Shivani.
Aviso de conteúdo: Sintomas de ansiedade e pânico. A representação de um psicólogo estilhaçado sob pressão é narrado.
Pedi por bênçãos dos devas mesmo não podendo praticar nenhuma veneração naquele momento. Estava me assegurando de que os deuses estavam ao meu lado, pois graças ao surto de negação de Sabina, ganhei um bom tempo extra para relaxar os nervos.
Só podia ser uma ação divida, pois, diga-se de passagem: Eu estou uma pilha deles (nervos).
Adentrei a sala de interrogatórios de maneira robótica e monitorada, caminhando passo por passo até a cadeira, me acomodando ali sem muito pestanejar.
Eu não queria parecer programada para fazer tudo aquilo, mas era exatamente o que eu estava fazendo.
— Boa tarde Shivani Paliwal. Eu me chamo Noah Urrea, sou o chefe da polícia de Los Angeles e irei conduzir o seu interrogatório. — ele se apresentou, mas os zumbidos em meus ouvidos não davam muita importância. — Você está bem?
Ele questionou e eu me esforcei para assentir com a cabeça. Não porque ela pesava, doía ou algo do tipo, mas porque uma parte de mim achava que qualquer atitude deveria ser bem pensada. Era como andar em ovos.
— Perguntar isso é protocolo? — eu perguntei e ele reorganizou a postura provavelmente não achando a minha resposta educada, logo, tratei de me retaliar. — Eu estou em choque, me desculpe. Eu nunca entrei em uma delegacia e a minha primeira vez é nessa circunstância. — fui sincera.
— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Hina Yoshihara? — ele deu início.
— Eu estava na casa de Sabina. — suspirei. — Teve uma festa... Reunião... Não sei como posso chamar aquilo. — atropelei o meu próprio raciocínio. — Conversamos bastante, jogamos algumas coisas, bebemos, rimos, coisas normais de jovens? — falei com uma entonação um pouco incerta. — Foi divertido e às duas da manhã eu e Hina fomos embora, depois disso tudo aconteceu.
— Vocês duas voltaram juntas?
— E-e-eu estava um p-pouco bêbada, mas eu acho que sim. — me xinguei por gaguejar e me xinguei ainda mais por saber que estava apenas me complicando.
Noah me olha tão profundamente que parece penetrar a minha pele, transcendendo-a ao ponto de conseguir analisar a minha alma e isso não parece bom.
— Você a deixou em casa?
— I-isso.
— E depois foi para a sua?
— J-Justamente. — suguei o ar, o soprando de novo, tornando a repetir o processo. Calma Shivani.
— Tem mais algo que queira contar sobre isso? — ele perguntou e eu neguei com a cabeça. Eu quero sair daqui. Só isso que eu quero. — Sabe que isso pode ser usado contra você futuramente? Não pretende adicionar nada para quem sabe lhe beneficiar? — ele me instigou e eu fiquei ainda mais tensa com o caráter de sua proposta e o pior: O tom que havia sido usado por ele.
Beneficiar-me? O que ele quer dizer com isso?
Eu finjo não entender, pois me faz sentir menos. Mas é um fato. Eu me fadei a isso.
— Não. — consegui responder com a voz por um fio e Noah não foi contra isso.
— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Lamar Morris?
— Não lembro. — engoli em seco ao dizer isso.
— Como?
— Não lembro como. — as primeiras lágrimas caíram sendo seguidas por segundas. — Eu não consigo fazer isso. Desculpe-me. — cobri meu rosto, me levantando da cadeira, mas ele fez o mesmo.
— Você precisa me responder ou não saíra daqui nem a pedido do presidente.
— Eu não consigo. — abracei meu corpo o sentindo tremelicar por dentro, a temperatura de meus órgãos parecia desproporcional aos fahrenheit do ar.
Eu vou sair presa daqui então por que ele não o faz logo? Por que ele não me diz logo? Não acaba com essa tortura de uma vez por todas?
Eu não fiz nada, mas prefiro pagar pelo que não fiz a continuar me humilhando dessa forma.
— Troque o 'Eu não consigo' pela resposta da minha pergunta. — ele disse de uma maneira grosseira saindo da parte de trás da mesa, caminhando lentamente até onde eu estava, me fazendo estremecer em medo, não em frio.
Dei instintivos passos para trás, virando sem querer um dos meus pés. Não foi o suficiente para feri-lo, mas foi para fazer com que eu me sinta patética.
É isso o que eu sou. Eu sou patética. Patética.
Uma patética com o rosto vermelho sangue assim como meus olhos.
— Shivani. — ele se posicionou na minha frente, mas mantendo uma distância considerável e segura. Forçando-me a prosseguir com aquilo mesmo contra a minha vontade.
— Eu não estava em casa. — contei soluçando. — Eu estava na rua.
— Shivani...
— Eu não o matei. Eu juro.
— Seja mais clara. — ele suspirou alto, me olhando com pena.
Pena.
É o que eu sou. Digna de pena. Ou nem isso.
— Eu não o matei. Não há nada mais claro do quê isso. — consegui manter a minha voz firme, gesticulando.
— Onde você estava? — ele refez a pergunta.
— Eu não sei. — gritei passando as mãos pelo rosto secando as lágrimas. — Eu estava perdida.
— Mentira. — ele deu um passo à frente. Consequentemente eu dei um novo para trás. — Mentira. — ele repetiu. Sua voz continuava neutra, muito diferente da minha.
— Eu não sei. Eu não sei onde eu estava, eu não sei. — tentei explicar gesticulando ainda mais pelo nervoso, mas ele segurou as minhas duas mãos.
— Está liberada Paliwal. — ele me olhou nos olhos. — Você tem direito ao silêncio.
Acabou? Não tem mais? Por que ele não falou antes?
Olhei para o outro lado da sala onde Noah havia ido após me soltar e avistei Bailey que me olhava de uma maneira também neutra. Como se não me conhecesse.
Sequei as lágrimas novamente, correndo para fora daquele lugar. Optando por não comentar nada sobre meu interrogatório desastroso mesmo achando que ninguém perguntaria.
Não seria necessário, eles mesmos veriam o resultado.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
Fiksi PenggemarUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
