Josh.
Uma hora e quarenta e quatro depois...
— Finalmente. — Any exasperou assim que abriu a porta de seu apartamento com uma aparente pressa que eu não continha, logo, fiquei estático no corredor.
Ela deu um passo à frente, me puxando para dentro com o pulso e eu fui sem muita vontade. Nem ao menos queria ter vindo até aqui visto o meu estresse pelo dia inteiro na faculdade e logo em seguida na delegacia. Eu realmente só queria me deitar e dormir, mas para Any estar me chamando até a sua casa, não era uma besteira qualquer.
— Por que demorou tanto?— ela me questionou enquanto fechava e trancava respectivamente a sua porta de entrada.
— Eu tive que dar carona para Savannah, Sabina e Joalin. Já que a maluca que tem carro foi arrastada até o departamento. — contei enfiando minhas mãos no bolso na calça. Eu só não estou o ápice do odor, pois consegui ir para casa antes de ir até o interrogatório. Nem imagino a situação de Krystian agora. — E você? Por que me chamou até aqui? — fiz a pergunta que tanto queria descobrir a resposta.
Ela ultrapassou o meu espaço pessoal, retirando a minha mão esquerda do bolso para pegar o meu celular de dentro, conferindo se ele estava desligado e realmente estava.
Mesmo que eu não me importe fielmente com as ordens de Any, eu não tinha nenhum motivo urgente para desobedecê-las.
— Pode me dizer o porquê disso também? — apontei para o meu celular em suas mãos.
— Eu vou te contar. — ela me devolveu o celular e eu o peguei, devolvendo ao bolso. — Senta. — ela apontou para o sofá e eu andei até ele desconfiado, me acomodando.
Nesse mesmo tempo, Any sumiu ao adentrar o único corredor do apartamento.
Não me lembro de ter estado aqui muitas vezes. Honestamente.
Não é nada extraordinário, é o necessário para qualquer universitário: Uma sala de estar, uma cozinha, uma área de serviço e no caso de Any, um corredor esquisito que lhe leva até dois quartos e um banheiro.
Por que esquisito? Basicamente a sala de estar, a cozinha e a área de serviço ficam no mesmo lugar, separadas apenas por paredes — a cozinha inclusive parece uma pequena caixa no meio da sala —, mas ao fundo tem uma enorme parede e no canto dela uma entrada que dá para um corredor. É meio estranho de se explicar, é mais simples vendo, mas é uma arquitetura diferente eu diria.
Batuquei os pés na madeira velha enquanto a aguardava, sentindo que por ser no térreo, eu deveria estar incomodando o satanás com o possível barulho que causava.
— Lembra quando a conta da Hina tweetou aquilo sobre nós dois? — sua voz me assustou, pois não a reparei voltar. Assenti em concordância como resposta, virando meu rosto na sua direção que me estendia um copo de uísque com pedras de gelo. — Não vai querer? — ela balançou o copo estendido, levando o próprio até os lábios, bebericando. Inflei as bochechas encarando o copo por um longo tempo, sem me preocupar em parecer um tonto com um dilema interno desde que realmente sou um tonto com um dilema interno. — Eu não vou lhe matar. — ela empurrou o copo para mais perto de mim então eu o peguei, mas não o levei até a boca. — Se realmente somos aliados, você deveria no mínimo confiar em mim.
— Oi? — a questionei com a voz afetada, indignado com o que meus ouvidos captaram.
— Vai beber? — ela apontou arqueando as duas sobrancelhas. Posso afirmar até que um lado de seu quadril havia abaixado mais que o outro.
Contive um resmungo muxoxo tomando um gole da bebida, deixando-a por alguns segundos na boca antes de engolir.
— Tem água? — pedi e ela revirou os olhos se sentando no braço do sofá.
— Tem, mas você não está bebendo isso pela primeira vez na vida. — ela dobrou um dos braços tomando mais um gole da bebida. Eu não estou com nenhuma vontade de participar disso, honestamente. — Então você se lembra dos tweets.
— Lembro. — afirmei analisando o copo em minha mão, o girando.
— Sabe como a pessoa que está na conta consegue essas informações? — ela me questionou e mesmo sabendo que a intenção dela não é obter uma resposta, me permiti revirar os olhos, achando-a patética.
— Se eu soubesse eu teria contado ao Noah e-
— Não! — ela grunhiu irritada, se levantando de onde estava pelo incômodo que sentiu com a minha resposta. — É o seguinte Josh: Os telefones de todos nós foram invadidos. Assim que você liga o telefone, o microfone, as câmeras e a tela começam a monitorar tudo. Além de que eu acho que o GPS também funciona porque sempre que eu o desligo, ele religa sozinho.
— Isso é-
— Quase profissional. — ela me interrompeu de novo e eu teria vontade de xinga-la se estivéssemos em uma outra situação. — Eu achei que em algum momento tudo daria errado e ficaria tudo bem. — ela prosseguiu com a sua fala, mas eu não compreendia bem. — Mas o plano... Está seguindo perfeitamente como planejado.
— Plano?
— Eu preciso que confie no quê eu digo Josh. — ela se inclinou na minha direção, levando a mão livre ao peito. — É a única maneira de sair vivo disso.
— O quê-
— Eu sei de uma boa parte sobre tudo o quê está acontecendo. Sempre soube.
Eu me senti gelado como se todo o sangue do meu corpo tivesse acabado de ser drenado, mas meu coração continuasse bombeando o ar.
Ela sabia que a Hina iria morrer? E o Lamar?
Ela poderia ter impedido e não fez nada?
— Tire essa expressão enojada do rosto. Eu não os matei. — ela mandou, mas eu nem me esforcei para fazê-lo. Minha face nesse momento refletia uma repulsa repentina e que vinha do fundo da minha alma, mas eu ainda sim, apesar da vontade de quebrar um vaso em sua cabeça, não tinha impulso o suficiente para fazê-lo. Não entendia o porquê, afinal porto doenças impulsivas e explosivas. — Eu fui envolvida nessa merda toda depois que a Hina foi morta. Não fui eu.
— Como você fala com essa frieza toda? E como eu posso saber se você não está mentindo? Se você realmente só soube nesse momento? E mesmo assim por que não fez nada pelo Lamar? Você é tão podre quanto. — me levantei do sofá com ajuda do braço livre, me inclinando para deixar o copo na mesa de centro, mas a minha falta de pressa deu tempo para que Any caminhasse até mim, segurando o meu braço com a mão livre, também se livrando do próprio copo.
— O quê você quer que eu faça afinal? — ela elevou a voz e eu me soltei do seu aperto com um único movimento. Ela também não fazia um grande esforço para me manter ali. — Na merda daquela festa alguns de nós falamos ou fizemos coisas que não deveríamos.
Engoli em seco, sentindo meu estômago se revirar com a simples frase.
O motivo? Só poderia ser o mesmo: Ansiedade.
— Verdade ou desafio Josh. — ela parecia mais suplicar do que me informar. — Você realmente não se lembra?
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanfictionUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
