Numa cidade de Nova Iorque, onde a corrupção e o crime organizado dominam as ruas, um jogo perigoso está prestes a começar.
Marly Souza, uma mulher manipuladora e sedutora, esconde um segredo sombrio: é uma assassina, conhecida apenas como "Quennie...
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Acordo num lugar relativamente novo. Reconheço, mas não estou habituada a estar aqui. Uma tontura leve atinge-me, acompanhada de uma confusão momentânea. Nada ao meu redor faz sentido. Estou presa a uma cadeira, cordas apertadas contra a minha pele. Sinto o ardor, mas não me incomodo. A única coisa que importa é sair daqui.
Então, alguém entra.
— Maninha, parece que te apanhei mais uma vez. — A voz de Matteo ressoa, cheia de uma satisfação doentia. Reviro os olhos. - Não posso permitir o que andas a fazer e, desta vez, ninguém sabe, nem mesmo o Erick. Tu vais acabar por desistir disso que chamas de vida e de liberdade. Não quero uma irmã assim.
— Desistir? — Um sorriso irónico forma-se nos meus lábios. — Entendi-te, mas já não entendo mais. Por que estás a fazer isso?
— Quero curar-te.
— Prefiro que me mates — digo sem hesitação, enquanto discretamente verifico se o meu anel ainda está comigo. Ok, tudo bem.
— Isso não vai acontecer, mana, ainda te amo.
— Se isso fosse verdade, nada disto estaria a acontecer — respondo com uma calma gélida. A situação não me amedronta. Matteo é fraco, muito mais do que ele mesmo sabe e eu nunca me permitirei morrer assim. Sempre há uma saída, como da última vez.
Ele afasta-se para um canto da sala, onde vejo que ele montou uma coleção de armas. Ele analisa cada uma com um olhar meticuloso.
— Vamos começar pelo mais fácil. — Finalmente, ele escolhe um punhal. — A arma que usas para as tuas vítimas.
— Que criativo — comento com ironia. — Quando éramos mais novos, costumavas ser mais doce.
— Esse Matteo morreu há muito tempo.
— Ainda bem, era aborrecido — digo, levantando as sobrancelhas, como se sua transformação fosse uma piada de mau gosto.
Ele avança e, sem hesitar, espeta o punhal na minha perna. Sinto a dor aguda, mas o gemido que escapa dos meus lábios é controlado. Não vou dar-lhe a satisfação de me ver desmoronar.
— Por que começaste a matar, Marly?
Eu encaro os seus olhos, frios e determinados, e respondo com uma frieza ainda maior.
— Não te vou dizer.
Ele empurra o punhal mais fundo, arrancando outro gemido de dor, mas a minha expressão continua imperturbável.
— Não vai acontecer, Matteo. Nem mesmo que me mates.
Ele tira o punhal, e eu respiro fundo, observando o sangue escorrer pela minha perna. A dor é excruciante, mas eu a ignoro, mais focada na estúpida situação do que no sofrimento físico.
— Bom, maninha, hoje já acabamos. Amanhã espero que melhores esse pensamento.