VINTE E QUATRO

3.4K 636 2.5K
                                        

Alerta de conteúdo: Sintomas da Ansiedade são narrados.

Josh.

Está vindo. Não durma.

Eu estou cansado.

Isso, cansado é a palavra perfeita para definir como me sinto nesse momento.

Exausto, farto, acabado, esgotado e sinônimos.

Estou sentado em uma cadeira de plástico azul que pode ser ridiculamente desconfortável se você ocupa-la por horas. Tive surtos onde me levantei subitamente dela e andei em círculos pelo vasto hall de entrada onde muitos trafegavam, mas ninguém de fato saia.

Tentei conflitar com os seguranças — que talvez também fossem policias, mas nenhum deles expressou qualquer coisa que fosse aos meus argumentos sobre a minha vontade de arrombar aquela porta automática.

Assim que Heyoon retornou para a recepção indicando o fim do último interrogatório do nosso grupo, a única palavra que recebemos dos seguranças é que eles continuavam sem autorização para permitir a saída de quem quer que fosse: Nós, outros interrogados e até mesmo funcionários.

E quem ousar tentar sair saiba que está fadado a falhar seguido de uma ameaça repleta de verdade sobre prisão.

Simples assim.

Prático.

Seria tão fácil e desgovernado se todos os problemas da humanidade fossem resolvidos assim. Não restaria ninguém.

E como eu sei das ameaças e do fracasso? Sim, eu tentei. Eu e Sabina para ser mais específico.

Mas sinceramente ficar com a bunda quadrada é a menor das minhas motivações para sair logo desse lugar. O que realmente me corrói é saber que se estamos "presos" dentro desse departamento é porque existe um doente entre nós. E pensar que existe uma maciça probabilidade de ser um dos nossos amigos mastiga o meu psicológico sem dó.

Afinal mesmo que cem pessoas tenham sido interrogadas, nós fomos os últimos a ter contato com ela. Todos os outros interrogados serviram para encher os nossos currículos. Nós somos o foco dessa investigação mesmo que o assassino não esteja entre nós. É muito mais lógico supor que sim.

— Ansioso? — Any se levantou da cadeira ao lado no mesmo instante que eu o fiz na intenção de tentar uma nova abordagem com os seguranças.

— Para ser preso? Não, mas é para lá que eu estou indo. — ri sem humor, apontando para os seguranças. Bastava ela parar de ocupar o meu tempo e eu iria até lá agora mesmo. — Estou sentindo até a minha gastrite incomodar. — mudei meu tom de voz sentindo do nada que deveria agir de maneira mais humana com Any, afinal ela estava magicamente me tratando como um ser humano.

— É a ansiedade. — ela constatou.

— Conte-me algo que eu não saiba. — falei cruzando os braços. A minha intenção não era ser chato ou irônico, mas apenas demonstrar a minha frustração de alguma forma.

Até minha voz ofega e eu só desejo voltar para casa logo, fingindo que esse dia nunca existiu independente do resultado dele. Nem que eu tenha que fingir que nunca conheci os culpados.

— Se você não fez nada, não tem para quê se preocupar. — ela contou sem se incomodar com a minha fala anterior, me surpreendendo um pouco. — Convença a sua mente disso.

— Muito fácil. — dessa vez fui irônico, sentindo meu intestino arder com mais intensidade no mesmo instante.

Merda. Praguejei mentalmente, levando a mão até a barriga, apertando-a discretamente.

TrUtH oR dArE? mErCy!Onde histórias criam vida. Descubra agora