Das cenas que sua mente não bloqueou, cuja memória Samira guarda com carinho, entram as íris caramelo de seu pai na última vez em que ele a olhou no olho. Daquele dia em diante, aprendeu a preciosidade daquele gesto, o olho no olho, íris na íris. Fo...
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A mensagem chegou no celular de Eric no caminho de volta para casa, o qual pegou um táxi ao lado de Zoe.
Ele conferiu o número da mensagem com a chamada que recebera pouco antes, e batiam. Então, era realmente Samira.
– É suspeito – Miho disse, quando Eric chegou em casa e explicou tudo.
– Suspeito é um belo de um eufemismo – Drica despejou e, sob o olhar fulminante de Miho, continuou. – Qual é, Mat disse que pegaram ela. E ela liga horas depois dizendo que está tudo bem? Que é pra encontrarmos ela em uma rua de galpões comerciais? Fala sério, isso é... Na melhor das hipóteses, Samira matou o cara e está fugindo. Por que não simplesmente voltar pra cá, se está tudo bem? Ou dizer o que aconteceu por telefone, se achar melhor? Ou mensagem?
Eles se entreolharam, entre bufadas e lamúrias.
– Drica têm razão – Mat concordou. – Não faz sentido.
– Ela disse que nos explicaria lá – Zoe insistiu.
– Como ela estava no telefone? – Miho indagou a Eric. – Estava nervosa?
– Incrivelmente calma – o homem respondeu.
– Tem certeza que era ela? – Drica provocou, o que o fez revirar os olhos.
– É claro que eu tenho.
– E se ligarmos de volta? – Zoe pensou.
– Caixa postal, eu já tentei – Eric respondeu.
– Ok. – Mat pôs um ponto final nas linhas soltas daquela conversa. – Temos que ir.
– Nós temos? – Drica passou uma das mãos pelo rosto, nervosa. – Isso não me cheira bem.
– Se for Samira-
– Era ela – Eric interrompeu Mat, que prosseguiu:
– Então, ela precisa de nós e... ok, eu fiz algo que disse a David que não faria, mas eu fiz na surdina, não deixei rastros e...
Mateus Caldas se calou sob a atenção dos outros. Ele puxou os cabelos da nuca em um hábito ansioso e deu as costas para eles. Caminhou até o estrado da cama e abaixou-se para ver embaixo dela.
Os outros ouviram o homem revirando as próprias tralhas, até que ele se levantou e trouxe consigo algo em mãos.
Um a um, todos perceberam. Uma arma.
Ele esperou que pelo menos um deles o repreendesse. Miho, talvez. Porque as palavras de David foram claras:
Não tenham nada que não possam explicar se a coisa apertar. Ou seja, nada de armas. Seguidas de um discurso de como eles deveriam ser pessoas normais vivendo vidas normais em uma cidade normal.
Mas era inegável que uma arma viria a calhar perfeitamente agora.
– Sam não sabia, não é? – Drica perguntou. – Porque, se ela souber e tiver contado pra eles e eles estiverem usando ela, então...