Numa cidade de Nova Iorque, onde a corrupção e o crime organizado dominam as ruas, um jogo perigoso está prestes a começar.
Marly Souza, uma mulher manipuladora e sedutora, esconde um segredo sombrio: é uma assassina, conhecida apenas como "Quennie...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Acordo com uma dor de cabeça horrível, como se alguém tivesse batido na minha cabeça com um martelo. Sinto o meu corpo todo partido, mas, por algum motivo, dormi muito bem. Na verdade, acho que foi uma das noites que melhor dormi em anos.
Quando ia levantar-me, dou conta de que a Marly está deitada sobre mim com o seu rosto sereno a repousar no meu peito. Logo, uma lembrança da noite passada vem à mente.
Ela entendeu-me, como mais ninguém teria feito. Ela ouviu cada palavra, cada desabafo, e prometeu que não me abandonaria. Naquele momento, senti que finalmente havia alguém que compreendia as minhas dores, que via além da máscara de força que eu costumava mostrar.
Ela... nunca imaginei que ela poderia significar tanto para mim. A sensação de tê-la ali, tão próxima, era como um antídoto para todas as minhas inseguranças e medos. O calor dela envolvia-me, fazendo-me sentir seguro e, por um breve instante, livre de todos os fantasmas que me assombravam.
Olhei para o teto, permitindo que os pensamentos fluíssem. Nunca pensei que alguém pudesse se importar tanto por mim, e isso deixava-me vulnerável, mas também esperançoso. Era uma sensação estranha, mas reconfortante. Sabia que precisava de protegê-la, assim como ela me protegia.
Com um movimento suave, afastei uma madeixa de cabelo do rosto dela, admirando como parecia tão tranquila. Eu não quero acordá-la.
Eu queria que o tempo parasse e fôssemos só nós dois agora, na cama onde estamos seguros. Não quero que este momento acabe. Olho para como ela fica linda quando dorme, parece um anjo, e não a minha diabinha. Um sorriso surge involuntariamente ao pensar nisso.
Eu já admiti para mim mesmo que estou apaixonado por ela, mas não sei se é o que de facto sinto. É confuso.
Nunca senti isto antes. É um misto de alegria e um leve medo, como se estivesse à beira de um abismo, prestes a dar um passo que mudaria tudo. É uma vulnerabilidade que não sei como lidar. A ideia de que ela pode ser a razão pela qual eu me sinto assim assusta-me, mas ao mesmo tempo, há uma luz de esperança que brilha nesse sentimento.
Ela mexe-se e os olhos começam a abrir-se, piscando para se habituar à luz intensa que entrava pela janela. Assim que a claridade se estabiliza, ela fixa o olhar em mim e ficamos a olhar um para o outro por um tempo, como se o mundo tivesse desaparecido ao nosso redor.
— Como estás? — pergunta baixinho, com a voz um pouco rouca.
— Relativamente bem. — Respondo, mantendo o tom calmo.
— Acordaste há muito? — a sua curiosidade é genuína.
— Não muito. — Ela assente com um leve sorriso a formar-se nos lábios.
O silêncio que se segue é confortável, quase íntimo. Estamos apenas nós dois, absorvendo a presença um do outro, um momento raro e precioso no meio do caos do mundo.
— Que horas são? — pergunto. Ela estica a mão e pega no telemóvel que estava em cima da mesinha de cabeceira.
— São onze da manhã. Devíamos ir para baixo; a Hannah ainda não sabe que te encontramos. — Eu assinto, o pensamento da Hannah trouxe-me de volta à realidade.
Ela levanta-se e percebo que está a vestir a minha camisola. O tecido largo realça a sua figura, e não posso deixar de admirar como ela fica incrível com aquilo.
— Ficas incrivelmente linda com a minha camisola. — Um sorriso involuntário aparece no meu rosto.
— Eu sei. — Ela responde com um ar provocante, a confiança dela rapidamente retornou. A antiga diabinha que eu conhecia tinha voltado.
Solto uma risada ao vê-la entrar na minha casa de banho, sabendo que esse era apenas o começo de um novo dia, e talvez de uma nova fase entre nós. O que começou como um momento sombrio agora se transformava numa luz que iluminava as nossas vidas.
...
Eu fui procurar pela Hannah, mas ela tinha saído para ir ao shopping com a Âmbar. A minha irmã passa mais tempo no shopping do que na sua própria casa. Eu sei que ela gosta de ir para lá quando se sente mais triste, porque ao gastar dinheiro fica mais feliz.
O Matteo entra no meu escritório, a expressão séria e os braços cruzados. Ele pára à minha frente, mas continuo a focar-me nos papéis.
— Erick — chama, o tom carregado de autoridade. —, foste tu que mataste aquelas pessoas?
— Se estás a falar do meio da rua, do bar e de um beco, sim, fui eu. — respondo calmamente, erguendo os olhos para ele.
— Não te quero perto da minha irmã. Ela está a manipular-te para fazeres o que ela quer. — diz, a voz tensa. Reviro os olhos, impassível.
— Ninguém me manipula, Matteo, muito menos a tua irmã. — a minha voz é firme, sem espaço para dúvidas.
Ele insiste, a frustração evidente.
— Não, Erick, tens de me ouvir. Tu nunca mataste inocentes como andas a fazer. Foi a minha irmã que te disse para fazeres isso?
Suspiro, já impaciente, e decido pôr um fim àquilo.
— Não. Por outro lado, fui eu que disse para nós sairmos e ela relaxar à um mês atrás, porque diferente de ti, eu não a julgo e não gosto de a ver triste ou de magoa-la como tu fazes. Naquele dia, acabamos por fazer algumas mortes, é verdade, mas ela não me pediu, nem me manipulou. E ontem foi apenas um deslize meu, eu precisava de relaxar, achei que era uma boa maneira. — a minha voz permaneceu fria, uma barreira impenetrável contra as acusações.
— Tu és a favor daquilo que ela anda a fazer? — Matteo pergunta, incrédulo.
— Ela não é um perigo para nós, e eu não me importo com quem ela mata. Se isso a faz sentir-se melhor, então está bem para mim. — Falo com clareza, como se estivesse a discutir sobre o tempo.
— Mas e os inocentes? Eles não ficam bem. — Matteo tenta apelar para uma moralidade que não me interessa.
Passo a mão pelo cabelo, irritado com a sua insistência.
— Não me importo com isso. — Volto a focar-me nos papéis, deixando claro que a conversa acabou.
— Já estás a falar como se fosses a Quennie ou Marly, tanto faz. — Ele acusa-me, mas eu não reajo.
Finalmente, ele percebe que não vai conseguir nada e faz uma última tentativa.
— Ponto final nesta história, já estou farto. Pensa o que quiseres. — digo, os meus olhos fixos nele, deixando claro que não há mais o que discutir.
— Se não queres acreditar em mim, que sou o teu braço direito, tudo bem. Só depois não venhas até mim quando perceberes isso sozinho. — Matteo sai do escritório, visivelmente zangado, mas eu já estou de volta aos meus papéis, indiferente ao seu drama.
Para mim, tudo está claro como água. Não preciso justificar as minhas ações ou decisões para ninguém, nem mesmo para o Matteo.