o conheço. Ele esquece que eu era a pseudo-namorada do melhor amigo dele?

O Lamar só não fala mais do Josh do quê dos próprios pais.

Falava.

Me corrigi mentalmente, formulando uma involuntária careta no rosto que fora percebida por Josh, mas eu logo a desmanchei, torcendo para que não fosse questionada sobre.

Enfim, de alguma forma, eu ainda o conheço mais do quê muitas pessoas. Mesmo que seja da boca alheia.

— Se você fumasse à mais tempo, estaria trancado no seu banheiro, com o chuveiro quente ligado.

TrUtH oR dArE? mErCy!Onde histórias criam vida. Descubra agora