Capítulo Dois

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Depois que sai da empresa, fui direto para minha casa

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Depois que sai da empresa, fui direto para minha casa. Estou cansada de saber dos apelidos que o pessoal, especialmente Alexandra, me dão: burguesa, filha de papai, marmita do chefe... Acato a todos como se não me importasse, mas a verdade é que isso machuca. Se eu não tivesse me esforçado muito, não estaria onde estou hoje.

Ser parte de uma família tradicional não é tão legal quanto todos pensam. Meus pais, mesmo meus irmãos e eu sendo maiores de idade, fazem questão de comandar nossas vidas e, depois de alguns problemas com os dois, meu próprio pai me expulsou de casa.

Oito anos. Esse foi o tempo que meus pais fingiram minha inexistência e, só voltaram a falar comigo, quando quando disse que aceitaria me casar com o filho de um amigo da família. Sim! Meu pai ainda é adepto ao casamento arranjado. Reneguei essa união durante anos, por isso fui expulsa de casa. Trabalhei, paguei minha faculdade de arquitetura sozinha. Mas então, as coisas começaram a dar errado. Nada me tira da cabeça que meu pai tem algo a ver com isso, porém não tenho como provar. Forçada a aceitar o noivado para voltar para casa, hoje ainda moro com eles.

Quando entrei na sala de estar, meu pai estava lendo as notícias em seu tablet e tomando seu bom e velho uísque.

- Chegou tarde hoje, querida. Está tudo bem?

- Oi, papai. Sim, está. Apenas peguei um caminho diferente hoje, pois queria conhecer uma loja nova.

Ele finalmente desviou o olhar do aparelho que estava em mãos, para mim.

- Sua mesada já foi liberada? - Uma maneira sútil de dizer que, depois que voltei, passou a controlar meu dinheiro para que não desmanchasse o noivado.

- Não, senhor, mas ainda tenho um pouco guardado.

- Não faça nada de estúpido, Samantha. E mudando de assunto... Essa noite teremos um jantar aqui com a família de seu noivo. Quero-a deslumbrante.

- Não sou sua bonequinha. Se quiser que eu compareça, terá que forçar-me a sair do quarto. Tenho muito trabalho para ser feito.

- Não pode nem ao menos tirar algumas horas para o jantar?

- Onde estão os meninos? - Perguntei, fugindo do assunto.

- Cory está no quarto e Maddy ainda não chegou.

- E a mãe?

- Estava no quarto deitada a última vez que a vi.

- Ela ainda está passando mal?

Antes que meu pai pudesse responder, escuto alguém gritando do lado de fora e, apesar de não demorar muito para reconhecer a voz, vou verificar na câmera para ter certeza de que não é um pesadelo.

- Ei, princesinha, vem aqui! Sei que está em casa. - Continuava a gritar, agora olhando diretamente para a câmera. Se fosse em outra época, eu estaria rindo da cena.

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