[Completo]
Samantha Charlie é a filha mais velha de um banqueiro influente e super conservador, que foi expulsa de casa depois do pai a flargar beijando outra garota.
Alexandra Hudson saiu da fazenda para ganhar a vida na cidade grande e poder ajud...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Amar é um ato estranho. Você vibra pela pessoa, torce para que dê tudo certo e sofre quando algo não sai como planejado. Às vezes, você acha que odeia aquela pessoa, até se dar conta de que é impossível viver sem ela. Alguns, já nascemos amando, como nossa família; outros, o tempo se encarrega disso. Também acontece de não sabermos o porquê, mas queremos manter aquela pessoa em nossas vidas, até o último suspiro. A linha entre o amor e o ódio é indescritivelmente tênue.
Quando abri o presente de aniversário que os Charlie me deram, caí no choro. Ajoelhei no chão da sala, observando aquela tela e chorei de soluçar. Samantha e Cory se puseram ao meu lado, provavelmente pensando que fizeram um ótimo trabalho. Agora eu entendi porque queriam que eu só abrisse depois do jantar.
Já era início da madrugada e eu estava sentada na sala, sozinha, observando o quadro: uma pintura da minha família. Eu estava pintada com a jaqueta que Sam me dera no natal, ao lado da mesma, que estava em seu vestido turquesa. Em nossa frente, Cindy estava toda sorridente com os braços abertos, convidando quem quer que visse o quadro, para um abraço e com Blizz descansando ao seu lado. Me esmagando em um abraço, estava Ethan, com o sorriso contagioso de sempre. Seus cabelos, que sempre foram mais compridos, cobria um pouco seus olhos. Atrás de mim, bem entre Sam e eu, estava meu avô. O velho Anthony, em seu corpo magro e alto, com sua camisa de flanela azul marinho preferida. Parecia estar sorrindo diretamente para mim. Minha avó ficou meio atrás, meio ao lado de Sam, com suas mãos nos ombros dela. O fundo era de grama verde, num dia de verão, com as copas das árvores cheias de folhas e o céu azul e límpido.
Fiquei imaginando como seria Ethan lidando com Cindy nessa idade, toda sapeca, e meu avô o aconselhando sobre a paternidade. De repente, Sam e eu chegaríamos para uma visita e ele me abraçaria apertado, como sempre fez quando eu ia visitá-los, antes dele ficar doente. De novo, me peguei secando minhas lágrimas.
— Vai ficar encarando o quadro a noite toda? — perguntou Sam, que estava encostada na quina da parede, no último degrau da escada.
Sorri sem olhá-la.
— Acho que foi uma das melhores coisas que já ganhei. Com certeza o mais valioso.
— É só um quadro.
— Você sabe que não é. Não para mim.
Ela se aproximou e sentou ao meu lado, deitando a cabeça em meu ombro. Ficamos alguns minutos em silêncio, apenas absorvendo cada traço da pintura.
— Mesmo depois de tanto tempo, ainda me surpreende você ser assim — Sam falou, de repente.
— Assim como, exatamente?
Ela apontou com a cabeça para o quadro em minhas mãos.
— Tão apegada à família. Sempre quando te via no escritório, rindo, fazendo piadas até do vento, sendo marrenta e insuportável a maior parte do tempo, imaginava que você era do tipo fodam-se todos vocês, eu faço o que eu quero e nada mais importa. Só que você é muito mais família do que eu.