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Decepcionado com a reação de seus pais, Gillian não quis preocupar Jean, por isso não ligou para ele, mesmo que os dois haviam combinado de se falarem assim que a conversa com seus pais terminasse.

As palavras de seu pai o machucara, mas também havia dito palavras que não desejava ter dito a ele, e por mais que sua mãe quisera dar uma de remediadora, a atitude dela também não foi a esperada, e isso fazia o rapaz estar duplamente mais chateado.

Aquela noite Gillian passou em claro, e quando amanheceu saiu do quarto carrancudo e encontrou sua mãe sentada, ela o olhou e bateu no assento ao seu lado com a mão, Gillian em silêncio obedeceu sentando-se ao seu lado:

_ Gillian, eu passei a noite toda em claro, pensando em tudo o que houve aqui na tarde de ontem.

_ Os meus sentimentos não estão em questionamento mãe.

_ Gillian eu te amo, você é meu filho, não precisa ficar na defensiva comigo, por mais que eu não concorde com isso, vamos sentar e dialogar sobre o assunto, eu juro que queria te apoiar em todas as suas decisões, mas nem sempre isso vai acontecer.

_ E o que isso quer dizer exatamente mãe, que a senhora não irá me apoiar?

_ Eu não acho certo, não é o que eu quero para você, mas não posso virar as costas para você, você é meu único filho, e se esse rapaz te faz feliz, mesmo passando por cima do que acho certo eu vou te apoiar.

_ Eu te amo mãe, quando conhecer o Jean vai perceber do que eu estou falando, ele é a pessoa mais especial que existe.

_ Eu acho que ainda não estou preparado para conhecer esse rapaz Gillian, me dê mais tempo para que eu trabalhe isso em mim. Olha não estou recusando de conhecê-lo, só preciso de mais tempo.

_ Certo, não posso exigir mais, não quero trazer o Jean aqui para ser tratado com hostilidade.

_ Eu jamais trataria o rapaz assim Gillian.

_ Jean mãe, o nome dele é Jean,

_Tudo bem Gillian, isso é muito novo para mim, e eu preciso de mais tempo para conhecer o seu amigo... Jean.

_ Ele é muito mais que meu amigo mãe, é o meu namorado.

_ Gillian não dificulta as coisas, ontem você acusou seu pai e eu de homo fóbicos e isso não está certo, você nem sequer me disse nada, se eu soubesse teria me preparado para a conversa com o seu pai.

_ Não mãe, isso deveria ser natural, afinal é a minha felicidade que deveria importar.

_ E é exatamente com a sua felicidade que estamos preocupados meu filho.

Solange segurou as mãos de Gillian:

_ Somos apenas nós dois aqui filho, eu sou sua mãe, acha mesmo que eu não daria minha vida pela sua felicidade?

_ Não foi o que me mostrou ontem, ao contrário me pareceu que ficou do lado do meu pai com aquele pensamento retrógrado.

_ Nenhum de nós estávamos esperando por isso Gillian, tente entender, nós fomos criados com um pensamento do que é certo e do que é errado.

_ A senhora continua batendo na tecla do que eu sinto é errado.

_ Não, eu nunca disse isso, só disse que preciso de mais tempo para digerir isso.

_ Se precisa de tempo é por que ainda não aceita.

Solange baixou a cabeça sem querer encará-lo:

_ Vou encarar isso como um sim.

O rapaz fez menção de se afastar, mas Solange foi mais rápida a segura-lo pelo braço:

_ Gillian, em situação assim nós dois temos que ceder filho, nem tudo pode ser levado a ferro e fogo, é difícil para você entender a mim e a seu pai, mas também é difícil para nós o entender.

_ O quão difícil é mãe entender que eu gosto do Jean não pelo sexo que ele possui, mas pela pessoa que ele é?

Solange chegou-se mais perto de Gillian e o abraçou:

_ Se você está feliz com esse rapaz, eu vou sempre te apoiar meu filho. Se quiser pode trazer esse rapaz aqui para que eu possa conhecê-lo.

Gillian percebia a sinceridade nas palavras de sua mãe:

_ Irei conversar com o Jean e então marcaremos um almoço para vocês conhecerem um ao outro.

_ Tudo bem filho, me avise para que eu possa preparar um almoço especial. Gillian...

_ Fala.

_ Você vai ligar para o seu pai?

Ele fez uma careta e ainda que com aquela expressão ela já havia entendido, ele entredisse:

_ Ele disse que prefere me ver em um caixão do que me ver agarrado a outro homem, não acho que ligar para ele nesse momento vai mudar alguma coisa, a essa altura do campeonato minha mãe, não é apenas uma ligação que mudará nada, ele me disse palavras demasiadamente pesadas.

_ Você também falou Gillian, eu conheço o Alberto, ele é orgulhoso demais para te pedir perdão, você é mais maleável filho, não deixa que a mágoa faça um muro entre vocês.

_ E por que não? _ Se ele não fosse tão intolerante ele jamais sairia daqui como saiu ontem, eu não reconheço o homem que saiu arrastando a mulher e os filhos daquela forma.

Solange engoliu seco:

_ Gillian, eu sei o amor que seu pai tem por você, e você por ele.

_ Amor assim eu dispenso, um amor que só existe quando você concorda com o que ele pensa, se discorda deseja até a morte.

_ Não é assim Gillian.

_ Sim é sim, ele é egoísta, só pensa nele, abandonou a senhora por que tinha engravidado a Gláucia e agora quer bancar o moralista, é um hipócrita isso sim.

_ Eu não gosto disso Gillian, não gosto de ver você com esses pensamentos, seu pai e eu não tínhamos um casamento feliz, por isso nos separamos, vivíamos brigando e eu não queria que você crescesse em um ambiente assim, nós ainda estávamos morando juntos sim, mas não vivíamos mais como marido e mulher quando ele se envolveu com a Gláucia.

Ela respirou fundo e então voltou a dizer:

_ Procure o seu pai, tenha uma conversa franca com ele, assim como nós tivemos, tenho certeza de que ele te ouvirá.

_ Não mãe, se ele prefere me ver em um caixão, é como se eu já tivesse morrido para ele, e é assim que as coisas irão continuar.

As palavras eram emitidas com uma agonia pesarosa. 

Meu ex - O tempo não paraOnde histórias criam vida. Descubra agora