Capítulo Trinta e Oito

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Estava sozinha com Alex no quarto e ainda estava me recuperando do susto que ela tinha me dado

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Estava sozinha com Alex no quarto e ainda estava me recuperando do susto que ela tinha me dado. Já era a segunda vez que eu a via desmaiada e isso despertou uma nova preocupação. Alex mexia distraidamente seus dedos, como se estivesse pensando, calculando, exatamente, o que queria me dizer.

- Me desculpe pela forma que falei com você lá em cima - falou.

- Me desculpa também. Fui um pouco grossa com você.

- Você estava certa. Em algumas partes. Eu tenho algumas questões mal resolvidas comigo mesma. É difícil falar sobre isso.

- Está tudo bem, meu amor. Não precisa falar se não quiser. Isso é normal.

- Não, por favor, me escuta - ela me olhou. - Você lembra o medo que você sentiu quando eu fui te buscar lá na pensão da Sra. Tunner? Então, eu também tenho medo. Mas o meu é de... E-eu não sei explicar. Tenho medo de que as pessoas que eu goste vá embora e me deixe. Tenho medo de que você faça isso, ou se não, Adeline faça de novo.

Achei fofo o jeito que ela se atrapalhou nas palavras, mesmo querendo me contar como ela se sentia. Sempre soube que ela não era muito boa com palavras, mas entendi o que ela quis dizer e fiquei feliz por ela estar tentando se abrir comigo. Eu tinha a consciência de que a tinha sobrecarregado demais ultimamente com meus problemas e que ela deixou os dela de lado por minha causa. Agora que eu estava mais tranquila, o mínimo que eu podia fazer era retribuir.

Coloquei minha mão sobre a dela, impedindo que ela continuasse a mexer os dedos daquela forma. Só então me ocorreu que talvez Alex sofresse de ansiedade e por isso estava sempre praticando algum esporte, ou mantendo a cabeça ocupada. Me senti mal por não ter notado isso antes.

- É por isso que nunca quis ter um relacionamento duradouro - não era bem uma pergunta, mas mais uma conclusão.

Ela balançou a cabeça, concordando.

- Odeio a sensação das pessoas me deixarem, então faço antes delas. Eu... Eu me lembro do dia em que minha mãe me deixou aqui. Não perfeitamente, mas eu lembro. Ela arrumou a mim e meu irmão e disse que iríamos passar alguns dias aqui. Depois, lembro de esperar por ela, para que nos buscasse, mas ela nunca mais voltou. Não estou dizendo que sou ingrata aos meus avós, mas eu era uma criança. Eu nunca soube de nada do meu pai, mas isso só significa que ele também foi embora, pouco se fodendo para nós - ela deu de ombros, como se esse fato em especial não fizesse tanta diferença para ela, mas eu estava descobrindo que fazia sim. - Quando eu fui embora daqui, foi a coisa mais difícil que fiz na minha vida. Acho que é por isso que ainda sou tão ligada a eles. Não tive a chance de me despedir do meu irmão. Ele simplesmente foi... Foi arrancado de nossas vidas por tentar fazer a coisa certa.

Percebi que não só Alex, mas eu também estava chorando no momento em que senti o gosto salgado das lágrimas. Nunca imaginei que Alexandra agia como agia por pura defesa. Que ela preferiria ser vista como desbocada e petulante - coisas que ela fazia incrivelmente bem - só para que pudesse manter as pessoas mais afastada dela. Engoli em seco, e antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ela continuou:

- Eu amo você, Samantha. Merda! Você é o meu ponto fraco. Sei que não sou perfeita, mas para você eu quero ser e, para eu conseguir pelo tentar, preciso que saiba disso. Não coloco expectativa em quase nada além do meu trabalho, mas você... nós... Você é uma das melhores coisas que me aconteceu nos últimos anos. Quero curtir o aqui e o agora, mas uma parte de mim sempre vai pensar que a qualquer momento você vai pegar suas coisas ir embora. Isso me machuca. E... É claro que penso em perdoar a minha mãe, mas e se ela for embora de novo? - ela fungou.

