Numa cidade de Nova Iorque, onde a corrupção e o crime organizado dominam as ruas, um jogo perigoso está prestes a começar.
Marly Souza, uma mulher manipuladora e sedutora, esconde um segredo sombrio: é uma assassina, conhecida apenas como "Quennie...
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
A viagem para Nova Iorque foi longa e silenciosa, marcada por um cansaço que parecia pesar nos nossos ombros. No entanto, o meu foco estava noutro lugar, disperso entre as responsabilidades que me esperavam e os pensamentos sobre Marly, que se mantinha imóvel ao meu lado durante o voo. Era raro ela ficar tão quieta, mas desta vez não havia troca de olhares, nem comentários mordazes para preencher o vazio. Apenas silêncio.
Quando o avião pousou no Aeroporto Internacional John F. Kennedy, a cidade parecia pronta para nos engolir. Nova Iorque estava como a deixei. A chuva começava a cair, transformando as ruas num emaranhado de reflexos brilhantes, enquanto as luzes da cidade faziam parecer que o próprio céu pulsava com vida.
Ao sair do aeroporto, um dos meus motoristas já estava à nossa espera. O carro estava impecável como sempre, um reflexo do meu gosto pela ordem e controlo, seja nos negócios ou na vida pessoal. Marly seguiu ao meu lado, sem dizer nada, os seus passos são tão calculados quanto os meus. O silêncio entre nós era quase ensurdecedor, mas nenhum de nós parecia disposto a quebrá-lo. Entrei no carro, sentando-me no banco traseiro enquanto ela se acomodava ao meu lado com o rosto virado para a janela. Eu sabia que algo lhe pesava na mente, mas não era o momento de perguntar.
Enquanto o carro deslizava pelas ruas movimentadas de Manhattan, a paisagem mudou de prédios modestos para arranha-céus imponentes. Nova Iorque era uma cidade de extremos, e isso refletia-se em tudo, desde os seus negócios até à sua arquitetura. Esta dualidade sempre me fascinou, especialmente enquanto trabalhava para manter a minha empresa, a Ferri's, entre os gigantes do setor de engenharia.
A Ferri's foi uma criação minha, um projeto que começou como uma necessidade de camuflar a minha verdadeira identidade e cresceu até se tornar um império legítimo. Era uma das maiores empresas de construção civil do mercado, especializada em projetos arrojados e de grande escala, desde arranha-céus até estádios desportivos. Construir algo do zero, transformar ideias em estruturas imponentes, era mais do que um negócio — era a minha paixão. Mesmo com todas as operações mafiosas que geria, a Ferri's era uma parte de mim que eu podia exibir ao mundo.
Porém havia mais nesta empresa do que o que parecia à superfície. Era a ponte perfeita entre os dois mundos que eu habitava: o dos negócios legítimos e o submundo do crime. A Ferri's permitia-me justificar o dinheiro que entrava nos meus cofres e, ao mesmo tempo, abrir portas em círculos de influência que, de outra forma, seriam inacessíveis. Um disfarce, sim, mas também uma realização pessoal.
O carro parou finalmente em frente à minha casa, fazendo Marly soltar um suspiro que identifiquei como cansaço e alívio. Enquanto o motorista levava as malas para dentro, ela seguiu para as escadas sem dizer uma palavra, desaparecendo no corredor que levava ao seu quarto assim que chegámos. Estavam todos a dormir, então fui direto para o meu escritório.
Mesmo exausto da viagem, havia trabalho a ser feito. Uma reunião importante estava marcada para o dia seguinte com Alessandro Moretti, um empresário italiano interessado em construir um estádio desportivo para a Juventus.