Capítulo Sessenta e Cinco

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Nunca pensei que eu fosse me sentir uma gostosa para assistir alguém se dar mal

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Nunca pensei que eu fosse me sentir uma gostosa para assistir alguém se dar mal. O pior de tudo era que eu estava realmente satisfeita por isso.

Mexi nas roupas de Samantha até encontrar uma camisa social que ficasse boa em mim, até que achei uma roxa escura e fechada, como a cor de uma uva. Se eu soubesse que ela tinha aquela peça antes, tinha roubado há séculos.

Junto com a camisa social, que agora era minha, estava usando uma calça jeans preta e os meus coturnos de sempre. Eu não queria parecer uma religiosa, com todos os botões da camisa fechados, mas também não podia parecer que estava me oferecendo, então deixei apenas os dois botões de cima abertos. Com o cabelo um pouco mais crescido, as pontas dele praticamente encontravam a gola da camisa. Não vesti nenhuma jaqueta, para o meu desagrado.

Samantha também não estava nada mal. Estava usando um vestido vermelho de mangas longas e a barra do vestido alcançava dois dedos acima do joelho, um colar de pérolas, saltos e um blazer preto. Francamente! Eu seria manipulada por essa mulher qualquer que fosse o lugar em que eu estivesse. Poderia fazer com que ela desviasse do caminho do tribunal, só para eu ter o prazer de tirar aquela roupa dela. Uma pena estarmos em cima da hora.

— Não se esqueça: o promotor vai tentar intimidar, extrair o máximo de coisas de você, mas não se assuste. Tente agir o mais natural possível, porque se ele perceber que está ficando nervosa, vai se aproveitar disso — a advogada explicava para Sam, que parecia estar prestes a abrir uma cratera no chão, de tanto andar de um lado para o outro.

— Por que não posso ver meus irmãos? Eles devem estar aflitos também — questionou Sam.

— Eles estão bem, na medida do possível. Também receberam orientações e sabem o que devem fazer. Sua mãe está dando o testemunho dela agora — apontou para a tela que tinha ali. Não dava para ouvir nada, mas parecia que Claire estava falando em linguagem de sinais, porque gesticulava mais com a mão do que tudo. — Não sei dizer quem será o próximo, mas é bom estar preparada.

— Estou com medo. E se isso se virar contra mim? — choramingou Pingo.

— Se fizer como combinamos, não vai.

Samantha balançou a cabeça, concordando, mesmo que não tivesse prestando muita atenção.

— Tudo bem, então. Eu acho.

— Escute, Sam — chamou a advogada, tentando manter a cliente calma. — Esse julgamento não terá júri, apenas o juíz e promotor, além de ser fechado. Consegui mexer uns pauzinhos e fazer com que Alex e eu fiquemos lá dentro com você, mas não poderemos te ajudar. Lá, a única ajuda que terá foram nossas conversas, entendeu? Mas eu tenho certeza de que você vai se sair bem.

Fiquei olhando de uma para outra. Sempre achei que elas se conheciam de outros carnavais, mas agora isso parecia estar se confirmando. Eu conhecia o olhar de Sam, quando ela confiava em uma pessoa. Quer dizer, a mulher era advogada dela e tudo mais, mas tinha mais coisas ali.

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