capítulo Sete

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Mesmo quatro dias depois, ainda não tinha conseguido tirar os gritos de Sam da minha cabeça

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Mesmo quatro dias depois, ainda não tinha conseguido tirar os gritos de Sam da minha cabeça. Não exatamente pelos gritos, mas a maneira como gritou; como se aquilo fosse uma ofensa muito grande. Nem mesmo quando a afinetei sobre o nosso chefe, ela não tinha gritado tento. Era como se eu pudesse sentir uma mágoa - não exatamente de mim - saindo junto com aqueles gritos. Desde então, não fiz mais.

Quando eu era criança, meu irmão costumava me apelidar. Às vezes na brincadeira, o que eu sempre revidava, às vezes eram apelidos carinhos, ou xingamentos nada apropriados. De toda forma, crescemos assim. Ainda sentia falta de Ethan comigo, a cada luz do dia que me acordava. Ele e eu fomos criados por nossos avós. Éramos gêmeos, então não tê-lo mais para dividir tudo e qualquer coisa, ainda doía. Ethan tinha sido a primeira pessoa para quem contei que era lésbica. Ele me deu um peteleco no nariz e disse que já sabia. Quando questionei como, ele apenas disse para eu cuidar da minha vida e ser feliz e foi exatamente isso que eu fiz. Entrei para a faculdade de arquitetura e urbanismo e, quando eu estava no quarto período, recebi uma ligação dizendo que meu irmão tinha sido morto. Viajei até nossa cidade e quando vi o corpo dele no necrotério, me debrucei sobre ele e chorei. Talvez seja por isso que me comovi com Samantha. Ela não tinha chorado em minha frente, mas a dor como ela gritou, foi impossível eu não me lembrar de quando Ethan berrava comigo.

Ontem ela e eu entregamos a reforma da galeria e o planejamento do novo estacionamento para o Teatro Municipal, pois eu também tinha palpitando na apresentação dela na semana passada. Zach pareceu bem satisfeito, apesar de eu ter notado que o casal mal se olhavam nos olhos.

Como era final de semana, tinha combinado de sair com o pessoal, para uma festa que teria em uma boate. Samantha nunca aparecia nesses eventos que fazíamos, portanto fiquei surpresa ao vê-la à mesa com os demais. Me aproximei e cumprimentei todos. Sam estava deslumbrante e tive que piscar algumas vezes para parar de olhar. Ela vestia um vestido onde as tiras se amarravam atrás na nuca - o nó ficava escondido sob seus cabelos soltos - preto com detalhes de flores brancas que acompanhavam a extensão do decote até mais ou menos o meio da barriga. O cinto branco que se fechava em um laço dava continuidade à saia do vestido que era totalmente preta. Ao reparar bem a cavatura da vestimenta, ele era fechado apenas na frente e mesmo assim, com aquele decote entre os seios... Uau! Talvez eu tenha ficado surpresa demais, pois não consegui evitar a pergunta:

- Você... Você tem tatuagem? - Perguntei com o olhar fixo em sua costela. Felizmente não chamei muita atenção com a pergunta, mas Sam se virou para mim, para ter certeza de que eu estava falando com ela e acompanhou o meu olhar. Ela abaixou a cabeça e exalou uma risada.

- Parece uma tatuagem para você? - Ela ergueu a sobrancelha. Senti meu coração dar uma palpitada com o olhar.

- Não... Sim... Quero dizer...

Samantha riu. Riu de verdade da minha falta de palavras.

- Sim, Alexandra, é uma tatuagem! Por que está tão surpresa? O Kevin, Caty, Austtin, todos também tem, sabia?

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