JULGAMENTO 0

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Josh.

— Any? — cutuquei a garota assim que adentramos a cúpula cheia de jornalistas. Sentia-me a estrela da noite do Oscar chegando ao tapete vermelho dessa ou de qualquer outra premiação extremamente importante por ramo. Esse sentimento baseado no que? Na quantidade de flashes disparados em nossas faces. Não tenho ideia de como os famosos aparecem com os olhos abertos nas fotografias de paparazzi's. — Quando isso começa?

Não havia gritaria por parte dos fotógrafos e se tinham, eram poucas. O único barulho realmente alto eram o dos flashes, logo, eu não precisava gritar tanto para conseguir falar com ela. Ao menos isso.

— Agora. — ela falou do nada, me assustando ao começar a me arrastar pela mão na direção dos acentos mais à frente.

Pelo lugar estar cheio de policiais e — receio — ser cheio de regras, os jornalistas não nos seguiam. Se limitavam a fotografar, gravar ou transmitir de onde estavam.

Chegamos nas primeiras quatro fileiras do tribunal onde nos foram pedidos as nossas identidades mesmo que eles provavelmente soubessem quem nós somos.

Any mostrou a sua e eu puxei a minha do bolso, fazendo o mesmo.

Nossa passagem foi liberada e decidimos nos juntar a Sabina e Joalin que se sentavam lado a lado da segunda fileira ao lado direito, mais ao canto.

— Isso é uma merda. — sussurrei entredentes para Any antes que chegássemos.

— Eu sei. — ela respondeu do mesmo jeito, já começando a cumprimentar cordialmente as duas mulheres. Eu me propus a fazer o mesmo, estranhando o fato das duas estarem sentadas lado a lado e sem nenhum pé de guerra. Torço para que tenham se resolvido. Ao menos isso.

Não demorou muito e uma das portas laterais foram abertas onde o juiz adentrou juntamente à um grupo de doze pessoas. Atrás deles caminhavam outros dois engravatados, além de policiais comuns os escoltando. Parecia quase uma cena de filme se não fosse tão real.

Agora entendo porque acompanhar essa merda na internet se tornou tão divertido.

Eles se acomodaram onde deveriam, as dozes pessoas seriam o júri popular, seriam eles quem decidiriam a sentença. O juiz, acomodado em seu trono, apenas conduziria o julgamento. E os dois promotores dariam um jeito de conflitarem as suas intenções de culparem e absolverem os réus (acusados).

Minutos depois a porta oposta fora aberta, foi por lá que Shivani e Krystian saíram algemados e escoltados por um número igualitário de policiais.

Shivani e Krystian estavam pálidos, com as expressões doentes e as olheiras abaixo de seus olhos não os ajudavam em parecer saudáveis, além de que pareciam bem mais magros do que já eram. Estavam apenas a carcaça.

Vestiam roupas diferentes das que foram presos, provavelmente os familiares os levaram uma muda para eles se banharem em algum cano no alto da cela.

Pela primeira vez vi Krystian sem corretivos, ato que ele justificava pela carreira de modelo: "Preciso estar impecável todos os segundos do meu dia. Você nunca saberá quando o diretor da VOGUE Paris irá passar por você".

Confesso ser quase que completamente contra as carreiras de Diarra, Krystian e Sabina simplesmente por elas serem extremamente abusivas com eles. Eles já são bonitos e talentosos naturalmente, qual é a necessidade de tantas exigências?

Os dois foram colocados sentados na frente da cadeira do juiz, a de Shivani ficava próxima à nós. Do lado direito.

Os lábios rachados e sem cor de Shivani denunciavam a fome e principalmente a sede que eles devem estar passando durante os dias na cela.

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