Alerta de conteúdo: A situação da autópsia — não ela em si, afinal eles não a leram ainda — é citada. Além de sintomas de gastrite nervosa e ansiedade.
Josh.
— A Heyoon? — arregalei os olhos, exasperando o que havia acabado de ler no Twitter. Olhei para Any em busca de respostas, mesmo não tendo certeza se ela as tinha, mas a mulher se limitou a negar com a cabeça antes de se acomodar do meu lado no sofá, estendendo-me um copo de café que fora aceito de bom agrado.
Não sabia bem se ela negava por não saber de nada, por não poder dizer nada ou pela Heyoon não ter envolvimento algum, mas ela foi mais rápida do que eu, falando antes que eu a questionasse.
— Não pense em nada agora. Acabei de ver que o resultado da nova autópsia vai sair em vinte minutos. — ela disse levantando a tampa do notebook. — Se tiver o estômago sensível, não tome o café porque talvez você vomite.
— Por que eu vomitaria? — levantei as sobrancelhas, virando o meu rosto para ela. Eu estava calmo até analisar melhor a gravidade da situação e isso fizera o meu coração acelerar mais do que a cafeína é capaz. — Any...
— Não faça perguntas. — ela bufou, começando a movimentar o mouse em busca de algo. — São tudo hipóteses que eu já tinha levantado. Noah tinha isso em mente antes mesmo dos interrogatórios.
— Então por que-
— Ele não tinha como provar. — ela me interrompeu abruptamente. — Sei que as coisas podem parecer enroladas demais, devagar demais, mas isso não é um filme idiota. As coisas reais precisam de provas, você não pode fazer acusações sem elas. Mesmo que ele tivesse descoberto isso antes de cristo, ele não tinha provas para bater o martelo.
Encarei-a com o semblante caído. Fomos dormir às seis da manhã apoiados um no outro e acordamos quase agora quando o celular de Any não cansava de tocar. Deveria ser importante pela insistência do ser humano.
Comigo, sempre o meu telefone toca dessa forma, eu sei que é cobrança. Nem me dou o trabalho.
Mas ela se deu, despertando e me trazendo junto.
— A autópsia! — ela quebrou o silêncio alto demais e isso me fez respingar o café que eu virava em meus lábios, os molhando.
— Como você tem o resultado? — eu fiz uma careta, voltando a tomar o café normalmente. Já estou na metade.
— Noah vai mandar o documento em PDF para os e-mails dos responsáveis e amigos, nós éramos amigos dela então estamos incluídos nisso. — ela explicou brevemente e eu assenti. Faz sentido.
Estirei-me para ver a tela do computador, está aberta em sua caixa de e-mail, mas não me interessei em checa-la, mas em olhar o horário. Despertei e nem tenho ideia de que horas são.
14:55.
Caralho.
E eu me sinto destruído mesmo tendo dormido por dez horas seguidas. Imagino que Any sinta o mesmo, seu semblante também não está dos mais erguidos.
Retornei ao olhar para o horário: 14:58.
— Minha barriga começou a doer. — a contei esporadicamente, levando minha mão até ela. É a gastrite nervosa dando sinal de vida.
— Promete que eu posso marcar um psicólogo e um psiquiatra assim que terminarmos de ver a autópsia? — ela me olhou aguardando uma resposta positiva. Provavelmente ela acredita que com essa ligação ocular, existem mais chances de que eu aceite.
— Acho que posso prometer pensar melhor. — suspirei, apoiando meu cotovelo direito no sofá atrás de mim, descansando minha cabeça nele.
— É melhor do que um não.
Ela manteve o seu olhar por longos segundos — que talvez não fossem tantos, mas pareceram. Tornando a olhar para a tela do notebook.
14:59. 15:00.
Ela apertou com tudo o botão que recarregaria a sua caixa de entrada, pois aquele deveria ser o horário que a autópsia seria liberada. Senti logo algo se formar no topo da garanta enquanto assistia o botão girar como se estivesse em câmera lenta.
O mundo parecia ter diminuído a sua velocidade ou a internet de Any é apenas ruim.
— Ainda não chegou. — ela disse quando a página carregou, tentando de novo. — Chegou. — ela sussurrou em um entusiasmo tenso. A hora chegou e ela parecia contente com isso, mas temia pelo que lhe aguardaria.
Tirei a sua mão do mouse, clicando na correspondência mais recente por ela, recebendo um sorriso muxoxo em agradecimento.
— É melhor que nos apoiemos. — falei e recebi um doce aceno de cabeça da mulher que voltou a prestar atenção no e-mail, clicando no botão que baixaria e abriria o PDF.
A leitura do arquivo fora feita em conjunto, mas em um inquebrável silêncio de ambas as partes.
Eu não deveria ter tomado o café.
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TrUtH oR dArE? mErCy!
FanfictionUm dia após uma reunião entre amigos, Hina é encontrada morta em seu apartamento. 'All for Hina' se torna o assunto mais comentado do mundo junto a campanhas de prevenção ao suicídio, só que o que ninguém imaginava era que sete dias depois de sua mo...
