Capítulo Quinze

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O quarto era exatamente do mesmo jeito que eu me lembrava

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O quarto era exatamente do mesmo jeito que eu me lembrava. O papel de parede imitando madeira e a luz amarelada dava ao lugar uma impressão bastante rústica. A cama ficava no meio do quarto e tinha um sofazinho embaixo da janela. De um ficava um criado mudo com um abajur e na parede da porta um roupeiro. A simplicidade do lugar e aconchego me encantaram desde a primeira vez que estive aqui.

Me virei para Samantha que observava o lugar com mais atenção do que eu e soltei uma risada. A Sra. Turner nos cedeu algumas peças de roupa para passarmos a noite, enquanto as nossas iam para a secadora. Da forma como Sam carregava as coisas e observava em volta, podia muito bem ser confundida com uma presidiária.

- O que foi? Não gostou? - Perguntei me sentando de um lado da cama e tirando os sapatos.

- Não é isso. É só... Diferente aqui, não acha?

Fiz o possível para segurar minha risada, mas não tenho certeza se consegui.

- Está falando sério? Tá ligada que isso daqui é um pensionato, não um hotel cinco estrelas, né?

- É, eu sei. Mas aqui não tem nem frigobar. É diferente.

- Ah, céus! Ela está mesmo falando sério - falei mais para mim do que para ela. - Samantha, nem todo mundo vive com o mesmo luxo que você e deveria saber disso. Pessoas ricas, quando não tem para onde ir, vão para hotéis caros. Quem não tem dinheiro, normalmente ficam em pensões, por ser mais dentro do orçamento, sabe?

Ela se sentou do lado oposto da cama, parecendo um pouco desconfortável.

- Você parece conhecer aqui muito bem.

- E conheço. Foi aqui onde me hospedei quando vim da fazenda. A Sra. Tunner é uma pessoa muito legal e você deveria ser mais agradecida.

- Não estou sendo má agradecida. Só achei aqui um lugar diferente, não posso? É meio pequeno para caber muita gente, mas ao mesmo tempo é tão... Convidativo e familiar. É claro que precisa de uma boa reforma, mas eu gostei daqui.

A chuva lá fora caia sem dó e, por um instante, me peguei pensando em minha avó e nas plantações. Se parar de chover em algumas horas, isso será bom para as plantas. Ainda me lembro de quando era criança e os trovões me assustavam. Eu sempre corria e me deitava entre meus avós e meu avô começava a cantarolar, para que eu esquecesse o temporal do lado de fora. Depois, quando amanhecia, estava de volta em meu quarto.

Respirei fundo para evitar o nó na garganta e bati as mãos nas coxas quando levantei.

- Então enquanto aprecia a vista, vou tirar essa roupa. Te aconselho a fazer o mesmo enquanto estou fora. Duvido que vá querer usar o banheiro comunitário.

- Não é uma suíte? Isso é um pouco errado. Cadê a privacidade?

Revirei os olhos.

- Tchau, Samantha - antes de sair, pego minhas roupas emprestadas e encaro ela. - Ouvindo você falar assim, gostaria de saber em que mundo esteve nos anos em que seu pai ferrou com seu dinheiro.

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