Capítulo Vinte e Três

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Olhar para a mulher em minha frente era como vários socos e pontapés me acertando ao mesmo tempo

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Olhar para a mulher em minha frente era como vários socos e pontapés me acertando ao mesmo tempo. Queria sair dali, vomitar, gritar, fazer qualquer coisa, menos estar cara a cara com ela.

Minha avó tinha me ligado na quarta feira de manhã para contar a grande novidade: Adeline Hudson estava de volta. Veio com um papo de que ela estava arrependida e agora que meu avô morreu, queria cuidar da mãe. Grande merda. Quando Ethan morreu ela nem para se preocupar. Nem comigo, nem com os pais, ou a própria neta. Vinte e três anos e, de repente, me sinto aquela garotinha que chorava todas as noites querendo a mãe. Afastei  essas poucas lembranças e ergui a cabeça. Mantive minhas expressões o retrato da indiferença.

— Vai falar, ou ficar me encarando?

— A moça que está com você... Vocês parecem bem próximas — ela falou olhando para trás, como se pudesse ver Samantha.

— Pois é. Não gosto de estranhos por aqui.

Pela forma como enrijeceu os ombros, o alvo foi atingido. 

— Olha, Alexandra, eu sei que você está com raiva. Entendo isso, de verdade. Mas só quero a chance de me explicar. Devo isso a você

— Você devia isso a nós. A mim e Ethan. Mas ele não está aqui, está? Você ao menos sabia que ele estava morto? Que ele foi morto? — quando ela não sustentou o olhar no meu, foi impossível segurar a risada. — Todo esse tempo, você sabia?

— Eu não estava em condições de fazer nada. E além disso, o que queria que eu poderia fazer?

— É claro que não... Você nunca teve condições para nada, não é? Nem sequer para cuidar de seus filhos. Preferiu muito mais jogá-los na responsabilidade dos seus pais. Sua neta, para mim, seria um bom motivo do que poderia fazer.

— Eu tinha meus motivos, Alexandra! — Adeline disse em um tom mais alto do que um minuto atrás.

— Aposto que sim — cruzei os braços, esperando ela continuar. Não me sentei em momento nenhum e ela também não.

— Você pode não concordar, mas tente entender. Eu era inexperiente, muito jovem e imatura. Foi melhor para vocês assim.

— Assim como também foi melhor você desaparecer por todos esses anos? — Suspirei impaciente. — Pouco me fodo pelos seus motivos. Meus avós cuidaram de nós e tudo o que sou, tudo o que Ethan era, devemos a eles. Educação, princípios, tudo. Tem noção do quanto era duro saber que você foi abandonada pela própria mãe? Que ela se cansou... da responsabilidade e se mandou?

Adeline não respondeu. Engoliu em seco e esperou até que eu falasse mais, mas não falei. Não havia nada o que falar.

— Estou de volta, Alex. Podemos recuperar um pouco do tempo perdido. Vim para cuidar da minha mãe. Posso cuidar de você também, se quiser.

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