Capítulo 53

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A raiva e a frustração tomaram conta de mim enquanto vagava pelas ruas escuras, à procura de vítimas

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A raiva e a frustração tomaram conta de mim enquanto vagava pelas ruas escuras, à procura de vítimas. Eu precisava de sangue, de morte, para acalmar os demónios dentro de mim.

Logo, encontrei uma mulher sozinha numa paragem de autocarro. Era uma presa fácil, exatamente o que eu precisava para aliviar a tensão que me consumia. Aproximei-me lentamente, certificando-me de que a rua estava deserta. Assim que cheguei perto o suficiente, sem hesitar, cravei o punhal no seu coração. O grito que escapou dos seus lábios foi rapidamente silenciado, transformando-se num suspiro de morte. Abri a camisa dela e, com a lâmina ensanguentada, gravei as iniciais "QL" no seu peito, um marco da minha presença.

O corpo dela caiu pesadamente na rua, mas eu não me importava. Limpei o punhal no tecido da sua camisa e deixei o corpo onde estava. O entorpecimento temporário que a morte proporcionava estava a começar a se dissipar e eu sabia que precisava de mais.

Continuei a caminhar, o som dos meus próprios passos ecoavam pelas ruas vazias. Em pouco tempo, encontrei outra vítima: um homem que caminhava apressadamente na direção oposta à minha. Ele não reparou em mim até o último segundo, mas já era tarde demais. Num movimento rápido e certeiro, cravei o punhal no seu coração, sentindo o calor do sangue escorrer pela minha mão. Mais uma vez, gravei as letras "QL" no peito dele e segui o meu caminho.

O sangue que manchava as minhas mãos e roupas era um lembrete da minha própria escuridão. Estava completamente envolta na minha própria raiva e dor, mas algo dentro de mim ainda estava em chamas. Não era o suficiente. Entrei num bar, tentando abafar a tempestade que rugia no meu peito com uma dose de Martini. Mas, ao olhar para o barman, percebi que ele tinha notado algo errado. Ele estava ao telefone, os seus olhos traíam o medo que sentia.

Com um sorriso calmo, levantei-me do banco e caminhei até ele.

— Para quem falas? — perguntei, suavemente, mas o sorriso que lhe ofereci era mais ameaçador do que reconfortante. Coloquei uma mão no seu peito, sentindo o ritmo acelerado de seu coração. — É melhor dizeres que é um erro e desligares isso.

Com as mãos trêmulas, ele fez o que eu pedi, mas já era tarde demais para ele. Antes que pudesse reagir, cravei o punhal no seu peito, tirando a sua vida com a mesma frieza de antes. Marquei as iniciais "QL" no corpo e saí do bar depois de terminar a bebida, deixando o caos para trás.

Enquanto caminhava pelas ruas de volta para casa, o sentimento de satisfação que eu costumava sentir estava ausente. Não era o sangue que me saciava, não desta vez. O meu corpo estava coberto de sangue, mas o peso no meu peito ainda estava lá. E, para o meu desgosto, a única coisa que eu conseguia pensar era no Erick.

Por mais que tentasse afastá-lo dos meus pensamentos, a sua ausência era um fantasma que eu não conseguia exorcizar. Subi as escadas até o meu quarto, o cheiro metálico do sangue estava impregnado na minha pele e roupas. Deitei-me na cama, tentando desesperadamente afastar a imagem do seu rosto, mas os pensamentos não me deixavam em paz.

Enquanto me virava na cama, ainda com os resquícios de sangue a manchar a minha pele, uma constatação perturbadora começou a formar-se na minha mente. Por mais que eu tentasse ignorar, não podia negar que, desde que conheci o Erick, algo tinha mudado em mim. Ele era a única pessoa que conseguia afastar a escuridão que sempre me consumia, o único capaz de me fazer esquecer, ainda que momentaneamente, a minha sede por morte.

Com ele, eu sentia-me livre de um jeito que jamais pensei ser possível. Quando estávamos juntos, toda a raiva, todo o ódio, simplesmente... dissolviam-se. Era como se a sua presença tivesse o poder de me libertar das correntes que me prendiam ao meu próprio inferno pessoal. E agora que ele não estava por perto, a sede voltava com força total, a ponto de me deixar completamente descontrolada.

Finalmente, incapaz de suportar a sensação do sangue seco na minha pele, levantei-me e fui para a casa de banho. A água quente desceu pelo meu corpo, levando consigo o sangue, a sujeira, mas não os pensamentos obsessivos que continuavam a girar na minha mente. Onde caralhos ele estava? O que será que aconteceu? O incómodo no peito crescia a cada segundo e a preocupação que eu tentava esconder de mim mesma começava a transformar-se em desespero.

Enquanto a água escorria pelo meu corpo, lembrei-me de cada momento em que o Erick esteve ao meu lado, de como ele era a única âncora que eu tinha neste mar de caos.

Depois do banho, sequei-me e vesti uma camisola limpa. Deitei-me de novo na cama, mas o sono não vinha. Tudo o que conseguia pensar era no Erick, em onde ele poderia estar e no medo crescente de que algo terrível tivesse acontecido com ele.

Acabei por me virar na cama, na esperança de que o cansaço finalmente me vencesse. Mas a imagem de seu rosto, do seu sorriso, dos seus olhos que sempre me viam pelo que realmente sou sem julgamentos, não desaparecia.

Eventualmente, o peso do cansaço acumulado ao longo do dia começou a puxar-me para o sono, embora os pensamentos sobre Erick ainda estivessem presentes. E, por fim, entreguei-me ao cansaço, permitindo que a escuridão do sono tomasse conta, mas sabendo que o fantasma de Erick continuaria a assombrar-me até que eu soubesse que ele estava seguro.

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