Capítulo Trinta e Três

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O vento frio das madrugadas era tão cortante que a cada lufada, seu corpo estremecia. Ainda não tinha perdido a conta dos dois, embora não fosse possível enxergar a luz do sol ou da lua.  Nem mesmo contava pelas refeições, que parecia mudar de horário constantemente. Apenas o frio fazia com que diferenciace um dia do outro. O peito nu do homem estava com vários cortes, assim como os braços, a barriga e até mesmo o rosto. É claro que os ingratos de seus filhos não viriam atrás dele. Deixariam que ele morresse de frio, ou de dor. Mais uma corrente de ar invadiu o cubículo onde estava e ele xingou.

Para ser sincero, não sabia para que estava vivo, já que seus sequestradores não pediram resgate. A morte lenta era um inferno! As noites eram longas e, durante os dias, era um tormento atrás do outro. Talvez ele enlouquecesse antes de morrer. Mas... se os malditos não querem dinheiro, por que ele ainda estava ali? Ah, quando ele pegasse o desgraçado por trás disso, faria dele picadinhos bem medores do que a distância de seus cortes.

Seus guardas não o deixavam usar o banheiro fazia dois dias. As calças ainda estavam molhadas devido a última vez que urinou nelas e tinha um balde — a porcaria de um balde decrepdo — no canto do quarto. Isso era humilhação demais. Ele era Harold Charlie, o banqueiro mais poderoso da cidade. Se fosse para ser mantido em cativeiro, que fosse pelo menos algo mais o nível dele. O lugar tinha apenas um balde cagado, um colchão em farrapos que ele dormia — e não se deram nem ao trabalho de deixarem um travesseiro e um cobertor —, uma cadeira onde era amarrado diariamente para a sessão de tortura e a mesa onde normalmente os objetos eram apoiados. Era abafado e o cheiro horrível de mofo, fazia com que o banqueiro espirrasse e coçasse o nariz sem parar. As paredes de madeira faltava pouco para desabarem, de tão úmida que eram.

Harold perdeu a noção do tempo e finalmente se deu por cansado. Mesmo com os cortes e o vento frio, se deitou naquilo que chamavam de colchão e adormeceu. O velho banqueiro não costumava sonhar, mas sonhou esta noite.

Ele estava em sua sala, no banco do qual era dono, revisando alguma papelada importante

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Ele estava em sua sala, no banco do qual era dono, revisando alguma papelada importante. Alguém bateu na porta e esperou sua autorização antes de entrar.

— Entre — ordenou.

— Tem um minuto para mim, ou devo voltar outra hora?

Um sorriso se formou nos lábios do homem. Tirou os óculos e os colocou na mesa com cuidado.

— É claro que tenho um tempo para você!

Harold observou a filha mais velha enquanto ela entrava. Estava usando um terninho cinza claro, camisa social branca por fora da calça jeans. Os saltos pretos faziam eco quando atingiam o chão. A mulher sentou-se na cadeira em frente ao pai e abriu um sorriso encantador.

— Sentiu minha falta por aqui?

— Você sabe que sim, querida. Como foi a lua de mel?

Samantha sorriu para o pai. O velho banqueiro estava feliz e orgulhoso em ver como a filha estava bem. Recentemente, a moça tinha se casado com o filho de um de seus melhores investidores e com certeza o casamento traria grandes benefícios ao banco. Samantha agora passaria a ser chamada de Sra. Stone, o que soava como música aos ouvidos do pai.

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