Capítulo Cinquenta e Quatro

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- Eu não quero uma cerimônia grande, Samantha! - Alexandra esbravejou outra vez, andando de um lado para o outro

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- Eu não quero uma cerimônia grande, Samantha! - Alexandra esbravejou outra vez, andando de um lado para o outro.

Joguei as revistas na mesinha de centro, frustrada, e respirei fundo. Estávamos no mesmo impasse havia quase meia hora e não parecia que iríamos resolver tão cedo.

No horário de almoço de hoje, Alex e eu fomos falar com uma planejadora de eventos sobre nosso casamento. Tudo parecia estar indo bem, até que chegamos no ponto delicado do assunto: qual seria o tamanho da cerimônia? Não hesitei em dizer que queria algo grande e majestoso, como um verdadeiro casamento de princesa. Alexandra, por outro lado, seria capaz de se casar em alguma capela qualquer em Las Vegas, sem ninguém além de nós duas. Nossa anfitriã, provavelmente acostumada com esse tipo de discussão, disse para pensarmos mais sobre o assunto e nos emprestou algumas revistas para olharmos. Obviamente, não ia contar a ela que estava montando um estoque de revistas de casamento desde o dia que comecei a preparar o pedido a Alex.

O problema era que mesmo depois de conversarmos sobre o assunto no caminho para a S.AU., no caminho de volta para casa e nas últimas duas horas, Alexandra não queria dar o braço a torcer de jeito nenhum.

- É só uma festa, Alex! - tentei argumentar. - Qual a diferença de pouca ou muita gente, afinal?

- A diferença... - mordeu o lábio inferior, se contendo para não dizer alguma coisa que estava na ponta da língua. Parou de andar e me encarou, talvez pensando se deveria ou não falar o que queria. Se fosse em outra época, tenho certeza que teria falado eu gostando ou não. - A diferença é que é a nossa festa. Deveriam estar só as pessoas que gostam de nós e não um público idiota que só quer vender fotos para mídia. - Alex se sentou ao meu lado. Seus olhos dançavam em hesitação. Com aquele olhar, sabia onde ela queria chegar. Engoli em seco, antes mesmo dela continuar: - Só as pessoas que se importam, Sam. Não faz sentido eu colocar Adeline como convidada, se não vou me sentir bem com a presença dela. Para uma festa grande, quantas dessas pessoas te ajudaram quando você precisou?

Seu tom não foi frio ou acusatório. Eu podia sentir a preocupação dela. No fundo, entendia onde ela queria chegar: reunir apenas os mais próximos de nós. Mas também não podia negar que eu queria - céus como eu queria - mostrar para todas essas pessoas que me viraram as costas, minha felicidade. Mostrar que eu não precisei delas para chegar até aquele altar.

Bom, claramente Alex e eu não pensávamos sobre isso da mesma forma.

- Tudo bem, entendi. Eu só...

- E sem contar que você não vai bancar tudo sozinha e, acredite ou não, eu mal recebo seis dígitos por ano e não sou herdeira de um desgraçado milionário ou investidora de uma empresa. Se importa de fazermos as coisas dentro do meu orçamento?

Torci o nariz com aquilo. Eu não me importava de bancar tudo o que a gente precisasse, mas era claro que Alexandra não ia aceitar. Bobeira? Sim. Mas se eu estivesse no lugar dela, eu acho que também ia me sentir um pouco desconfortável com muitas... Extravagâncias.

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