CAPÍTULO 26

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O casal subiu as pedras e se sentou, a mulher era alta e forte, os cabelos dela eram exatamente da mesma cor dos cabelos de seus irmãos, lindos, flamejantes.
Leotie mirou na praia, então Augustus e Bob estavam com a irmã desaparecida? As mulheres da tribo dela sempre suspiravam quando falavam dele e Leotie entendia. Ele era gigante e lindo, os cabelos eram claros, dourados, bem diferentes dos cabelos loiros misturados com vermelho do outro.
Ela não conseguia ouví-los, mas se aproximar mais poderia denunciar que estava ali, então Leotie estava em dúvida.
Eles não a machucariam, mas ela sentia que os ânimos deles estavam exaltados. A curiosidade, porém a queimava.
Por que Augustus se sentou com a irmã desaparecida no colo? Como ela poderia ter sobrevivido ao lobo branco? E onde o senhor Lazarus estava? Leotie se lembrava de uma visita dele a casa dela, quando ela era uma menininha. Ele lhe encarou e alisou as bochechas, Leotie riu, ele sorriu. Presas! Ele tinha presas. Mesmo assim o senhor Lazarus foi durante muito tempo o homem mais bonito que Leotie já tivesse visto. E então, um dia, Augustus apareceu. Ele e Bob. Leotie já era adolescente, ela não conseguiu olhar nos olhos deles. Depois que se foram, as mulheres falaram durante semanas dos dois, dos olhos incomuns deles. Assim como agora na tribo dela o assunto eram os olhos do loiro. Dourados e azuis. Adsila jurava que as cores pareciam dançar, o dourado se misturando ao azul. Angel era o nome dele.
A mãe de Leotie só disse uma coisa sobre ele e, ainda que ela falou no meio do grupo, Leotie sabia muito bem que era um aviso para ela. Sua mãe disse que ele tinha cabelos de anjo, loiros, com mechas de fogo, para indicar que ele poderia muito bem ter parte com o inferno, assim como os olhos azuis como o céu estavam misturados ao marrom da terra, o que deixava no mínimo uma dúvida: o que o atraía mais? O brilho do sol no céu, ou o fogo na terra? Sua mãe tinha dito e as jovenzinhos ficaram em silêncio, pensando, Leotie baixou os olhos.
Doya era seu destino. Ele era bom, justo e seria um ótimo marido. Leotie estava bem com o que o destino preparou para ela. Ela tinha sido afortunada. Não havia dubiedade nele, ele era exatamente o que a fisionomia calma, os olhos e cabelos castanhos expressavam: segurança e estabilidade.
O engraçadinho, Candid, e Augustus se enfrentaram, Leotie de longe sentia a brutalidade deles. Não era difícil sentir o ar animalesco neles, até as duas mulheres tinham um ar selvagem. A que estava nas pedras, mais que a que tinham ido procurar. Leotie nunca viu uma mulher fazer o que ela fez, ela pegou Augustus pelos cabelos e o jogou longe. Ela devia ser muito forte.
Ela passou a mira por entre eles e não resistiu a olhar no rosto de Angel. O tal Simple jogou um passarinho no ar e Angel riu, ele ficava ainda mais bonito rindo.
E quando ela ia tirar a mira do rosto dele, ele piscou e sorriu para ela, Leotie quase atirou. Ele fez sinal para ela, Leotie não viu alternativa que não obedecer. Ela estava muito longe, ele a via como se ela estivesse bem perto. Eles sempre souberam que Leotie e Weeko os espiavam.
Ela subiu em sua moto, foi até eles e quando chegou na praia o casal tinha descido. Leotie viu que o homem que estava com a outra moça ruiva era idêntico a Bob! A única diferença eram os olhos e os fios brancos do cabelo de Bob. Leotie não olhou muito para ele, de alguma forma a possessividade da moça ruiva a fez ter receio de ser vista usando a mira do rifle para examinar as feições do namorado de outra mulher.
Mas inclusive os olhos desse rapaz eram como os do senhor Lazarus. O que era muito estranho na opinião de Leotie.
"Oi. Onde está o seu irmão?" O rapaz moreno perguntou, Salvation era o nome dele.
"Eu estou sozinha." Ela disse, o líder dos leãozinhos fez um som de pouco caso com a boca.
"Vocês tem muito a explicar, então, comecem." Ele disse olhando de forma malévola para Augustus e Bob.
Augustus abraçou a irmã dos leãozinhos, ela se deixou abraçar, Augustus fez sinal para Bob.
