Any.
— Any Gabrielly. — o policial me cumprimentou com um entusiasmo na voz que fora respondido com um mascar alto do chiclete em minha boca.
No caminho até a sala confesso ter perdido alguns minutos abraçando Shivani o mais forte que podia. Sabia exatamente o que estava acontecendo com ela e odiava isso, odiava com todas as minhas forças e tentava externalizar aquilo no aperto. Sabia que ao menos em um por cento eu havia lhe tranquilizado.
— A própria. — o respondi depois de um tempo considerável quando me acomodei na cadeira a sua frente.
Acenei para o policial do fundo que logo rolou os olhos para o seu computador. Não sei por qual motivo ainda tento ser educada com esses caras.
— Não vai começar? — perguntei incomodada fazendo com ele sorrisse satisfeito.
— Eu me chamo Noah Urrea, sou o chefe da polícia de Los Angeles e irei conduzir o seu interrogatório. — ele me cumprimentou com a voz nasalada, querendo rir e eu me limitei a tombar a cabeça em sua direção indicando que ele podia prosseguir. — Onde você estava e com quem você estava no dia do suicídio de Hina Yoshihara?
— Não foi um suicídio. — falei com convicção, estourando o chiclete. – Eu e você sabemos disso.
— Morte. — ele se corrigiu parecendo mais satisfeito do que deveria.
— Eu estava altamente alcoolizada na casa da Sabina. Acordei arrependida disso no dia seguinte, sem me lembrar de muita coisa. Também aproveitei para violentar um garoto do topete loiro, que você ainda vai conhecer, quando recobrei a consciência. Achei que no ápice da minha loucura nós tínhamos transado. — eu não tentava conter o sorriso enquanto contava aquilo. Eu sou no mínimo foda demais.
— Ótima maneira de se acordar. — ele caçoou de mim, analisando tão atentamente as minhas feições que eu sentia meu rosto formigar.
— Você não conhece a real sensação de desespero que eu senti. — me zoei em um tom divertido.
— Nem quero. — ele concluiu rapidamente. — Onde você estava e com quem você estava no dia da morte de Lamar Morris?
— Na rua. — dei de ombros demonstrando despreocupação. — Fui até uma conveniência fazer as compras do mês. Gosto de fazer isso de madrugada, não tem fila e nem velhas competindo pelo mesmo produto que eu.
— Que conveniência?
— Em uma 7-Eleven de West. — contei e ele puxou um caderno preto debaixo da mesa, junto a uma caneta vermelha que se destacava nas folhas. — Vão checar as câmeras de segurança? — perguntei em um tom cômico.
— Tipo isso. — ele piscou na minha direção, guardando no mesmo lugar tudo o que havia pegado. — Qual era a sua relação com as vítimas? Existia alguma desavença?
— Eu era muito próxima a Hina e Lamar. Eu não diria que era melhor amiga dos dois, mas éramos realmente próximos uns dos outros. Eu e Lamar gostávamos de ver as estrelas depois de tocarmos em bares por exemplo. — eu soltei uma risada singela com a lembrança. Era como estar revivendo tudo aquilo mesmo que apenas na mente, por segundos parecia real. Como se eu tivesse voltado no tempo e pudesse aproveitar daquilo por uma última vez. — E Hina gostava de fazer passeios culturais, porém exclusivamente noturnos comigo.
— Vejo que gosta de agir durante a noite.
— Me sinto mais inspirada a existir. — forcei um sorriso. — Nós éramos a sustentação uns dos outros. Éramos dependentes emocionalmente um do outro, o que é ruim, mas real.
— No entanto não vejo nenhum resquício de tristeza em você.
— A definição de tristeza é subjetiva. Eu não preciso de lágrimas para estar triste, assim como não preciso de sorrisos para estar feliz.
— Está liberada. — ele empurrou a mesa para que a sua cadeira andasse até o fundo da sala sem algum real esforço de sua parte.
Formei o sorrindo mais largo e triunfal da noite antes de me levantar e deixar a sala.
Eu cheguei até aqui e nada vai me derrubar.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanfictionUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
