Capítulo Trinta e Seis

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Eu tinha herdado a casa da família, o que era irônico, uma vez que fui expulsa de lá duas vezes

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Eu tinha herdado a casa da família, o que era irônico, uma vez que fui expulsa de lá duas vezes. Achava que meu pai nem se daria ao trabalho de me colocar no testamento dele, mas ele o fez. Com isso, todos os dias eu me pegava olhando para o envelope que recebi. Ainda não tinha aberto, simplesmente porque tinha medo do que poderia ter lá dentro, levando em conta o envelope quase semelhante a esse que minha mãe recebeu. Eu só não queria abrir e ter mais uma decepção.

— Não é mais fácil abrir e acabar com essa agonia de uma vez? — Alex disse ao entrar no quarto e se deitar ao meu lado na cama.

— Tenho medo do que está aqui.

— E adiar o que está te incomodando, só vai te incomodar ainda mais.

Coloquei o papel de volta na gaveta e me deitei, sendo a conchinha menor. Era bom sentir Alex perto de mim e saber que ela estaria ao meu lado sempre que eu precisasse. Os últimos dias foi um saco, e ela não se afastou por um instante que fosse.

— Seus irmãos disseram se vão com a gente amanhã? — perguntou ajeitando meus cabelos para que não fossem em seu rosto. 

— Não consegui falar com a Maddy, mas Cory parece que vai. Vocês parecem estar se dando bem.

— É... Eu gosto dele. É um bom rapaz.

— Obrigada por tudo o que está fazendo por eles. Você não precisava.

— Sabe o que eu acho?

Me mexi na cama, virando-me para ela e encostei minha testa na sua. A observei nos olhos por um segundo ou dois, antes de responder.

— Suponho que você vai me falar do mesmo jeito, não?

— Você se acostumou a resolver as coisas sozinhas. Não precisa me agradecer toda vez que eu os cumprimentar. Digamos que você está numa fase melhor.

— Melhor só por que estou com você? — Sorri ao perguntar.

— Porque você tem com quem contar. Tem amigos de verdade agora. E sim, estou me incluindo nesse meio. Antes você andava por ai toda carrancuda e não deixava ninguém se aproximar. Agora você parece estar diferente.

Ela estava certa. Fazia um bom tempo desde que tinha parado de contar com as pessoas e passado a agir só por mim mesma, sem ninguém para dividir alguma coisa. Passei seis anos da minha vida me virando sozinha e fiz coisas das quais nunca vou me orgulhar e, nos últimos dois anos, as coisas não tinham sido exatamente fáceis. Mas agora parecia que as coisas começaram a fazer sentido de novo. Que valia a pena.

— Me sinto em paz comigo mesma, Alex. Sinto que todas as minhas engrenagens estão, finalmente, em seus lugares.

— Fico feliz em ouvir isso — Alex acariciou meus cabelos e sorri ao sentir seus carinhos. Ficamos algum tempo em silêncio, apenas aproveitando a companhia uma da outra, até que ela suspirou e falou: — Agora que seu pai se foi e você tem aquela casa para você, pensa em ir embora?

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