Capítulo Sessenta e Seis

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Eu juro que se um dia Alexandra vier com histórias de apimentar a relação usando algemas, eu saio de casa na hora

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Eu juro que se um dia Alexandra vier com histórias de apimentar a relação usando algemas, eu saio de casa na hora. Tinha me esquecido o quanto odeio essas coisinhas repugnantes.

A única certeza que eu tinha era já fazia mais de duas horas que estava dentro dessa cela e nada de Alex chegar. Será que tinha dado alguma coisa errada? Sei que eu meio que surtei lá, mas eu não precisava ir para a prisão, precisava? Além do mais, não menti em nada.

Há alguns tempo — pouco depois de eu voltar para a casa dos meus pais —, em uma dessas conversas que sempre tive com Mike, comentei que estava cansada do meu pai ficar controlando meu dinheiro e que o queria de volta, quando ele comentou sobre a mãe dele ser advogada. Na época, ela não me cobrou nada e nunca vou deixá-la de agradecer por isso. Por outro lado, o processo não deu em nada, é claro.

Foi nessa época que Lizz me ensinou o que era violência patrimonial e me mostrou todos os outros tipos que eu havia citado no testemunho. Aquilo, talvez, tenha me tirado de mim. Não apenas pela revolta que sempre voltava a sentir quando tocavam nesse assunto, mas também por Mitchell sempre saber de tudo e nunca mover um dedo para me ajudar. E agora aquele advogado medíocre, que foi arrumado sabe-se lá em qual buraco, querendo usar isso a favor do cliente dele. Isso porque não me deixaram falar sobre quando eu fui demitida da S.A.U.  por causa de um assunto que eu não tô há nada a ver. Estava cansada deles sempre conseguindo tudo.

Me levanto no momento em que comecei a ouvir passos no corredor. Não dava para ver muita coisa, mas consegui vizualizar duas sombras. Logo, a oficial que me trouxe e Lizz estavam em minha frente. A advogada não parecia muito feliz, mas agradeceu quando a porta da cela foi aberta. Fiquei olhando elas com expectativa.

— Podemos ir.

Não esperei ela dizer se novo. Apenas peguei meu blazerzinho preto e saí dali. Refizemos o caminho que elas tinham feito há pouco , o que não era muito longe da recepção. Não tinha nada demais nos corredores: as paredes eram pintadas num tom de verde, que mais parecia grama morta. As celas eram cubículos de um e meio por um e meio, no máximo. O ambiente era frio, feio e sem vida. Já na recepção, as coisas melhoravam um pouco, embora seguisse o mesmo padrão de cor. Esperei enquanto Lizz conversava com o delegado, apontando para mim de vez em quando.

Quando finalmente saímos, fomos pelos fundo, pois havia curiosos demais esperando na frente da delegacia, assim como estavam na entrada principal do tribunal. Alex estava nos esperando, encostada na porta do carro. Era óbvio que ela não deixaria a situação passar batido.

— Olha para você, Mia Colucci, toda rebelde! — debochou.

Fechei os olhos e respirei fundo, me recusando a responder isso.

— Por que demoraram? — perguntei ao invés.

— Bem, eu passei o dia inteiro enfiada naquele lugar, então quis esperar para saber qual seria a sentença e como você não ia a lugar nenhum... E também levou um tempo até pegar o dinheiro, pagar e a burocracia toda.

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