Dei o meu sorriso mais gentil e limpei seu rosto. Ela já não estava mais tão pálida e sua temperatura tinha normalizado. Sequei suas lágrimas e olhei no fundo dos olhos dela, para que ela não tivesse dúvidas sobre qualquer palavra.

- Você esteve do meu lado em um dos momentos mais merdas da minha vida, Alex. Me ajudou de maneiras que você não faz ideia. Eu estou muito, muito feliz ao seu lado; eu te amo e amo cada parte do seu ser - coloquei seus cabelos atrás da orelha. - Infelizmente, não temos o controle sobre o futuro. Não posso dizer quando vou morrer, para te preparar, ou como vai ser a relação com a sua mãe. Isso que você sente, é ansiedade e tem tratamento. Deixa eu te ajudar. Tem remédios que podem te ajudar a controlar isso, meu amor. Se isolar, não vai mudar o futuro, mas pode fazer com que você continue cultivando o passado. Não é você quem diz que devemos viver um dia de cada vez? Vamos fazer isso e vamos fazer juntas. Você não precisa me imaginar longe de você, porque eu não imagino vo longe de mim. Prefiro planejar uma cozinha para você, do que voltar para aquela casa. Você me amou com todos os meus defeitos e inseguranças, e eu te amo da mesma forma. Não pense que você está sozinha e abandona, porque você não está. Sua avó, sua sobrinha, sua cunhada e eu te amamos. Sua mãe te ama e quer estar ao seu lado. Todas queremos - sorri. - Mas agora, o que você tem que pensar é se você nos quer ao seu lado e se quer a nossa ajuda.

Não tinha percebido que minhas mãos estavam suando, ou o quanto minha voz saiu firme. Tudo o que disse, havia sido de coração. Alex fez com que eu me aceitasse, que eu estivesse em paz com minhas escolhas e comigo mesma e sempre serei grata a ela por isso; ela esteve ao meu lado quando a merda foi jogada no ventilador, sendo que ela poderia simplesmente ter dito que isso não era problema dela; me fez entender que quem vê cara, definitivamente não vê coração. Porque ela tinha um dos melhores corações que se poderia imaginar, mas se eu ainda estivesse presa e focada nas atitudes tão irritantes dela, eu não estaria aqui agora. Ela fez meu mundo melhor e eu queria fazer o dela também. Estaria ao seu lado assim como ela esteve do meu.

- Você ainda pensa em se mudar para cá? - perguntei depois de alguns minutos em silêncio.

- Sinceramente, eu não sei. Às vezes eu quero, às não.

- Podíamos pensar sobre isso. Acho que eu gostaria de viver aqui.

Os olhos dela brilharam e dessa vez não foi por causa do choro. Sorri involuntariamente e segurei em sua nuca com carinho, puxando-a para um beijo. Alex correspondeu de imediato. Céus, eu amo essa mulher!

- Minha morena!

- Meu pingo!

Minha boca se repuxou em outro sorriso. Quando ela começou a me chamar assim, foi por pura implicância, para dizer que eu era mais baixa do que ela, mas confesso que tinha me acostumado e até gostava. Na verdade, até estranhava um pouco quando ela não me chamava assim.

- Será que você pode chamar a Adeline aqui?

- Você está pronta para isso?

- Não - disse, respirando fundo. - Mas acho que você e Ethan me deu a coragem que eu precisava.

- Ethan? Seu irmão? Como assim?

- Nada. Só um sonho que tive com ele. Você pode chamar ela?

- Claro, lógico que posso. Quer que eu fique aqui com você?

- Na verdade, não. Mas se puder ficar por perto, eu agradeço.

- Vou pensar no seu caso, Hudson.

Depositei mais um beijo em seus lábios e sai para fazer o que ela pediu.

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