"Que tal nos sentarmos? E, talvez ela não devesse estar aqui." Ele apontou para Leotie, mas o líder fez um sinal com a mão.
"Ela não vai contar nada, eu cuidarei disso. Candid? comida." Ele disse e se sentou.
O outro casal também se sentou, a ruiva olhava um pouco desconfiada para Leotie, Leotie se sentou também.
"Angel, mova esse seu traseiro gordo e me ajude a fazer fogo." Candid disse e ele e Angel se afastaram.
"Eu me sinto muito estranho. Podem me explicar o que aconteceu?" O namorado da ruiva pediu, Bob sorriu. A semelhança era incrível.
"Quer tirar uma foto? Por que se não quer, tire os olhos do meu macho." A ruiva disse e ela também tinha presas.
Leotie arregalou os olhos.
"É, eu tenho presas. E sei usá-las muito bem." Ela disse.
"Eu... É que ele e Bob se parecem muito. Me desculpe se eu fiquei olhando." Leotie disse.
"Daisy! Ela não vê pessoas como nós todos os dias." A outra disse. Leotie a achou tão bonita! A brava, Daisy, também era muito bonita, mas havia uma delicadeza nas feições daquela outra moça, seus olhos eram firmes, mas bondosos.
"De onde você conhece Bob?" Salvation perguntou.
"Ele já foi na minha casa. E Augustus também." A moça o encarou, Augustus deu de ombros.
"Fazemos negócios com eles às vezes, só isso." Ele explicou, a moça rosnou baixo.
"Só?" Ela perguntou a outra riu.
"Ora, Violet! Ele só foi na casa dela, nada demais." Ela disse, Violet encarou Leotie e os olhos dela ficaram vermelhos, Leotie deu alguns passos para trás até bater num corpo quente.
"Calma!" Leotie não se virou, ela tremeu com a ira que viu nos olhos de Violet.
"Ele é meu! Meu!" Violet saltou sobre Leotie, Angel, o corpo quente no qual Leotie bateu, tomou a frente dela e aparou o ataque de Violet. Augustus rosnou.
"Solte ela." Ele disse baixo, mostrando os dentes. Angel olhou para ele e foi o suficiente para Violet soltar uma das mãos e arranhar o pescoço de Angel. O líder, Honest, a segurou, Candid afastou Angel dela, o deitou e começou a pressionar seu pescoço.
Violet rugiu, ela esperneava nos braços de seu irmão, Augustus foi até eles e a puxou. Honest a soltou, Augustus a abraçou com força, falando algo no ouvido dela, até que ela parou de chiar e rugir. Ele a segurou no colo, ela tinha desmaiado.
"Nossa! E eu era a mais selvagem." Daisy disse, Simple riu. Ele ficou à parte, só observando tudo, Leotie o achou mais estranho ainda do que quando o viu na casa dela.
Augustus pegou Violet no colo e se sentou a ajeitando nas pernas dobradas. Ele suspirou.
"Bob, Tadeus não vai aguentar muito tempo, eu tenho de voltar." Bob assentiu, os dois irmãos de Violet rosnaram ao mesmo tempo, Simple encarou Augustus.
"O que você não vai aguentar por muito tempo?" Simple perguntou.
"Não importa, Sim! Ele não vai levar Violet de volta! Por mim, nós não temos mais nada a fazer aqui, Rom está bem, por que não pegamos Violet e vamos embora? Eles são só dois." Daisy disse.
Leotie olhou para Angel ele ainda segurava seu pescoço, mas não parecia mal. Ela foi até ele, ele sorriu.
"Nós brigamos com as garras, não foi nada demais." Ele disse, Leotie mergulhou nos olhos dele e sim, Adsila tinha razão, o dourado e o azul se mesclavam, era lindo!
"Vocês foram nas terras do povo de Leotie? Se foram, sabem que há muitos lá, muitos inocentes. E a algumas dezenas de quilômetros a oeste há a primeira cidade. Com muitos habitantes, não é? Vocês foram lá?" Bob perguntou, Candid deu de ombros.
"Os bares não tem dançarinas, as prostitutas não fazem de tudo. Não gostei muito." Ele disse, Salvation sorriu.
"Se não quiserem que tanto a tribo dela quanto aquela cidade se afoguem em sangue me deixem ir. E com Violet. Vocês viram, ela não é a mesma mais. Bob lhes explicará, mas eu não posso ficar mais. E só saio daqui com ela." Augustus disse, o parecido com Bob, Rom, elevou a voz.
