[Completo]
Samantha Charlie é a filha mais velha de um banqueiro influente e super conservador, que foi expulsa de casa depois do pai a flargar beijando outra garota.
Alexandra Hudson saiu da fazenda para ganhar a vida na cidade grande e poder ajud...
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É estranha a sensação de uma pirralha de sete anos te dar lição de moral. Pior ainda era saber que as palavras de Cindy não serviam só para mim. Desencostei as costas do sofá e limpei meu rosto, então forcei um sorriso para minha sobrinha.
- Como assim, pequena? - perguntei.
Foi uma pergunta idiota, já que sabia exatamente como minha avó gostava de levar sua filosofia de vida: se uma pessoa precisa da sua ajuda, minha filha, não importa o mal que ela te fez, é seu dever ajudar. Eu discordava.
Dona Eleonor era do tipo de pessoa que acreditavam que sentir raiva e rancor dos outros era veneno para a própria alma. Por mais chateada, magoada, aborrecida, que estivesse com alguém, se esse alguém precisasse de ajuda com a mínima coisa que fosse, minha avó ajudava. Isso incluía a pessoa que mais lhe partira o coração: Adeline Hudson. Eu sabia que minha velhinha sentia-se um pouco culpada pelo rumo que ela tomou na vida, se sentia mal de todas as coisas que eu tenho certeza de que Adeline já falou para ela, mas se minha mãe precisasse de qualquer coisa, tenho certeza de que minha avó não pensaria duas vezes.
Com toda paciência, Cindy deu de ombros.
- É o que elas falam - constatou. - A bisa sempre me diz que não é porque uma pessoa não me deu uma bala, que tenho deixar ela com vontade. Se eu der uma bala para ela, depois ela pode passar a me dar também. - Suspirou, como se nem mesmo ela estivesse convencida da sabedoria de Dona Eleonor.
- E a bisa está certa, filha. Sentir raiva das pessoas não é bom.
O chão, de repente, pareceu muito interessante para minha sobrinha. Apesar de não estar perto quando aconteceu, Ammy me contou que Cindy surpreendeu ela e Cory se beijando na cozinha da fazenda. Desde então, a menina estava fechada e não queria falar com ninguém sobre assunto. Também estava fazendo um bom trabalho ignorando quase qualquer coisa que Cory falasse e evita olhar para a mãe. Era como se estivesse se sentindo traída, supuz.
- Tia Alex, se você não gosta de ver a vovó Adeline, por que não deixa ela presa? - sentou-se entre mim e Sam. - Um dia, escutei o vovô e o Leo conversando e Leo tinha dito que tinha colocado a mãe dele num hospital psi... picasitrico... Pitraquico...
- Psiquiátrico - Sam ajudou. Cindy balançou a cabeça, afirmando.
- É. O papai dele ficou bravo, mas ao mesmo tempo que ele estava ajudando, não estava nem aí.
Eu queria muito saber se aquilo fazia sentido na cabecinha dela. Talvez só estivesse repetindo o que Leo falou, mas era incrivelmente racional.
- Obrigada, Cindy - agradeci. - Você me ajudou muito. - Beijei o topo de sua cabeça e a puxei para o meu colo. - Agora, acho que você deve nos falar o porquê de estar tão brava com sua mãe.
A menina me olhou e depois seguiu com o olhar para a mãe, que permanecia encostada na parede da televisão. Cory estava sentado na poltrona, mas o vi endireitando a postura.