Capítulo Vinte e Nove

1.3K 135 16
                                        

Estava vestida como uma personagem mercenária de vídeo game, e no meio de uma cena de possível latrocínio

Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.

Estava vestida como uma personagem mercenária de vídeo game, e no meio de uma cena de possível latrocínio. Isso só não era mais constrangedor do que estar sozinha com os irmãos de Samantha. Com Sam e sua mãe para seja lá aonde foram, voltei para a sala e só encontrei Cory e Maddison. Ótimo.

— Vocês estão bem? Precisam de alguma coisa? — Perguntei, tentando esconder o fato de que eu não estava à vontade.

— Estamos bem. Fomos poupados — o mais velho falou e assenti. Outro silêncio constrangedor caiu sobre nós. — Obrigado por vir. Vocês duas, na verdade.

— Não queríamos atrapalhar a noite de vocês, de toda forma — completou a mais nova.

— Apesar de tudo, Samantha se importa demais com vocês. Se posso ajudar, faço isso por ela.

Os irmãos Charlie engoliram em seco e Maddison ficou com as bochechas coradas, provavelmente se lembrando de todas as merdas que já falou para a irmã mais velha.

— Sabemos disso. Sam sempre nos colocou em primeiro lugar, e foram rara as vezes que fizemos o mesmo — o rapaz disse.

Observei os dois com mais atenção. Sabia que Cory já tinha feito muito por Sam; que sempre a ajudava e que ele estava, de alguma forma, envolvido com lance do cheque de Sam. Já Maddison... Riquinha babaca que assumiu ter pisado na bola tarde demais e agora fica com essa cara de cão arrependido. Foda-se que essa garota "era praticamente uma criança quando tudo aconteceu", porque isso não é motivo para ter pisado tanto na irmã. Mesmo que eu tentasse ser empática com eles agora, não conseguia. Se fosse sincera até comigo mesma, diria que o mundo será um lugar melhor sem Harold Charlie.

— Onde posso encontrar a irmã de vocês? — Perguntei, tentando clarear os pensamentos.

— Ela deve estar no quarto com a mãe. Segundo lance de escada, terceira porta à esquerda — A caçula informou e murmurei um obrigada antes de seguir.

Chegar a esta casa e dar de cara com a polícia me deixou um pouco desnorteada. De certa forma, me lembrei de quando a polícia me ligou dizendo que haviam o encontrado. Como a cidade mais próxima à fazenda era bem pequena, todos se conheciam ali e como eu era a pessoa no contato de emergência do telefone de meu irmão, me ligaram. Ainda lembro perfeitamente do baque que levei e de como milhares de coisas passam por nossa cabeça em um único segundo. Quando os meninos ligaram para Samantha, entendi o choque que ela ficou. O canalha é — ou era — o pai dela e em algum momento da vida dela, os dois foram próximos. Era por ela que  tomei a liberdade de falar com Cory ao telefone, de acompanhar a polícia até a porta e, agora, me dirigir até o quarto.

Conforme me aproximava, conseguia ouvir as vozes quase sussurradas de mãe e filha, embora o que falassem só fui entender quando me aproximei mais da porta.

— O quê? Não, você não está falando sério — Samantha falava exasperada. Tive a sensação de que ela andava de um lado para o outro no quarto fechado.

Sob teu olharOnde histórias criam vida. Descubra agora