"Sabemos onde Violet está. Eles não tem pra onde ir e precisamos entender tudo. Deixem que ele vá. Deixem que ele a leve." Ele disse, sua voz era solene, ele parecia tão inteligente! Ele olhou para Leotie e sorriu, Daisy rosnou.
"Ela me acha inteligente! Você só me admira pela minha bunda." Ele disse, Leotie riu.
"Sua bunda vai se ver comigo, senhor inteligente!" Ela disse, ele lhe beijou a ponta do nariz. Leotie sorriu, eles se amavam.
"Vá, mas não é a última vez que nos vemos." Honest disse, Augustus subiu a trilha carregando Violet. No alto, perto da estrada, ele a jogou num ombro e correu. Leotie se sentou, os outros também se sentaram.
"Sabe, eu não entendo por que Leotie está aqui." Bob disse, Leotie baixou os olhos.
"Meu irmão morreu, Bob. Se lembra dele, Honaw? Eu estava investigando, eu sou boa em rastrear. Eu vim pela estrada até que vi o carro deles. Dois carros. E então vim para cá." Ela disse, Bob acenou.
"Eu sinto muito pelo seu irmão."
"Os lobos. Eles o mataram." Bob travou o maxilar, Leotie se aproximou mais de Angel que tinha se sentado perto dela.
"Seus homens sempre mataram os lobos também. Talvez se não quisessem caçá-los, seu irmão estaria vivo." Bob disse, com a voz seca, amarga. Os olhos estranhos estavam mais frios.
"É. Eu sei. Mas nossas terras já foram invadidas, crianças já foram mortas por eles. Meu noivo teve sua irmãzinha morta, dilacerada. Eu quase morri também, um lobo, um cinza, me encurralou. Meu pai atirou nele e me salvou. Acha que meu pai deveria ter deixado o lobo me matar?" Leotie perguntou, Bob baixou a cabeça.
"Isso começou a mais de cem anos, se houvesse um modo de acabar com isso, nós faríamos. Mas já tentamos de tudo. Augustus é o melhor que temos." Ele disse.
"Você está noiva?" Angel perguntou, Leotie ia responder quando Candid começou a rir.
"Se fodeu, Angel! Cara, você é azarado demais! Acho que vou ficar longe de você, seu azar pode ser contagioso!"
Leotie assentiu com a cabeça, ela não entendeu a piada de Candid. Será que...
"Comece pelos lobos. O que eles são?"
Honest perguntou a Bob, Bob suspirou.
Candid veio servindo pedaços de carne em pratos de papel, o fogo que ele fez só aqueceu a carne, Leotie se negou a comer. Bob também não quis.
Todos os outros comeram, Daisy comeu um pedaço da carne do namorado dela, Simple riu.
"Eles são lobos. Como quaisquer outros." Bob disse, Leotie se viu falando:
"Não. Eles são maiores. O lobo branco é quase do meu tamanho. Com as quatro patas no chão, não em duas patas. Ele é muito grande." Ela contou.
"Você é que é muito pequena, já pensou nisso?" Daisy disse, Leotie a encarou.
"Quantos lobos você conhece? Esse lugar é infestado de lobos e eu posso te garantir que existe um tamanho padrão. Padrão que não se aplica aos lobos espirituais." Leotie falou olhando para Daisy, ela apertou os lábios.
"É isso mesmo?" Ela perguntou ao seu namorado, ele fez que sim.
"É. Ela tem uma imagem muito boa do tal lobo cinza em sua mente. Olhos vermelhos, cabeça grande, patas poderosas. Que tipo de merda é essa?" Ele perguntou para Bob, Bob suspirou.
"Eles são maiores e mais fortes, eu te dou isso, mas são lobos." Bob disse.
"Vocês os usam." Simple disse, Leotie não entendeu e não foi só ela.
"Mais ou menos. É uma parceria." Bob disse, Honest completou:
"Sim, eu vejo, mas por quê?"
"Podem parar com essa merda! Deixem ele explicar Tim Tim por Tim Tim, eu não vou ficar boiando! Calem a porra das bocas!" Candid disse olhando para seus irmãos.
"Eu também não entendi. Explique tudo, Bob. Desde o início." Salvation ordenou.
"O início começa com meu pai, Lazarus, sendo deixado na floresta. A mãe dele deve ter sido presa, Violet falou numas tais instalações. Onde o pai de vocês cresceu." Ele disse, todos assentiram.
"Sim. E lá ela deve ter sido posta com Wide e engravidou do meu tio. E daí vem o parentesco, irmãos." Honest disse.
