Krystian.
Arrastei-me até a porta que havia sido indicada após secar as lágrimas com certo ódio, adentrando o local já querendo sair. Sentia-me esmagado demais.
— Boa tarde Krystian Wang. Chamo-me Noah Urrea, sou o chefe da polícia de Los Angeles e irei conduzir o seu interrogatório. — o homem se apresentou enquanto eu me acomodava na cadeira a sua frente sem nem ao menos lhe olhar nos olhos. Optei por descansar eles em outro ponto da sala.
— Qual foi o critério? — funguei, não movendo nenhum músculo para olha-lo enquanto o questionava. — Para a escolha dos horários de cada um.
— Sorteio. — ele respondeu friamente sem intenção de me dar margem para mais perguntas que devem ser inúteis para ele. Incrível como na vida real eles nem se importam em lhe oferecer qualquer tipo de conforto para essa pressão absurda. Você é um potencial assassino, logo, se foda. E essa procedência me sufocava. — Pela sua cara de derrotado eu poderia supor que você não fez nada. — Noah me surpreendeu, soltando um riso muxoxo. — Mas todo assassino é bom ator. Tão bom que pode cair na própria mentira, acredita? — ele piscou, voltando a fechar sua expressão.
E com isso pude perceber como Noah não está sendo brincalhão à toa. Ele está me testando. Mas é uma verdadeira pena que esteja gastando suas habilidades com a pessoa errada.
— Já solucionei casos assim. — ele complementou. É tão humilhante estar nessa situação. Com um cara nitidamente disposto a me culpar por qualquer respirada fora de hora que eu der.
— Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Hina Yoshihara?
— Na casa da Sabina. — respondi na mesma hora, sem pensar muito. Sabia que o tempo era algo precioso nesse tipo de abordagem. — Um dia antes nós... — comecei a falar, mas chacoalhei a cabeça ao me atrapalhar mentalmente. Calma Krystian. — Todo o nosso grupo de amigos incluindo Hina, nos reunimos na casa da Sabina para uma reunião entre amigos mesmo. Algo normal... Nós dormimos, bebemos, jogamos Guitar Hero e até Karaoke rolou... Verdade ou consequência. — ri lembrando-me daquela noite. Foi a melhor da minha vida, eu me senti de volta a adolescência depois de anos, me senti livre pela primeira vez depois de muito tempo, mas mal sabia eu que o melhor dia da minha vida era o que antecedia os meus piores. A vida de fato não veio para ser boa. — Quando nos cansamos, alguns de nós optamos por dormir na casa dela.
— Quem mais?
— Não lembro bem. Até porque nós bebemos bastante. — confessei. — Mas acho que Joalin, Lamar e Diarra dormiram na sala de estar enquanto festejavam. Talvez Josh e Any tenham dormido juntos em algum quarto já que eram os mais bêbados. Eu ainda conseguia distinguir alguma coisa então fui dormir com Sabina no quarto dela. O que eu me lembro com exatidão é de que quando acordei, me encontrei com Lamar e Diarra na cozinha. Eles me contaram que quem sobrou tinha acabado de ir embora, mas ainda era muito cedo, umas seis da manhã.
— Por que dormiu com Sabina?
—Nós somos ou éramos melhores amigos então ela não se importa com isso. Na verdade ela teria me chamado se eu não tivesse ido. É algo rotineiro dormirmos juntos.
Noah passou um tempo calado, apenas mantendo um contato direto e visual comigo. Ele levou sua mão direita para cima da mesa, começando um batuque que atraiu a minha atenção, o fazendo parar no mesmo instante. — Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Lamar Morris.
— Dormindo na minha casa. — ri baixo e sem humor algum, era algo mais nervoso. — Eu durmo cedo e com as minhas cachorras. Suzy e Penelope. Se quiser mandar uma intimação par elas... — dei de ombros me achando cômico.
— Com certeza. — ele abriu um sorriso de cobra. — Câmeras de segurança comprovarão isso para mim sem que eu precise das suas cachorras.
— Que bom. — falei me sentindo desnorteado com a sua resposta. Imagino que em outra situação, eu não o acharia tão intimidador assim, mas agora é diferente.
— Qual era a sua relação com as vítimas? Existia alguma desavença?
— Eu e o Lamar éramos colegas. — novamente não demorei a responder. — Fazíamos parte do mesmo círculo de amizades e convivíamos bem, podia até o chamar de amigo. Lamar era muito atencioso e foi um bom ombro amigo em momentos que eu precisei. Mas não posso dizer que éramos realmente próximos ou que não vivíamos sem o outro.
— E Hina? — Noah foi direto.
— Bom... — umedeci os lábios pensando um pouco em como explicar aquilo sem parecer extremamente culpado. — Já fomos muito próximos. Do tipo muito mesmo. Éramos grandes amigos e existiu uma época em que nós nos considerávamos muito. — engoli em seco, entrelaçando discretamente as minhas mãos. — Mas inicialmente o nosso envolvimento foi "amoroso". — fiz aspas com a mão mesmo que ele não pudesse ver. — Mas eu acho que eu sou gay então... — me perdi na explicação. — Enfim foi uma experiência que não deu certo então decidimos continuarmos apenas amigos e foi a melhor escolha que eu fiz com relação a ela.
— Tem algo que se arrepende com relação a ela então?
— Ter beijado a boca dela. — falei sem hesitar.
— Certo. — ele voltou a sorrir. Era um sorriso divertido. — Está teoricamente liberado Krystian Wang. — ele falou e foi a minha vez de sorrir, mas aliviado. Nem me atentando ao "teoricamente", seja lá o que ele signifique.
— Obrigado. — agradeci me levantando na cadeira e caminhando até a porta.
— Não precisa agradecer. É só não ter matado ninguém e não precisará ficar tão tenso. — eu ignorei o comentário de teor irônico saindo da sala depois de encarar novamente para um ponto da sala sentindo meu peito esmagar.
Eu preciso de ar.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanfictionUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
