Capítulo Quartenta e Cinco

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Eu sabia que Samantha ia ficar com raiva de mim por trazer a mãe dela aqui

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Eu sabia que Samantha ia ficar com raiva de mim por trazer a mãe dela aqui. Por outro lado, sabia o quão orgulhosa ela podia ser quando queria. Ela não daria o braço a torcer para a mãe, porque sabia que estava certa. Eu também não daria, no lugar dela.

O problema é que eu também sabia que ela sentia falta da mãe, da mesma forma que ela sentia do pai. E se era uma coisa que podia ser resolvida, porque não? Eu tentei resolver as coisas com minha mãe,  mas não deu certo. Se Sam também podia ter essa chance, torcia para que desse certo.

— Isso não é fácil para mim — Claire falou depois de alguns segundos em silêncio. — Mas sim, sinto muito pelas coisas que te falei.

Samantha deu de ombros.

— Se é só isso, tudo bem. Agora pode ir — recebi outro olhar furioso.

— Sam, por favor — eu pedi. — Entendo, de verdade, você estar brava por eu trazer ela sem você saber, mas só escute o que ela tem a dizer. Se ela começar a falar merda, ou você não estiver gostando, prometo que jogo ela na neve igual fiz com o bolo fofo.

Samantha estava tentada a rir, levando em conta a boca dela que tremeu. Parando para pensar, não tinha mesmo sido uma boa ideia trazer a perua aqui logo hoje. Senti vontade de me jogar na neve e ganhar um olho roxo.

— Quem é Bolo Fofo? — Claire perguntou.

— Ninguém — Sam falou.

— A mulher que prostituía sua filha, enquanto ela tentava ganhar algum dinheiro para sobreviver — disparei ao mesmo tempo que Sam.

Choque passou pelo rosto de Claire, me dando a certeza de que ela não fazia ideia das coisas pelas quais a filha mais velha já passou. Mas o mesmo choque passou quando ela pareceu raciocinar que fui eu quem disse isso, obviamente duvidando da minha palavra. Virou-se para a filha e, com a voz mais mansa do que jamais tinha ouvido, perguntou:

— Isso é verdade?

Sam baixou a cabeça e engoliu em seco. Eu não precisava de muito para saber que o coração dela estava disparado. O gesto foi suficiente para que a pergunta de Claire fosse respondida.

— Eu... Acho melhor vocês conversarem sem mim aqui — falei, levantando para ir em direção a escada.

— Não — Samantha protestou. — Essa ideia foi sua, então agora você fica. E conversamos sobre isso depois, tá legal?

Dessa vez fui eu quem engoli. Sentei ao lado dela de novo e fiquei ali.

— Eu sinto muito, Samantha...

— Será que sente mesmo, mãe? Sinceramente, eu não queria ter essa conversa com você. Não mesmo. Não espere que eu me desculpe por tudo o que eu fiz e falei. Eu não vou. E se veio aqui apenas para me insultar, já adianto que conheço o repertório completo. Pode se poupar do trabalho... 

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