"Então, papai não foi criado. E não é híbrido. Não há traços humanos nele, não como há em vocês pelo menos." O namorado da ruiva, Leotie achava que o nome dele era Rom, disse.
"Sim, mas não vamos dispersar. Continue, Bob, por favor." Salvation disse.
"Ok. Meu pai já tinha três anos, ele sabia que tinha de se esconder, sabia caçar e ele tinha um abrigo, então passou anos sozinho nessas florestas, sempre mudando, sempre em movimento. Até que um dia, ele estava a beira de uma dessas estradas e viu um grande caminhão jogar umas caixas num aterro, ele teve curiosidade, e quando se aproximou, ouviu um coração batendo levemente. Eram caixas de madeira, ele abriu e viu uma ninhada de lobos. Eram cinco e quatro estavam mortos, o coração batendo de leve era de uma fêmea. Linda, branquinha." Ele sorriu.
Leotie pensou no senhor Lazarus achando a Lobinha branca. E no dinheiro que ele deu ao avô de Leotie que era o chefe na época. Para ajudar a tribo se reerguer depois do ataque dos lobos.
"Os lobos são seus! Vocês..." Ela se levantou e deu alguns passos para trás. Todo o sofrimento daqueles dias passando pela mente dela.
"É, eu sempre achei que devíamos contar, Leotie. Mas papai via longe, ele disse que não devíamos. Agora, bom, eu te contei."
Leotie tapou os ouvidos com as mãos. Os gritos das pessoas, os uivos, latidos e rosnados dos lobos ecoavam pela mente dela, até que os olhos vermelhos do lobo cinza brilharam, era a pior lembrança que ela tinha daquele dia.
"Como puderam deixar seus lobos matarem meu povo?" Ela perguntou com os olhos transbordando de lágrimas, Bob foi até ela, lhe tocou o braço, ela se encolheu, Angel rosnou.
"Me deixe continuar explicando, Leotie querida. Por favor." Bob disse, Leotie o encarou, uma onda calmante a tomou, Leotie se sentou de novo. Bob sorriu, Angel lhe segurou a mão.
"Tudo bem?" Ele perguntou, ela acenou.
"O que fez com ela?" Simple se aproximou e olhou bem nos olhos de Leotie, ela piscou. Bob tinha de continuar explicando. Ele pediu com tanta delicadeza!
"Deixe Bob terminar, por favor! Ele tem de continuar." Leotie disse, Simple praticamente voou em Bob, foi tão rápido que Leotie gritou. Bob caiu com Simple sobre ele lhe segurando o pescoço, ele rosnava, Leotie abraçou Angel morta de medo.
"Ele tem de continuar a contar! Façam alguma coisa!" Leotie disse, os irmãos de Simple tentaram tirá-lo de cima de Bob, mas ele segurava o pescoço de Bob com muita força.
"O que você fez? O. Que. Você. Fez?"
Bob piscou, Simple saiu de cima dele, Salvation ajudou Bob a se levantar, ele tossiu. Leotie se aproximou de Bob.
"Você tem de continuar a contar, Bob." Ela disse, ele sorriu, um sorriso estrangulado, ela esperou.
"Que porra está acontecendo, Sim? Eu sei que você está louco, mas dá pra nos dar um descanso? Deixar o cara contar a merda da história?" Candid disse, Leotie sorriu para ele.
"Sim, ele tem de continuar a contar." Ela disse, Candid franziu as sobrancelhas.
"Tá. Isso foi estranho." Ele disse.
"Nós chamamos isso de união de propósitos. Ela quer saber, mas é muito difícil de entender e de absorver, afinal é uma história de morte e tristeza. Usando o desejo dela de querer que eu conte e o meu desejo de contar, algo que eu sempre quis no caso, ela supera os sentimentos ruins que a história trará, os ignora e só quer ouvir. Me ouvir passa a ser importante para ela." Bob disse.
Simple piscou, Leotie olhou para Angel, ele a olhou com estranheza. Todos olhavam para ela, ela olhou para Bob. Ele tinha de contar.
"Continue, Bob. Por favor." Ela pediu, Bob sorriu.
"É claro."
"Papai enterrou os lobinhos mortos e quando ia levar a Lobinha para seu abrigo na época, ele foi atacado. Por uma mulher pequena, talvez da sua altura, Leotie." Ele sorriu, Leotie sorriu de volta.
"Uma humana o atacou?" Daisy perguntou.
"Não, ela não era humana. Mas não era alta como você ou minhas irmãs."
"Uma fêmea presente. De onde ela saiu?" Rom perguntou, Bob ergueu os ombros.
