Capítulo Quatro

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Definitivamente, meu pai é um merda

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Definitivamente, meu pai é um merda. Às vezes acho que ele esquece que não tenho mais dezoito anos há alguns bons anos, mas é claro que ele não se importa com isso. Céus! Ainda me lembro do dia em que ele me expulsou de casa, dez anos atrás. Se eu dissesse que já superei, estaria mentindo.
Dois anos atrás, quando voltei, foi a pior humilhação da minha vida. Por ser um banqueiro de suma influência, ele conseguiu fechar todas as portas possíveis para mim: fui demitida do meu emprego, tive contas bloqueadas, não conseguia arrumar trabalho nenhum. Com o tempo, todas as economias foram acabando e, se eu não quisesse morar na rua e começar a pedir dinheiro, minha única opção era voltar para o covil que agora chamo de casa outra vez. Minha mãe e meu irmãos não fizeram nada contra a decisão, ou contra as sabotagens dele para comigo. Não que eu esperasse o contrário deles, mas sei lá, talvez algum tipo de apoio.

Na semana passada quando cheguei em casa depois do jantar, não me importei em deixar eles falando e falando. Era como se minha cabeça estivesse em outro lugar, como na conversa que tive com Alexandra. Não suporto o fato dela pensar que tenho tudo nas mãos, ou que trabalho por aqui por conta do meu relacionamento com o chefe. Zach é um cara legal, mas é só isso. Nunca gostei dele para um envolvimento amoroso e nunca vou gostar, apesar de nos entendermos bem.

- Samantha, acorda! - Pisquei com os dedos brancos de Alex estalando perto demais do meu nariz.

- O que foi, Alex? - Perguntei olhando ao redor, tentando encontrar o que tinha perdido. - Desculpe, não estou num bom dia.

- Esse é o problema! Você nunca está está em bom dia e está nos atrasando.

Suspirei, no intuito de evitar uma resposta grosseira que, diga-se de passagem, é o que ela merece. Alex sabe como me irritar, tocar na ferida. Com toda a postura imponente e chamativa, ela sabe me desestabilizar. Agora, vestida com suas roupas pretas costumeiras, ela consegue fazer isso e eu simplesmente não entendo porquê.

- Se atrazasse tanto você, com certeza, já teria ido reclamar com o chefe.

- Não sei, Samantha, isso certamente me faria perder a promoção. Não gosto de arrumar problema com as preferidas do chefe - senti a implicância como um soco no estômago. Se me olhasse no espelho, tenho certeza de que estaria vermelha nesse momento. Me inclinei sobre a mesa e serrei os punhos.

- Já falei para não falar disso aqui - resmunguei baixo, para que ninguém do lado de fora da sala ouvisse. - Ou em qualquer outro lugar. Não pode simplesmente esquecer que falei isso? Você tinha me embebedado!

Alex gargalhou exageradamente.

- Eu embebedei você? Faça-me o favor! Eu coloquei o vinho na taça, se você bebeu, não foi responsabilidade minha.

- Me fez falar coisas que eu não queria.

- Mais uma vez, você foi totalmente responsável pelos seus atos - ela retrucou com indiferença.

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