Capítulo Sessenta

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Fomos parar na delegacia, já que Adeline tinha tentado golpear Alexandra com uma faca

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Fomos parar na delegacia, já que Adeline tinha tentado golpear Alexandra com uma faca. Por mais compreensível que fosse, o silêncio de Alex estava me deixando preocupada.

Em momentos de nervosismo, Alex costumava falar além da conta. Imaginei que depois de acalmar-se de sua crise de choro, xingaria, resmungaria, diria quantos outros golpes seria capaz de dar em sua mãe, ou simplesmente ficasse com a cara fechada e os braços cruzados. Mas desde que o oficial nos pediu para o acompanhar até a delegacia, Alexandra estava distante, encolhida no banco. Isso era mais próprio de mim do que dela.

Já fazia dez minutos que os policiais estavam tentando fazê-la falar, mas ela apenas continuava absorta em seus pensamentos. Por fim, resolveram dar atenção a mim. Contei a eles o que tinha visto no estacionamento: acabei me distraindo na conversa e não percebi quando Alex parou de andar. Quando me dei conta de que estava falando sozinha, procurei por ela e a vi, uns sessenta metros atrá, estava com os braços levantados. Demorei um pouco para perceber o que estava acontecendo e, quando me dei conta, fiquei sem saber o que fazer. Acabei tendo de contar a história das duas.

Não sabia até que ponto os policiais acreditaram em meu depoimento, mas o delegado parecia um pouco impaciente. Tirou os óculos e o colocou sobre a mesa, coçando os olhos em seguida.

— Tudo bem, senhorita... — leu meu nome na tela do computador. Percebi a leve levantada de sobrancelhas quando, provavelmente, leu o sobrenome Charlie. Sua postura mudou rapidamente. — Tudo bem, senhorita Charlie. Vejo que sua parceira precisa de um tempo, mas precisamos que ela nos conte melhor sobre esta briga. Pelo que vi, não é a primeira vez que ela me mete nesse tipo de confusão.

— Dou total certeza de que agiu em legítima defesa — garanti. — Será que posso tentar falar com ela a sós por um instante?

— Claro. Leve o tempo que precisar — concordou, se levantando. — Preciso resolver uma coisa ali fora, então podem ocupar minha sala. Qualquer coisa é só chamar. Aceita uma água ou um café?

Balancei a cabeça, educada.

— Não, obrigada.

Babaca idiota! Mas pelo menos tinha se atentado para ser mais educado. Claro que era puro interesse, mas melhor que nada. Esperei que ele saísse para me virar para Alex.

— Ei, meu amor — chamei com carinho e segurei seu rosto para que me olhasse. — Sei que foi um dia muito atípico para você, que está cansada e estressada, mas precisamos que você fale com o delegado. Só assim para podermos ir embora.

Eu nunca tinha visto Alex tão amoada e distante desse jeito. Estava, de verdade, começando a ficar inquieta com sua quietude.

— Alex — tentei de novo —, por favor, fale comigo. Quero te ajudar, mas preciso saber o que aconteceu direito. Por favor.

Seus olhos se dirigiram a mim. Havia tanta dor neles, como se todo o seu ressentimento pela mãe viesse à tona de uma vez. Meu coração se apertou ao vê-la daquele jeito.

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