"Ela nunca contou, papai nunca exigiu saber. Acho que por ele ser muito novo na época. Ele tinha uns dez ou onze anos." Leotie achou aquilo muito estranho, mas eles não. Todos assentiram, inclusive Simple, que tinha um ar estranho no rosto.
"Essa união de propósito é feita como?" Ele perguntou.
"Eu conheço Leotie, ela sempre foi muito curiosa, é uma ótima rastreadora. Como a conheço, é fácil. É quase automático." Ele disse.
"Você a chamou de querida, Leotie querida. Precisa dessa palavra?" Bob franziu os lábios.
"Não sei. Eu sempre digo essa palavra, é um carinho. Mas talvez funcione com outra. Não é a palavra ou a voz, é a mente. A minha ligada à dela."
Simple assentiu.
"Bob? Pode continuar?" Ela perguntou, Candid riu.
"Que foda, cara! Gostei disso. E o idiota do Sim não sabe fazer!" Daisy riu.
"Papai a subjulgou, com muita dificuldade, ela sempre frisava isso quando contavam essa história. A levou para seu abrigo e eles ficaram juntos. Quando ela engravidou, do meu irmão mais velho, pai de Augustus, eles subiram para aquelas terras." Ele apontou para o precipício do outro lado da baía.
"E lá eles tiveram muitos filhos."
"Tá, mas e a loba?" Angel perguntou.
Leotie olhou para Simple, ele tinha os olhos nela.
"Mamãe não era uma mulher comum." Bob começou, Daisy o interrompeu:
"Claro que não, ela era uma fêmea presente que não era estéril. Isso é incomum até entre o nosso povo." Bob sorriu.
"Se você diz, mas eu não disse incomum por isso, para mim mulheres engravidam, é natural."
"Nossas fêmeas de primeira geração não." Salvation explicou.
"Que pena! Eu sinto muito por elas." Leotie disse, Angel sorriu um doce sorriso, Leotie se encantou.
"Seu sorriso é lindo. Seus olhos também." Leotie disse, Simple olhou para Bob, Bob sorriu.
"Ela fica mais sincera sob o efeito da união."
"Ela é noiva, Angel, não esqueça disso. O noivo já deve ter tirado o selo dela a muito tempo, ela é gostosa." Candid disse, Leotie não entendeu.
"Não há selos na cerimônia de noivado." Ela explicou. Seria algo do povo dele?
"Há sim, você só não entendeu." Candid disse sorrindo, Daisy lhe deu um soco na cara.
"Idiota." Ela disse.
"Bom, mamãe tinha um probleminha. Ela se enfurecia rapidamente. E quando digo enfurecer, estou dizendo enfurecer mesmo, algo como uma fúria assassina."
"Sede de sangue." Honest disse.
Leotie arregalou os olhos. Eles...
"Vocês bebem sangue?"
"Não, é só uma maneira de falar. Na sede de sangue, há uma fúria assassina que é tal que esgota as forças do macho em questão. Mas dá para controlar." Simple explicou.
"Violet estava com os olhos vermelhos. Ela..."
Bob fez que não.
"Não. Não como seu irmão. Pride, não é? Violet contou. Mas infelizmente não é a mesma coisa."
"Você não o conhece, como pode saber como é?" Rom perguntou, Bob foi até ele e colou suas testas. Os dois fecharam os olhos.
Quando se afastaram, Rom piscou.
"Nossa! É como se você o visse! Eu não consigo guardar uma memória que não é minha desse jeito."
"O que fizeram?" Daisy perguntou.
"Ele tem as memórias de Violet. As conversas, os sorrisos. É como se ele conhecesse Pride, é como se conhecesse todos nós."
"Eu não faço isso sempre. Mas tive de fazer para entender algumas coisas. Eu fiz isso hoje de manhã, Violet nos contou sobre ele, sobre Pride." Bob explicou.
"Então você sabe como Pride fica! Grande coisa! Vê-lo com os olhos vermelhos chorando sangue não significa que você sabe a extensão da sede." Candid disse.
Bob piscou e Leotie pulou quando os olhos dele ficaram vermelhos e uma lágrima de sangue desceu por seu rosto. Ela se agarrou a Angel, ele a abraçou.
"Isso é só o primeiro estágio. A fúria, a loucura, ou a sede como vocês disseram, precisa de energia. Seu irmão tem a sede, mas não tem o que a alimenta." Leotie não estava entendendo nada, mas desde que Bob continuasse contando ela ficaria calma. A dor não voltaria.

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