Capítulo Cinco

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O silêncio é, sem dúvidas, uma das melhores coisas para se escutar

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O silêncio é, sem dúvidas, uma das melhores coisas para se escutar. É contraditório, mas é verdade; nada tem mais valor do que chegar de uma noitada e encontrar a casa limpa e silenciosa, apenas esperando a gente chegar.

Algumas das meninas do escritório chegaram em mim hoje, depois daquela reunião desastrosa com Samantha e perguntaram se não queria sair com elas para um pub e, como não tinha nada melhor para fazer, aceitei. Não vou mentir dizendo que foi ruim, porquê não foi. Caso contrário, não teria chegado em casa quase na metade da madrugada, nem teria aproveitado tanto. Mas apesar disso, não conseguia tirar da cabeça a última conversa que tive com Samantha. Não quando ficamos tão próximas daquele jeito e uma sensação tão estranha e familiar me percorreu. Respirei aliviada quando ela saiu batendo o pé, embora quisesse que ela tivesse ficado mais. Não para discutir, mas para tentar ter uma conversa decente, como tivemos aqui em casa na semana passada. Como sabia que isso nunca seria possível, afastei esses pensamentos mais uma vez e fui para o chuveiro. Eu merecia um bom banho antes de desmoronar na cama.

Peguei meu telefone para ver as mensagens. Algumas das meninas que conheci essa noite, mas respondi aquelas por quem mais me interessei. Continuei rolando a tela, até que vejo cinco mensagens de Samantha e quando as li, o celular foi de encontro ao meu rosto. Liguei para ela? Não! Beijei a tela do telefone como uma adolescente apaixonada? Menos! Fiquei tão surpresa com a mensagem, que o  celular despencou no meu rosto. Inferno! Reli as mensagens mais uma vez, tentando pensar no que responder.

"Preciso que me faça um favor"
"Durante o jantar briguei com meu pai e disse que eu tinha outra pessoa, mas isso não é da sua conta"
"Você é única pessoa que meio a mente, infelizmente"
"Pelo menos é boa para tirar os outros do sério e é disso que preciso"
"Pode fingir ser minha namorada por alguns dias? Só até ele me mandar embora de casa"

Devo ter relido aquelas mensagens mais umas duas vezes antes de responder que diria minha resposta no dia seguinte. Achei que ela estaria dormindo, por causa da hora, mas a resposta dela chegou quase que imediatamente, como se ela estivesse esperando. Isso é novidade! Depois do meu boa noite — nada irônico, diga-se por sinal —, Samantha ainda teve a capacidade de me xingar. Bom, eu não me importei. Ainda precisava pensar no que diria a ela.

Se dissesse que dormi bem a noite, estaria mentindo. Talvez fosse a garota de cabelos cacheados do bar na noite passada. Céus, que beijo! Ou talvez seja o sonho que tive com a noiva do chefe. Não sei porquê não consigo mais tirar ela da minha cabeça. Eu não era assim! Tudo começou desde que começamos a trabalhar juntas nos projetos. Quero dizer, ela ainda continua sendo chata — insuportável, na verdade —, e metida, mas parece que ela construiu um triplex na minha cabeça e agora mora ali. Sonhei que ela tinha me mandado mensagens, me oferecendo um namoro falso para irritar o pai dela. De fato, eu devo ter tomado um bom porre noite passada.

Depois de um bom banho, vesti uma camisa social cor de vinho de mangas longas, a calça de couro preta e minha jaqueta, também de couro e também preta. Nada além do básico. Peguei meu capacete e minhas coisas depois de pronta e fui para a agência. Felizmente o caminho estava tranquilo e, como não cheguei atrasada hoje, não precisei inventar nenhuma desculpa. Às vezes acontece. Vou fazer o quê?

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